29.10.10

Não há almoços virtuais grátis

Eu e este senhor não nos conhecemos. O que não nos impediu de, corria já longo o mês de Outubro, almoçarmos juntos. O ponto de encontro foi uma farmácia, talvez por eu pensar que não tenho remédio e ele acreditar que pensos rápidos não salvam o mundo.

O local físico do almoço deu lugar a uma pergunta metafísica - faz mais falta alimento para a alma ou comida para o estômago? Um pequeno impasse e decidimos que, visto o estômago ter roncado primeiro que a alma, o melhor seria ir por aí.

Chegados ao local escolhido, arrisquei ao empregado “Meu bom homem, trazei-nos das vossas melhores vitualhas e regai a nossa refeição com o néctar dos deuses” e a resposta não se fez tarde “Então, brincamos ou quê? Não há cá nada dessas merdas pipi, vejam lá se se orientam”. Pronto, distraí-me, não vi o sinal para deixar lirismos ridículos à entrada da tasca.

Superado o percalço e preenchidos os pratos e os copos, desanuviou-se o ambiente com uma conversa light – o futuro da Humanidade, a falibilidade do ser humano quando dividido entre razão e emoção e o preço da bandeirada nos táxis serviram de entrada.
Depois de abordada a fissão nuclear e a decoração do Espaço Schengen, por um momento pareceu querer aflorar à mesa, naquele instante em que surge a indecisão sobremesa, café ou só a conta, o tema blogs, o meu, o dele, o dos outros...

Sorrimos, ao reparar que certas coisas têm tendência para vir à tona, mesmo quando não são para ali chamadas. Toda a gente sabe que isso da blogosfera não existe, é um mito criado por pessoas com pouco que fazer...

Pagámos rapidamente, despedimo-nos com a alegria e satisfação de continuarmos a não nos conhecermos de lado nenhum e cada um seguiu o seu caminho. Ele, perdido pela cidade e eu, a pensar que vitualhas é uma palavra que não lembra ao demo...

3 comentários:

  1. De salientar que logos após declarar os meus planos mais insidiosos para ter um conhecido leitor de mp3, o debate animado que seguia - com os restantes convivas dando sonoros vivas e urras a cada argumento apresentado - teve como fruto a descoberta, quase acidental, do sentido da vida, que prontamente anotei num guardanapo de papel, que infelizmente olvidei.

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  2. Excelente texto!

    (e o que vale é que Blonde que é Blonde não se candidata a estatuto de pessoa ignorando avisos à navegação. Gaita, uma pessoa detém-se num texto bom e acaba a comentar nem sei bem o quê)

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