5.11.10

Cicatrizes que contam histórias

Pois, sim senhor, há pessoas que deixam marcas blá blá blá e experiências que nos marcam a vida para sempre, etc e tal. Lindo e maravilhoso. Acredito piamente que há histórias muito bonitas e muito tristes para contar com base nestes conceitos.

Mas não aqui. Porque isso seria como ir para um banho turco falar do blusão Duffy salmão que encontrámos outro dia lá em casa.

Ao olhar para o meu corpo, depois de chorar uns bons minutos, dei-me conta que tenho apenas duas cicatrizes, o que é algo milagroso. E digo istos, não porque o meu apêndica já tenha tido um divórcio litigioso com o resto do corpo ou tenha andado a combater na selva durante dez anos.
Digo isto porque o ritmo de actividade/desporto físico que sempre mantive, aliado a um certa leviandade de quem responde sempre sim quando outra pessoa pergunta “Este muro é alto, mas dá para saltar não dá?”, já me podia ter dado muito retalho corporal digno de menção.

No entanto, achei que me devia valorizar e não é o facto de nunca ter partido nenhuma unidade do meu corpo (uma ou outra luxação violenta, no máximo) que me vai impedir de relatar a história das minhas duas cicatrizes. Pequenas, mas muito honrosas.

História 1 (pequena cicatriz junto ao calcanhar)

Mãe – Filho, não saltes nesses ferros. Isso pode partir-se e cais para cima dos canteiros e aleijas-te.
Filho ignora a mãe, gozando de belos momentos de diversão a saltar em cima dos ferros que separam os canteiros do passeio do jardim público.
Craaaaac
Ferro parte-se e espeta-se de raspão na perna da criança. Não sabendo ainda muitos palavrões de renome, fica-se pelo “Ai, ai, ai, ui, ui, ui”.Não é eloquente, mas não anda longe de algumas letras nos tops nacionais.
Mãe – Eu não te disse que te ias aleijar filho. Tu não me ouves. Vá, vamos lá tratar disso.
Filho (agarrado à perna) – Mas disseste que ia cair nos canteiros e eu caí no passeio...
Pode ter-se seguido uma palmada instrutiva.
O curativo é feito, a ferida não é profunda para necessitar de pontos, a marca subsiste até hoje.

Se se portarem bem, eu conto a história da segunda cicatriz. Se não se portarem, também não têm grande escolha. Agora vou ali vestir qualquer coisinha, porque o tempo não está mau, mas é um exagero estar tanto tempo nu ao espelho.

Ainda por cima na casa de banho da firma.

2 comentários:

  1. Eu tenho umas três: uma na perna que não me lembro, uma no indicador esquerdo devido à minha falta de jeito com facas e uma no indicador direito ao abrir à pressa uma ampola de um medicamento qualquer xD

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  2. Eu tenho algumas cicatrizes... físicas. :) E gosto bem delas, aprendi a gostá-las. Como a que tenho no pulso, de uma transfusão de sangue, que eu gosto de dizer que
    é uma estrela.

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