9.11.10

O pré-mofo de Natal

Dizem-me a experiência e os armários que tenho em casa que, traço geral o mofo só se instala ao fim de algum tempo de os termos. No caso do Natal é o contrário, o mofo instala-se primeiro e só depois é que vem a época em si.

Nada contra o espírito de Natal e anjinhos com cáries, etc, mas imaginem que eu faço anos em Agosto e começo a chatear as pessoas sobre isso em Junho. Não é preciso ter algo de Zandinga para perceber que, antes de Julho, já ninguém me pode ouvir com essa história.

Para além de algumas iluminações natalícias a funcionar desde Outubro, já as grandes superfícies comerciais enterraram o chamado “Regresso às Aulas” com o “Cilindro Compressor de Natal”. Por exemplo, não sei qual é a esperança média de vida de uma Popota, mas esta eu já transformava numa campanha de bifes exóticos.

No espaço comercial em que tenho o prazer de fazer observações científicas quase diariamente, a falta de espaço dá lugar ao chamado “granel de Natal”. Assim, a começar temos decorações gigantescas no ar, cuja a única diversão que me proporcionam é pensar no que pode acontecer se cairem em cima de pessoas de quem não gosto. Depois, temos um stand da Zon 3D, que só está a beneficia a loja óptica do centro, já que quem olha o mega flat screen que lá têm mais depressa pensa “Epá, tenho a vista feita num oito” do que se decide a aderir aquilo que podia ser a mesma coisa, mas pelos visto não é, visto ser uma bosta bem maior.

Não contentes com a falta de espaço, à banca de madalenas com capachinho estilo Playmobil (vulgo cupcakes), juntaram agora um quiosque do que eles chamam “prendas vintage”, a lembrar brinquedos e gadgets do antigamente. Estúpido fui eu que deitei brinquedos e alguns parentes fora quando era miúdo, e que agora podiam valer algum dinheiro. Bem, pelo menos os brinquedos.

Finalmente, a piéce de résistance – uma espécie de espacinho semi privado estilo “Fashion Beauty Feel Yourself Smile” para cuidar da estética feminina. Como aquilo não chega bem a ser privado, a coisa fica meio matança do porco que não queremos ver, tapando a cara com as mãos, mas a qual vamos espreitando através dos dedos. Vá lá que as senhoras não guincham tanto.

O meu único conforto é que ainda não meteram as cassetes de Natal, nem sequer nos elevadores. Quando chegarmos aí, vai ser tão bonito como o dia em que o primo Eurico decidiu que lamber uma rebarbadora era uma prova de virilidade.

Ah, e eu faço mesmo anos em Agosto, por isso tenham a liberdade de ir pensando em qualquer coisinha, que estamos quase lá...

4 comentários:

  1. Não podia estar mais de acordo... Especialmente em relação à Popota e Á outra cegonha que agora não me recordo o nome! Tanta gente com fome no mundo, elas bem que podiam dar uma ajuda!

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  2. Sou levada a crer, dada a minha vasta experiência no ramo "Natais de merda", que o trauma do Natal começa a assolar-me por volta dos meados de Outubro. Nada de grave, penso nisso um bocado, fumo mais, bebo mais café, peço mais martinis sem limão no bar, até sinto uma vontade premente de roer as unhas... mas nisso lá me controlo. Com a chegada de Novembro tenho sempre a secreta esperança que com a animação recambolesca dos centros comerciais a coisa se torne mais suportável, que o barulho das luzes me faça esquecer a data que se aproxima e que eu até sinta alguma simpatia pelo barrigudo de fato vermelho que passa o dia com a peida sentada a fazer-se à fotografia. Não passa disso. É que há merdas que não se esquecem e o Natal é uma delas.

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  3. DETESTO O NATAL...E FOLGO EM SABER Q NÃO SOU A ÚNICA....
    ADOREI AS MADALENAS COM CAPACHINHO,.....

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  4. Parabéns adiantados ou atrasados !

    Não sou criança Natal não me diz nada!

    Não sou consumista o Natal não me diz nada!

    Não católica, o Natal não me diz nada !

    Não sou pirosa o Natal não me diz nada!


    Respeito claro as opções de cada um :)
    Sempre!

    Y

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