3.11.10

E por "U" temos a magia do urinol

Há todo um mundo de fascínio por detrás de algo tão simples como uma casa de banho. Pelo meio de necessidades básicas e histórias de trampa e horror, há uma aura de mistério que envolve sexo, drogas e rock n´roll ou até a imortalidade gravada em forma de sentença na porta de um qualquer lavabo público.

Mas, quis o destino e a genética que a evolução dos WC’s tenha particularidades em função de se ser homem ou mulher. Sobre fenómenos de bidé e a eterna pergunta “Porque é que as mulheres vão à casa de banho em pares?” já muita prosa e poesia correu, qual descarga do autoclismo rumo à incerteza do esgoto.

No entanto, se me é permitido e eu sei que é, visto isto ser apenas uma sebosa questão retórica, gostaria de dar umas palavrinhas sobre a magia do urinol. Transformado em fonte por Duchamp e em rima absurda por Manuel João Vieira, o urinol é uma peça intrigante no dinamismo de casa de banho. Por um lado, a sua utilização é básica, fácil de perceber até por petizes de tenra idade, que anseiam apenas poder crescer para ir fazer xixi como os homens. Mas, chegados a homens, muitos são os que se esquecem dos pormenores básicos, fazendo pontaria aos pés ou à parede, deixando o próximo utente na dúvida sobre se alguém ligou aspersores para regar a zona.

Depois, há a questão do espaço pessoal. O urinol é dos poucos espaços em que dois ou vários homens partilham um pouco da sua intimidade com outros machos. Ou muito pouco, consoante os casos. É essa a razão de haverem leis não escritas sobre direcções de olhares, mesmo entre amigos, porque convém não esquecer – seja qual for o assunto entre mão, há sempre mais algo que as ocupa.

Existem também questões de esforço e simplicidade, que podem causar invejas, estimular competitividade e transformar o acto de urinar numa prova de qualificação olímpica. Lado a lado, urinadores de todas as classes, credos e feitios, competem pela mija mais longa, a mais barulhenta, a mais sofrida ou até a mais intermitente (seja por dificuldade ou por exibicionismo de controlo de funções corporais). No fim, o aperto de mão entre desportistas de urinol fica sempre dependente da noção de higiene individual de cada um.

E, porque as coisas perdem a magia quando são analisadas até à exaustão, deixo apenas um alerta para aqueles tipo que, tendo um urinol disponível, recorrem à sanita apenas para fazer uma mijinha. Sim, é sobre vocês que que recai um certo olhar de desdém quando fogem para detrás da portinha.

Homem que é homem vai ao urinol com um sorriso nos lábios e um olhar em frente, não vá o tipo do lado pensar que, para além do resto, está ali a fluir o princípio de uma bela amizade.

4 comentários:

  1. Urinóis:O último reduto masculino.
    "what happens in the urinol stays in the urinol";).

    Maria Amaral

    ResponderEliminar
  2. Urinol é daquelas palavras cuja sonoridade sempre me fascinou. -mas fica-se por aí. Pela sonoridade.

    ResponderEliminar
  3. hahha
    Mas desde já te digo que a minha perspectiva em relação ao urinol mudou quando me deparei com o sistema de "urinos triplos" ao ar livre. AHHH que coisa mai linda ver os meninos a fazerem a real mijoca ao ar livre.

    ResponderEliminar
  4. Cá só vi dessa variação arquitectónica em festivais o que, quase sempre dá outro festival. A diferença aí é que os intervenientes ficam face a face, dando origem ao chamado olhar translúcido, em que salvo bebedeira ou vontade simultânea de falar muito da última banda, se tenta fazer parecer que o ser a mijar à tua frente, pura e simplesmente não existe.

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.