28.9.10

G de Gerúndio (com alínea de Gold Strike)

A língua portuguesa está pejada de tempos verbais e se há coisa que gostamos de fazer é fazer queixinhas do tempo. Seja do nosso próprio tempo, aquele que não temos ou aquele que nos faz falta, ou do tempo que faz lá fora (seja frio, calor, nublado ou uma coisa que não é carne nem peixe).

No entanto, poucos se queixam do Gerúndio, esse tempo que eu confundia um grande chefe índio nos meus tempos de petiz meio alucinado. Hoje, já não sou petiz.

E não nos queixamos, porque o Gerúndio, esse tempo que não cola nem descola, vai colando e vai baixando sobre a vida de muita gente, sem que se dê por isso. As coisas vão-se fazendo, os patrões vão-se aturando, adiando decisões, contemplando futuros onde nada se passa, mas onde tudo se vai passando.

O Gerúndio é a rotina, rotinando aqueles que não o mandam para o Pretérito Imperfeito da mãe dele. Mas para quê tanto queixume? Lá vamos andando, obrigado, parando um bocadinho aqui e ali para que tudo se vá cozinhando em lume brando.

E por isso é imperativo dar férias ao Gerúndio. O gajo precisa e, se não precisar, que vá à mesma, que lá há de encontrar quem o vá aturando.
Porque, até lá, arranjará sempre maneira de nos ir f@&€ndo o juízo.


PS – G era também uma forte hipótese para Gold Strike, essa mistela demoníaco que tanta marmeleira fritou na minha juventude. Não que eu alguma vez tenha abusado disso, cof cof, eu gostava era de cheirar os copos com aquele aroma a canela.

4 comentários:

  1. Pensava que isso estava implícito no Gold Strike...Aliás, houve até uma certa dama, conhecedora de truques e artifícios que me explicou que bastava juntar outro ingrediente para essa receita bater certo...

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  2. Deve ser porque eu Portugal somos adeptos do "deixa andar"... então os verbos são conjugados no gerúndio, que indica uma acção que se prolonga no tempo.

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