10.8.10

A mudança

Carlão, à primeira vista, era macho certificado. Cuspia no chão quando a ocasião assim o requisitava, metia-se com as miúdas todas a piropos de garrafeira e sabia até enunciar os onze iniciais de todas as equipas da Superliga.
O problema do Carlão passava-se no interior, era uma questão de arrendamento. É que dentro de Carlão vivia Carlota, moça moderna e bem espigadota, que controlava muito do que Carlão queria e muito o obrigava a fazer, daquilo que a ela lhe interessava.

Em profunda infelicidade vivia Carlão, que por um lado queria ir com os amigos à bola, por outro não sabia que verniz combinava bem com a cor do seu clube ou qual o cinto que melhor ia com a camisola. Toda a vida tinha sido assim, Carlão ia por um lado, pelo outro estava Carlota e no meio disto tudo estava uma vida em que a bota não dava com a perdigota.

Carlota pressionava: “Já tiveste o teu tempo para tentar ser feliz e não resultou. Bem podias fazer as coisas acontecerem...”
Carlão que, como todo o macho, tinha genes de teimoso, empatava “Não sei e depois, como é que era com a rapaziada....”
Carlota “Se não fosses eu, dizia que não te conhecia. Sempre a pensar nos outros e tão pouco tempo para pensar em ti, ou melhor, em mim”.

Finalmente, Carlão concordou em deixar Carlota ficar ao volante. Meses e meses de tratamentos, operação marcada, mudança feita. “Finalmente, um pouco de paz” suspirou Carlão, agora arrendatário do interior. Mas Carlota, sendo mulher, tinha algo em si de eterna insatisfeita.

(continua)

4 comentários:

  1. Ahhh mas sr. Mak, se não fossemos insatisfeitas, o que haveria mais para conquistar?

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  2. humm...isso vai acabar com a Carlota morta, não vai?

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  3. Esse teu Carlão ainda vira rabicho...

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  4. It is interesting, I will go back to read them again.

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