13.10.10

M de Marcelona

Não podia desperdiçar esta oportunidade de recorrer ao meu espólio saudosista de piadas refundidas da Amiga Olga, esse concurso que tantas lembranças e cofres-mistério deixou espalhados na nossa memória.
Assoberbado pelo trabalho no regresso de Marcelona e, porque não, pelo uso da palavra “assoberbado” logo no segundo parágrafo depois de um interregno, deixo-vos apenas com ligeiras notas desta simpática localidade catalã.

- Do silêncio no aeroporto de El Prat. Por oposição ao que é comum, o aeroporto de Barcelona parece silencioso, pelo meio da luz da sua estrutura largamente envidraçada, tornando a experiência diferente. Muito parecido com o nosso em que, à chegada, partilhada com um vôo proveniente de África, não faltava animação, reencontros ruidosos, gritaria e até um insistente apelo a um tal de “Osvaldo”, que depois se veio a verificar que não era ele, para desapontamento geral dos 15 familiares, três namoradas e 18 curiosos que gostam apenas do convívio.

- Da vida nas ruas de Barcelona. E não me refiro às Ramblas ou ao Bairro Gótico. Refiro-me a muitos outros “carrers” no centro da cidade onde, seja qual for o dia da semana, nos cruzamos com gente normal que não parece saída de filmes de terror ou que pretende usar-nos para enriquecer o seu currículo criminal.

- Do sentir-se em casa. Nem todas as cidades e países que visitamos, por muito deslumbrantes que sejam, têm a capacidade de nos fazer sentir em casa. Podemos até ver-nos a viver nelas por um período determinado de tempo ou ver o nosso amor por elas crescer com o tempo. Em Marcelona, essa sensação é quase imediata, como se fosse a cidade que se adapta a nós e não ao contrário.

- Da próxima moda para os quefrôs – Esqueçam as flores, as tiaras luminosas, o anel sonoro, as chamuças no tupperware e até os óculos com iluminação artificial. Observei as novas tendências nas vendas nocturnas em zona de diversão e o caminho está traçado. Modificadores rústicos de voz que nos fazem soar a algo entre o Pato Donald e o Marques Mendes e pequenos bonecos fluorescentes, que são disparados para o ar com um elástico e descem pouco a pouco, tal como as expectativas de muitos portugueses. As crianças e os adultos com menos de 20 anos mentais continuam a ser os alvos mais fáceis.

- Do look catalão-manfi-friendly – Gosto de cultivar a barba nas férias. Faz-me compensar o pouco jeito para a horto-floricultura. No entanto, isso torna-me alvo fácil, quer para o simpático vendedor de drogas locais que vê neste meu ar descontraído uma apetência para as substância ilícitas, quer para o turista incauto, que vê neste desmazelo a impossibilidade de eu ser um seu semelhante, decidindo que sou eu que lhe vou dizer qual o melhor caminho o cruzamento entre a Roger de Lluria e o Carrer d’Aragó ou se o Mare Nostrum é já ali ao pé da marina. Simpático e afável para todos, não lhes nego um sorriso e a simpática frase “My name is not Manuel, and i’m not from Barcelona”.
- Das tapas – Já dizia a outra “Só um tapinha não dói”. Mas enche....

- Dos sumos no mercado – Fãs de sumos naturais, recomendo uma visita ao Mercado junto às Ramblas, para torrarem 1€ e picos de cada vez em sumos de fruta dos mais diversos sabores. Refresca, sabe bem e ajuda a treinar sprints até ao hotel mais próximo (não necessariamente o vosso), caso tenham estômagos mais sensíveis.

E pronto, vamos parar por aqui, que não tarda nada pareço uma daquelas gajas que, não sabe bem porquê ou por quem, estão de repente a apresentar programas de viagens a destinos muito trendy, sempre a tentar passar um look turista acidental mental.
Querem mais? Vão lá ou comprem-me um audio-guia.

3 comentários:

  1. (Uaaaaaauuuuuuu!!!
    Ao longe ouve-se o Menino do Gongo.)

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  2. É uma cidade que quero MUITO conhecer... e sim, esse conforto que alguns locais nos transmitem é impagável.

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  3. Já só te falta a roupinha pipi e o ar "pagam-me para andar a laurear a pevide, enquanto mostro o quão fashionista sou, mesmo tendo zero skills de apresentação". Estás lá, Mak.

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