30.11.10

A sobremesa - Conclusão

(se gostam de ler contos idiotas do início, é melhor voltarem dois posts atrás)


O segurança foi com ela e, em poucos instantes, voltavam à mesa onde ela tinha estado com o miúdo, o Petit Gâteau e o seu amigo bola de gelado.
“Então, o miúdo, evaporou-se?” O segurança parecia estar a gozar o facto de não se ver nada para além de um tabuleiro vazio e da mala e do casaco que ela tinha deixado para trás.

Perplexa, ela olhou à sua volta “Ele estava aqui, comeu um doce...começou a sentir-se mal”.
“Mas é o seu filho?” O segurança exprimia agora a sua preocupação, tirandou algum lixo das unhas com um bocadinho de papel.
“Não....ele estava aqui a lanchar. Quer dizer à espera, a mãe foi às compras...e eu...” calou-se pensando no que podia correr mal se dissesse que tinha dado um doce a uma criança que tinha entrado em convulsões. “Bem, pode ajudar-me a ver se ele está nas casas de banho?”

Meio a contragosto, o segurança lá foi com ela. Dividiram-se, ela foi ao das mulheres e ele ao dos homens. Passados alguns segundos, estavam de novo no átrio.
“Minha senhora, não vi miúdo nenhum, a não ser que fosse um miúdo de cinquenta anos, barba e alguns problemas com gases”. A falta de paciência era agora notória.

“Pois...eu também não o vi...se calhar foi ter com a mãe...” Estava agora completamente desconcertada com todo aquele episódio.
“Ok, se depois o encontrar, desej-lhe as melhoras da minha parte” O ar irónico do segurança, abanando a cabeça enquanto se afastava, não ajudou.

Voltando à mesa, olhou de novo em volta, sem ver o miúdo em nenhum lado. Aquela história toda tinha-a a deixado à beira de um ataque de nervos. E a pensar novamente no Petit Gâteau e no seu amigo bola de gelado. Voltou de novo ao balcão e pediu, algo desanimada:
“Olhe, é mais um Petit Gâteau com uma bola de gelado”.
A empregada brasileira sorriu e dirigiu-se à caixa de pré-pagamento.
“São uma delícia não é? Mas dois de seguida não é para qualquer mulher...”
A sua expressão apagou a vontade de sorrir da empregada.
“São 3 Euros e 20” disse, passando-lhe o talão.

Abriu a a mala e procurou a carteira. Como em tantas outras vezes, não a encontrou à primeira, por isso remexeu as três mil coisas que lá tinha dentro. Nada. Começando a ficar preocupada e com a empregada a torcer o nariz com o talão na mala, tentou acalmar-se.
“Ainda agora a tinha aqui. Deixe-me só despejá-la em cima da mesa”. Conforme os objectos se iam acumulando, o nervoso voltava a crescer. “Não a encontro...se calhar, enquanto fui ter com o segurança....Desculpe eu tenho de ir ver disto.”
Deixando o balcão e o Petit Gâteu com o seu amigo bola de gelado para trás, caminhou de cabeça baixa para uma nova conversa com o segurança. Tudo culpa daquela porra de chocolate.

Entretanto, na maior loja de brinquedos do centro, um miúdo de cabelos despenteados comprava um grande brinquedo com notas certinhas.
“Então, vens comprar isso sozinho?” A senhora da loja sorria para ele. “Ainda por cima todo lambuzado de chocolate”.

“Estive a lanchar com uma amiga” – sorriu de volta – “E como ela perdeu a carteira, a minha mãe foi com ela ajudar a procurá-la”.

4 comentários:

  1. :) que maldade, associar o petit gâteu ao roubo de uma carteira...o que salvou a história foi o "grande brinquedo" :)

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  2. Genial!

    (já agora, espero que não seja baseado em factos verídicos hehehe)

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  3. Até lhe podes chamar de "conto idiota"... mas eu gostei na mesma.
    Este conto tem uma qualidade imprescindível para um conto dividido em capítulos... é cativante e deixa-nos com vontade de ler o resto da história.
    Parabéns.

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  4. http://mariapintassilgo.blogspot.com/

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