25.10.10

R de Recordações Suadas

Não me recordo de já ter feito um título tão reles para o Makcedário. Por outro lado, também não me recordo do que comi sábado ao almoço, por isso o critério é fraco. Mas, o que à partida pode parecer a promoção de um qualquer argumento para um filme porno de craveira duvidosa, não passa de uma inocente viagem ao passado.

Esqueçam os vossos 10 minutos de terror com o campeão do suor num qualquer autocarro ou cubículo sem janelas ou até mesmo o último domingo, em que na Corrida do Tejo a diversão só começa na viagem de comboio após a corrida, de Oeiras a Algés no meu caso, em que só aqueles com maior capacidade pulmonar sobrevivem em carruagens pejadas de gente suada.

Esta viagem vai mais longe, no meu caso até à escola primária e à Sra. Professora Maria Albertina, pois é daí que é oriunda a minha primeira recordação de “suores frios”. A senhora não era propriamente uma reencarnação do demo ou uma voraz defensora de instrumentos de tortura medievais. No entanto, quando a ocasião se predispunha (e eu predispunha-me a umas quantas) era capaz de fazer suar do buço qualquer criancinha.

Relembro-me do dia em que pensei que usar o leite com chocolate para beber era limitativo. Que era possível gerar entretenimento com ele e que eu iria tornar-me ainda mais popular no recreio. Lembro-me de ter tirado três pacotes que sobraram e de os ter levado às escondidas para o pátio no recreio. Lembro-me ainda de os ter descascado o mais que possível, até boa parte do revestimento interior estar à vista.

Com o cenário montado, lembro-me depois de os ter disposto num molho, numa zona muito frequentada pela criançada no recreio. Lembro-me de ter corrido na direcção do molho, de ter saltado e ter visto a mais linda chuva de leite com chocolate de que há memória.

Não me lembro de ter visto a Sra. Professora Maria Albertina e mais duas colegas a passarem por trás de mim e a serem regadas com leite com chocolate.

No entanto, recordo-me nitidamente do efeito do suor frio à medida que uma senhora de cabelo com laca e leite com chocolate se aproximou de mim para “falarmos” sobre o assunto. Creio que as minhas orelhas e a sua mão terão até discutido, já que as orelhas não se mostravam na disposição de se separar da cabeça, como as mãos dela pareciam pretender.

Hoje em dia não bebo leite com chocolate. Mas continuo a ter muitas ideias de merda.

7 comentários:

  1. :D É a primeira vez que por aqui passo e devo dizer, que para além de gostar da forma como escreves, adorei este episódio :P E já agora...Não deixes de ter ideias de merda, são elas que nos alimentam o espírito de criança :)

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  2. Deixar de as ter não é opção, já que são política da casa há já uns bons anos :)

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  3. Tinhas botas ortopédicas? É que isso iria criar um efeito ainda mais poderoso, maravilhoso até, na forma como o leite chovia pelo recreio. Eu sei do que falo :P

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  4. Boa noite. Bom... Muito bom...
    Quando eu fazia asneiras dessas tinha alguns suores frios por causa dos professores, mas quando chegava a casa é que as coisas aqueciam.... Ainda não haviam telemóveis, nem sei como é que a minha mãe já estava à porta à minha espera com aquela cara de: sei o que fizeste o verão passado, este verão e o próximo... Irgasss...
    Cumprimentos.

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  5. Olhe, desculpe, é aqui que se vendem Skodas Moldávia?

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  6. Nop meu caro, aqui só se vendem Buggatis Beirão...

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  7. Eu não sei o que se vende aqui, mas eu venho sempre por umas gramas de boa disposição e pelo troco em rebuçados!
    Muito bom, esta frase final deixou-me a rir sozinha durante um bom bocado.

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