14.9.10

Vida longa ao Salão Diogo

Sou um tipo dado a caminhadas por vias urbanas pela fresquinha. Sou também um tipo dado a fazer o “robot” nas pistas de dança, mas isso não é agora chamado para o caso.

Foi por isso que, através de observação matinal repetida, posso confirmar que na Avenida da República, número 10, muito perto do McDonalds fica o Salão Diogo. Perguntam vocês, enquanto se tentam lembrar de como era a coreografia da Macarena, “E que tal ires pentear macacos, em vez de andares a fazer roteiros idiotas?”

Não posso, porque possivelmente estaria a tirar negócio ao Salão Diogo que é das poucas barbearias que ainda vejo subsistir numa das principais avenidas lisboetas. Todas as manhãs lá está aquele que presumo ser o Sr. Diogo a fazer os preparativos para receber a clientela. Com a sua bata branca e ar concentrado, lá está ele a ler “A Bola”, certamente para poder debater, entre patilhas, os casos do fim de semana desportivo ou se o Queiroz ficava efectivamente melhor de bigode.

Nunca lhe vi muita clientela e parece-me que, entre o consultor pós-moderno que que prefere cortar o cabelo num cabeleireiro de aprumado nome francês, o artista que só vai ao Bairro Alto e o pai de família que corta o cabelo no hipermercado, quando vai fazer as compras do mês, a sobrevivência do Salão Diogo deve ser mais capricho que rentabilidade.

Se eu tivesse um penteado conservador (ou, vá lá, um penteado), podia até arriscar ir ao Salão Diogo e fazer história. Mas sei bem como as coisas são, um tipo vai a uma barbearia old school num dia e no outro a seguir já está a tratar as pessoas pelo apelidado e uma semana mais tarde a coçar a genitália em público de forma vigorosa.

Fora isso, fica-me bem acabar o post a dizer que fazem falta sítios assim a Lisboa. Têm história e dão histórias.

5 comentários:

  1. Do lado esquerdo para quem vai a descer, é esse?

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  2. E a propósito do salão Diogo, hoje vi um amola Tesouras e pensei exactamente o mesmo... o que será que leva um amola tesouras, nos tempos em que os chapéus de chuva estão ao preço da chuva, continuarem a existir? Será por teimosia?
    E como a sua cantilena, se tornou tão familiar e ao mesmo tempo nostalgica.

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  3. conheço-o bem, ao salao.

    Prezado, do lado dos pares. ;)

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  4. A ideia de ti a dançar à robot dá-me vontade de ir ao Salão Diogo ir cortar o cabelo à escovinha...

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  5. É essa mesma rapaziada.

    @ Scarlet - Muitos anos na pista de dança...

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