18.9.10

Dar folga às palavras

Tenho a noção de que, durante a semana, exijo muito das palavras. Pressiono-as, faço-as andar ao meu ritmo, não lhes dou descanso, textos longos, invenções idiotas, trabalhos, mensagens, conversas. Ainda não descansaram e já estão a ser escritas de novo, uma e outra vez.
As minhas palavras trabalham, acreditem, e trabalham bem.

Por isso, ao fim de semana, sempre que posso, dou-lhes folga. Deixo-as andar por aí, à solta, a fazer tropelias e a meterem-se nas conversas dos outros. A relaxarem em sms’s alheias, combinando saídas e regabofes diversos, fazendo programas ou a partilharem momentos no sofá.

É raro ficar sem palavras, guardo sempre umas quantas para estes dois dias. Mas, às vezes peço emprestadas aos outros, sem eles darem por isso.

Depois, é vê-las voltarem, mais calmas, mais folgadas, com outro ânimo. Ao Domingo à noite contam-me o que andaram a fazer e eu agradeço. É sempre assim que começam as histórias da semana a seguir.

2 comentários:

  1. E que as palavras nunca se acabem...

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  2. Hummm as tuas palavras são esforçadas mas ao fim-de-semana precisam de descansar. Poupa-as.

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