27.11.10

Duas famílias que se odeiam fora de prazo

Pois é, não falta por aí quem já tenha ouvido falar da história do casalinho piroso Romeu e Julieta. Ai, não digas isso, que aquilo é que era amor, assim à séria, és um bruto e, atrevo-me a dizer, um bandalho.

Exacto, duas crianças (16 e 13 anos, mais coisa menos coisa) começam a namorar às escondidas, lixam a vida aos pais, brincam com venenos, não ligam para o INEM quando a coisa corre mal e depois ainda se mete suicídio ao barulho, porque o mundo está todo contra eles.

Mas pronto, também pode ser de mim, que nunca fui grande fã dos Morangos da ficção renascentista.

No entanto, não quero ser castrador e até dou esta parte de borla. Porque há aqui outra coisa que me interessa abordar – aquele drama épico das duas famílias que se odeiam e que, de seis em seis meses, a TVI e mais uns quantos aproveitam para abrilhantar o enredo das suas novelas.
Numa época de linhagens, nobrezas e outras chouriçadas tradicionais, a coisa até fazia sentido. “Epá, deixa lá o Carlitos da família Fagundes em paz, porque nós já te vamos casar com o teu primo Eduardo que, apesar de gostar de vestidos longos é o 78º na linha de sucessão ao título de Conde de Bugalhas.” Ok, a coisa podia dar chatice.

Mas, nos dias que correm, não são precisas duas famílias que se odeiem para criar enredos. O ritmo de vida e as disfuncionalidades múltiplas tornam necessária apenas uma família que se odeie para arranjar gasolina. Até porque, com tanta coisa ao mesmo tempo, as famílias mal têm tempo para cuidarem de si, quanto mais para se estarem a preocupar com os outros.

E deixem-me ficar por aqui, que o meu tio Eurico disse que vinha cá jantar e o facto de estar ali aos murros à porta há quase três horas e parece que fingir que não estou em casa não está a resultar.

2 comentários:

  1. Makamigo, Mauamigo, digo, meuamigo

    Pois tá claro, três vezes nove são vinte e sete, vira a folha ao canivete - ókedizem é daqueles ca cruzinha, do exército suiço, ké um pleonasmo porque só há às segundas, quartas e sextas, fora os ameaços. Uffff.

    Eu seja ceguinho se não gosto disto por aqui. Porra, quem foi o fdp que apagou as luzes? Gosto.

    Entretanto, vai abrir a porta ao teu tio Eurico - eu sou só o Rico - antes que lhe saltem as dobradiças. Da porta, não do Eurico.

    Prontos, sem s, já aqui botei faladura; e kemfalaçim não é gago. Quando o tio basar, vai ao meu quintal ké bué da fixe, comenta e (per)segue-me, com boas intenções, tá claro. Simpatizo à brava com mulheres & adjacentes feminis.

    Quem houvera de dizer que um ancião que fez 69 (anos) ainda estava no prazo de validade? De quê?

    Abs

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  2. Porra que, enquanto lia isto,me ia engasgando com a porcaria da castanha que estava a comer e depois era o bom e o bonito, porque já mal conseguia respirar, quanto mais telefonar para o INEM e dizer que estava a sufocar com uma castanha presa na garganta, tudo devido a, num momento de loucura pontual, decidir vir ler o que tens escrito. De modo que é aborrecido. O cão já toca piano mas ainda não dá uso ao telefone, raios! Espero que o gestor deste blogue assuma responsabilidades pelos danos colaterais do que escreve, quase-asfixia incluída. Para a próxima não convides o titi. Se sabias, a priori, que ele iria jantar em tua casa é porque terá havido um convite da tua parte. Nada mais natural que ele bata à porta. Se bem que uma campainha faria milagres.

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