22.11.10

O nefasto efeito de palavras como vaselina, pacote ou bilha

Há coisas que acontecem por via do destino, mais do que por vontade própria dos intervenientes. Desde o efeito de riso quando alguém cai ou se espalha à nossa frente, às expressões que apanhamos da televisão e da publicidade e que se tornam respostas automáticas a tender para o idiota (a não ser que se seja o anunciante citado), como por exemplo: “Novidades? Só no Continente”, “Podia, mas não era a mesma coisa” ou até o épico “Tou Xim”.

No entanto, entre machos que gostam de fazer valer esse estatuto, há um dicionário paralelo que tem um efeito ainda mais gritante ao nível do estímulo reflexo. Se têm saudades dos tempos em que faziam experiências com kits de ciências ou, para os mais hardcore, com o gato da vizinha, é fácil fazer pequenos exercícios nesta matéria. Experimentem utilizar as palavras “pacote” ou “bilha”, seja ela de gás ou não, na presença de rapaziada que goste de um bom trocadilho boçal e a festa está feita.

Primeiro temos as reacções mais comedidas, com um sorriso pseudo discreto de quem sabe que um pacote não tem apenas de ser um pacote e uma bilha pode oferecer muito mais do que gás, “Eu sou macho e estou consciente da aplicação dessas palavras”.
Depois, temos o gracejo que utiliza essas mesmas palavras, proferido em surdina, que implica normalmente uma repetição dúbia da palavra “No pacote??”, “Qual bilha???”.
Finalmente, temos a loucura completa ou a caminho disso, com sequência de trocadilhos boçais, desafios à masculinidade alheia dos interlocutores e a sensação de bem estar proveniente de um conforto que pode até ser algo alarve, mas faz parte do código genético da rapaziada.

“Ouve lá, meu trovador de léxico de trazer por casa, mas tu por acaso és alguma princesa isenta desse tipo de linguagem?” perguntará o leitor de bilha mais inflamável.

Claro que não, até porque este pensamento me surgiu ontem durante 20kms em corrida, em que as palavras licra e vaselina apesar de surgirem inocentemente como material de apoio ao corredor, foram depois utilizadas por um grupo de machos, no qual me incluo, para piadas grosseiras, bitaites profanos e afirmações indecorosas, no meio de risos trocistas.

Não é classe pura, mas ajuda a distrair dos quilómetros a passar e de algum cheiro a suor latente.

3 comentários:

  1. Eu, normalmente brinco mais com Halibut (o que é que isto te levará a pensar?).

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  2. ahaahah adorei, bom artigo sim senhora! já agora gostava de deixar aqui um link importante à saúde de todas as mulheres...Parece estranho, mas estou com um problema de saúde grave que podia ter evitado, assim, como a internet é um grande meio de comunicação, gostava de com um simples link, ajudar alguém

    AH adorei mm o artigo, é sincero ;)

    Deixo o link então http://bit.ly/cPbIVj

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  3. Macho que é macho inevitavelmente faz esses trocadilhos ao ouvir palavras dessas, mesmo quando ditas inocentemente.
    No mínimo esboçamos um sorriso maroto de quem leva logo tudo para a Cueca.

    Está-nos nos genes.

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