9.8.10

Complexo de Peter Pândega


Diz-se que há por aí muita malta a sofrer disto. Marmanjões e marmanjonas, que insistem no regabofe, nunca dizem que não a uma festa, a uma saída, a uma corrida em saco de batatas ou a atirar balões de água. Grandes malucos e malucas, com alguma idade para ter juízo, mas que se agarram à sua juventude com unhas, dentes e outras extremidades corporais que consigam usar para o efeito.
Ser jovem de espírito é algo recomendável, mas isto dito por um gajo que tem a possibilidade de ir trabalhar de calções no Verão, cheira a justificação barata. Mas, haverá porventura uma barreira entre o que é ter um espírito jovem e ter dificuldade em assumir um papel mais adulto, quando o BI já o recomenda de quando em vez?

Se estão à espera de uma resposta iluminada, tentem blogs com profundidade superior à de uma piscina de crianças, que isto aqui é rasinho, rasinho.

Como é óbvio, tenho uma teoria manhosa, que tem a ver com o facto da nossa geração, traço geral (excluindo duros como eu, que foram amamentados com leite de cacto e tinham um berço de arame farpado), ter sido muito mais mimada e apaparicada por paizinhos e família. O número de filhos reduziu-se nos lares e o número de crianças levadas ao colo até, pelo menos, aos 30 anos aumentou exponencialmente. Nestas condições, a maturidade tem, por vezes, alguma dificuldade em encontrar almas gémeas que ainda não usem placa.

Quer isto dizer que devíamos ficar todos em casa a ver o Preço Certo e a deixar que alguma flatulência inesperada seja o ponto alto do serão, enquanto ouvimos peças de Bach, concertos de Rachmaninoff e recitamos Florbela Espanca?

Não.
Quer dizer que espírito jovem e imaturidade não são a mesma coisa, por muito que se brinque ao Carnaval e se mascarem estas coisas.

Pronto, creio que não tenho mais temas minimamente sérios para abordar até final do ano.

9 comentários:

  1. Não sei se a coisa tem totalmente a haver com o background familiar embora me pareças ter um "ponto". Eu por exemplo tive segurança familiar próxima de zero, já vivi merdas que normalmente só se vivem 20 anos mais tarde e considero-me um puto do caraças (embora apesar do meu espírito brincalhão quem está de fora diga que não). Orgulho-me muito do espírito jovem e dou-me com pessoas que o partilham. E conheço malta mais nova com espírito velho. As vezes os tais apaparicados de hoje, que vivem em redomas de vidro.

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  2. Traço geral, estou de acordo.

    Também tenho amigos que a estrutura familiar foi a única coisa que os salvou de estarem agora a arrumar carros e fizeram 30 mil estroinices diferentes, continuam a ser "jovens e rebeldes", mas têm a opção maturidade activada, quando tal faz sentido.

    O problema, a meu ver, é quando a estrutura familiar se torna num desculpabilizador super-proteccionista. A malta cresce sem ter responsabilidades, com dificuldade em superar dificuldades e com o refúgio sempre fácil de, eu não tenho que ser um adulto cinzentão.

    Mas, também é verdade que isto não é um mundo de preto e branco e há nuances pelo meio que nunca mais acabam.

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  3. Olá!
    O meio (familiar, institucional, social, etc) efectivamente condiciona o carácter dos indíviduos. Até aqui, não posso discordar. No entanto, não serve de desculpa para condutas menos próprias, quer estejamos a falar de imaturidade no geral, ou de situações bem mais complexas (toxicodependência e afins). Lembro-me do meu 1º dia de estágio, num CAT (Centro de Atendimento a Toxicodependentes), e daquilo que a responsável pelo Serviço Social do estaminé me disse... O meio influencia, mas não é determinante. Há características pessoais, que se desenvolvem independentemente do meio, e que se tornam uma mais valia para a maior resistência e melhor resposta do indivíduo às dificuldades diárias. Que é assim como quem diz: ter um pai bebedo, uma mãe puta e um irmão drogado não são motivos para se cair num mundo de crime ou afins. Julgo que isto serve também para a questão da maior ou menor maturidade dos indivíduos... Mas agora já estou a discursar demasiado e isto era apenas um simples comentário! :) Bjitos

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  4. Sem aprofundar muito, o que eu digo é que as pessoas não atribuem x ou y à família, neste caso, mas que a sua educação é um factor que contribui para confundirem espírito jovem com alguma imaturidade emocional.

    E não vale usar argumentos "pros".

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  5. Daddy didn't love me enough?

    Um bocado de loucura não faz mal a ninguém e tira-nos desta vida que teima em se tornar estúpida, nomeadamente todas as Segundas-feiras.

    Aposto que ao Mak também dá o Amok.

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  6. As gerações posteriores são sempre piores que a nossa. E eu vejo a próxima ( eu tenho 35 ) como uma cambada de meninos a chuchar coca-colas, dar beijinhos nos golfinhos e fazer reciclagem compulsiva. Uns meninos.
    Para a geração anterior, as brincadeiras destes miudos serão sempre completamente estúpidas, nem pelo simples motivo de que apanharam uma buba e gregoriaram a sala a ouvir Muse em vez de o terem feito a ouvir Joy Division.

    A minha geração é de meninos, mas a próxima... essa preocupa-me.

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  7. Eu não censuro o espirito jovem que até acho que se deve manter até tarde, mas deve tb haver o culto da maturidade porque não faz sentido fazer os mesmos disparates de adolescentes, apenas disparates mais próprios da idade, logo controlados...ser jovem sim, ser imaturo não!

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  8. Pelo meu ambiente familiar tornei-me adulta muito cedo. Cedo demais. Via os meus amigos e colegas a viver a sua infância e adolescência, que eu não pude viver como eles. E vi também, mais tarde, muitos desses meninos e meninas, que nunca sentiram necessidade de saber o que era uma responsabilidade, cair nos piores caminhos, fruto da imaturidade de que fala. A minha vivência poderia ter feito de mim uma cinzentona mas felizmente não aconteceu e sou bem mais brincalhona que muitos com uma experiência oposta à minha. O importante é mantermo-nos sempre "young at heart", por mais e mais velas que tenha o malfadado bolo, a cada ano.

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  9. Para mim isso é tudo uma fantuchada, há personalidades naif's, ingénuas, génios bons e maus, mais ou menos responsáveis..agora o que é um espírito jovem? é irresponsável, mau/traquina naif e ingénuo? ou o que queremos perdurar? apenas a parte naif e ingénua? para mim o falado espírito jovem é, quanto muito, uma pessoa que não limita/distorce o conhecimento com o que conhece :P não me lembro de conhecer alguém nessa categoria..

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