13.9.10

Regressar a falar do que não se sabe

Tendo a benesse de não ser surdo, tenho ouvido muita coisa ao longo da vida. Tenho ouvido das boas, das más, das mais ou menos, ouvido mais do que de devia, ouvido o que não interessava e ouvido até por conta de outrem.

Estas férias não foram excepção, por muita areia, água e outras matérias primas que tenham entrado (ou saído) pelos meus canais auditivos. E embora esteja longe, mas mesmo muito longe, de tornar este blog num espaço de reflexão sobre relações entre homens e mulheres, homens e animais, homens e flores do bosque ou até mesmo homens e o diabo a quatro, ouvi algo que versa um pouco sobre isso.

Assim sendo, deixando opiniões e abordagens válidas sobre o tema para autoridades pseudo competentes na matéria (e há várias na blogosfera), eis uma conversa de almoço que ouvi nas férias.

Cenário: Restaurante Vegetariano, em que simpáticos empregados ucranianos mostram que o pós-modernismo nem sempre é linear.

Intervenientes: 3 Gajas (personagens principais) e eu, na mesa ao lado.

Cena:

Estava eu a deglutir a minha refeição, quando os ânimos na mesa ao lado se exaltam. Gaja 1, mais contida, revela que ao fim de um ano e tal de casamento, há coisa que não correm tão bem como ela queria. Ora eu, que na semana anterior tinha ido ao segundo casamento da minha vida, senti-me habilitado a ser um observador passivo desta conversa.
Gaja 2 e Gaja 3, supostamente suas amigas e ligeiramente mais velhas, tratam-na mal, como se fosse uma lorpa.
Ela defende-se, dizendo que é normal existirem queixas, que nem tudo é perfeito.
Já eu, dou uma garfada numa bela paella vegetariana e penso “As amigas não a deviam ouvir, antes de lhe dar bordoada?”.

Gaja 2 e Gaja 3 não lêem pensamentos, já que a primeira coisa que fazem é – Dar bordoada mental na amiga.

Para além de tratarem Gaja 1 como se fosse palerma, dão-lhe lições de matrimónio e mostram como, no seu pouco modesto entender, se “doma” um marido. Os minutos seguintes são um chorrilho de alarvidades e lugares comuns.

Gaja 1 amocha e tenta ainda dizer que cada caso é um caso e que não vê as coisas assim de forma tão definitiva. Gaja 2 e Gaja 3 respondem que todos diferentes, todos iguais e dão-lhe mais umas dicas de trazer por casa. Eu peço mais um sumo do dia.

Finalmente vão-se embora e fico a confraternizar com uma simpática tarte de pêra. Desconheço em absoluto o destino das senhoras e da sua vida conjugal, mas arrisco que a dar ouvidos à Gaja 2 e à Gaja 3, daqui a uns meses a Gaja 1 vai estar a almoçar com elas para lhes falar do seu divórcio. E elas certamente terão muitos conselhos válidos sobre a matéria.

De positivo retiro apenas que saber ouvir é quase como beber – deve ser feito com moderação, mas nem sempre deve ser feito em ocasiões sociais, para evitar barbaridades.

7 comentários:

  1. Mesmo sendo na perspectiva de um singelo observador, isto foi de uma profundidade atípica, caro Mak.

    Está doente?

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  2. Não percebeste nada Mak.
    A gaja 2 era ex namorada do homem e a gaja 3 era amante.

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  3. As gajas 2 e 3 não eram amigas da gaja 1.
    São tipas que julgam domar o marido, julgam ser felizes e nesse momento, os seus mais que tudo estavam em qualquer lugar a bufar e a pensar «no que me fui meter».
    Gajas amigas, escutam activamente, podem dar uma opinião diferente mas mostram-se compreensivas. E antes de se porem com matéria matrimonial dizem duas ou três coisas que anime o ego da amiga em aflição, do tipo «mesmo que isso não resulte, és bem melhor que ele»; «faz o que te fizer feliz, mereces melhor».
    Seja ou não verdade, é o que as amigas fazem.

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  4. Porra mas isso não são amigas!

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  5. Não sei se ela, antes de pensar em divorciar-se do marido, não deveria ponderar divorciar-se das amigas!

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  6. Mak, as gajas 2 e 3 são (mal) casadas com uns bananas e pensam que têm a fórmula correcta para orientar a gaja 1 a ter um não casamento ;-)

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  7. é bom saber que a cozinha vegetarina é apreciada por aqui. e bons restaurantes, como o ucraniano da p.c., também.

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