16.11.10

O cinzento profissional fica-vos tão bem

Não tenho andado a ver demasiados programas de rebenta a bolha do guarda-fato, nem tenho nenhum autocolante do Tim Gunn colado no monitor. Mas, trabalho num edifício onde não faltam consultores, xpto advisors, seres supremos na arte da auditoria, especialistas financeiros e tecno-yuppies pós modernos e constato um pormenor que me intriga.

Creio que se confunde facilmente um ambiente profissional mais formal com um cinzentismo oficial de embarda. E, se por um lado “beneficio” de ter um ambiente que é precisamente o inverso, onde até o calção é permitido e é fácil cair na viagem na maionese, o fatinho standard e a gravata colorida assumem o papel de fato de macaco do profissional moderno de serviços.

Sim, Portugal é um país de serviços, mas não tem de ser um país de cinzentos. E isto não tem a ver com códigos formais (embora, creio eu, ainda estejamos longe de ver um caixa de banco com brinco, como já vi em Londres), tem a ver com facilitismo.

De facto, homem de fato e gravata é coisa elegante, reforça diversos aspectos e confere distinção. Mas eu entro num elevador e vejo um gajo que pensou no que ia vestir e oito que foram ao armário em piloto automático. Ok, o patamar também se diferencia em termos do dinheiro investido na farpela, mas isso não é tudo.

Epá, mas isto agora é preciso um livro de estilo e essa bichanice toda, só para ir trabalhar?
Não, basta o senso comum. Se olhamos para um grupo de homens de fato de macaco, mesmo sem falarmos com eles, estabelecemos uma imagem mental das suas capacidades e daquilo que representam. Se olhamos para dez gajos de fato, cópias uns dos outros, e o mesmos objectos de status a compor o ramalhete (do telemóvel ao MP3, passando pelos óculos escuros e o jornal de relevância, o que será que os diferencia?

Será certamente, num campo mais profundo, a sua competência mas meus amigos, vivemos numa era da imagem. E o facto é que um fato, por si só, hoje já não chega para fazer a diferença.

Agora que já me obrigaram a falar de roupa, vou ali abaixo mandar uma garrafa ou duas garrafas abaixo, mandar uns bitaites ordinários às empregadas e dizer que amanhã vou arranjar porrada com uns espanhóis no estádio. É que estou com medo de ficar com vontade de falar de papel de parede já a seguir.

5 comentários:

  1. Ora bem, do ponto de vista estritamente feminino,um homem de fato,dois, três, é sempre algo bonito de se ver.Já um grupo de homens de fato de macaco , dá azo a um fantástico manancial de ideias e pode meter papel de parede ao barulho:).
    Já agora, este post fez-me lembrar de dois provérbios:"Quando um burro é jeitoso, qualquer albarda lhe fica bem", e , "O hábito não faz o monge".

    Maria Amaral

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  2. Não se preocupe com uma eventual ruptura na linha editorial do blog. O Mak falou de códigos e de símbolos, não de roupa.
    Por isso grite lá aos espanhóis, mas não é preciso armar porrada. :)

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  3. Diacho... hoje estou de fato cinzento! Pelo menos é a versão saia :)

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  4. Portugal não é só um país pequenino. Tem muita gente pequenina. Há uns anos, num acesso de loucura, fiz um piercing. Este Verão, fui trabalhar de chinelo no pé. Existiu um ou outro comentário mas vindo de quem vem veio, era tão irrelevante que nem sequer merecia argumentação da minha parte. Não permito que a desaprovação dos outros, fruto de preconceito, pequenez mental ou limitação intelectual, dite regras. Tendo consciência das minhas capacidades e do meu profissionalismo, a opinião de opinião de algumas pessoas não conta. Não gosto do bem parecer nem de agradar a gregos e troianos. Vai-se a ver, deve ser por isso que há pessoas que não morrem de amores por mim. Oh, chatice!

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  5. Eu percebo a ideia do post e até já falei nisso...não é o fato cinzento que faz a diferença e que dá status e lá por terem de andar de fato não precisam de andar todos os dias de igual tal e qual farda...nesse aspecto não se distinguem muito dos que usam fato de macaco :) Bem visto este post!

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