16.8.10

Clássicos de Verão 4 - RIP Cavalheirismo

Esperem um bocadinho que eu já vos conto tudo o que se pode aprender num fim de semana no Algarve. Entretanto, só para ser irritante, fiquem com um clássico de Verão. Ah, e estou disponível para apedrejamentos.

Agosto de 2008

É certo e sabido que o cavalheirismo foi inventado por um homem. Nós, os machos, temos por hábito criar coisas que não percebemos muito bem e que mais cedo ou mais tarde acabam por se voltar contra nós. Daí que seja justo que seja um homem a desligar a máquina que mantém o dito cujo ligado à vida.

Há muito que o cavalheirismo, no sentido romancista da coisa, deixou fazer sentido numa sociedade que se diz igualitária e em que há pouco tempo a perder. Como é óbvio, há que separar o cavalheirismo do facto de ser educado e da paixão. A educação é válida para todos e a paixão torna os actos mais estúpidos justificáveis, tanto para o homem (incluindo imprimir este texto para mostrar à namorada) como para a mulher.

Homens e, especialmente, mulheres que ainda sejam adeptos intransigentes do cavalheirismo é gente que ficou congelada em glaciares sociais há já algum tempo. A emancipação feminina tornou-a mais sofisticada (embora o bigode não esteja erradicado), com um nível de educação superior (em Portugal há mais mulheres licenciadas do que homens e entre a população empregada com curso superior elas também dominam) e nivelou um pouco mais a balança social. No entanto, curiosamente ou não, as mulheres continuam a considerar um exclusivo masculino o chamado acto cavalheiresco.

Nos dias que correm, enquanto muitas outras coisas seriam consideradas machismos, continua a ser essencialmente dos gajos a responsabilidade de oferecer flores (no hospital não conta e em funerais muito menos), abrir portas de carros, puxar a cadeirinha para sentar ou assegurar o pagamento da conta do restaurante.
Bradarão, indignadas, algumas senhoras - É educado, só te fica bem e aumenta as probabilidades do cavalheiro não adormecer abraçado apenas à almofada (isto para os casos com intenções marotas como pano de fundo).
Concordo plenamente, mas isso devia ser válido para meninos e meninas. Experimentem ser cavalheiras e fazer algumas das coisas que referi anteriormente, nem que seja uma vez (ok, troquem as flores por uma garrafita de vinho) e vão ver como a rapaziada fica reconhecida e, na volta, até cora (antes do efeito do vinho).

Se a coisa não correr bem pelo menos tentaram, e ficam a ter uma pequena amostra das figuras que os homens andam a fazer há séculos só para ficarem bem na fotografia. Da minha parte não vai haver problema, sei muito bem que não há almoços grátis, mas não digo que não a jantares gratuitos.

7 comentários:

  1. Eu tento fazê-lo. Mimar para ser mimada.

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  2. NICE
    e se de repente fores feminista sem dares por isso :D
    é uma das grandes máximas do feminismo: o cavalherismo é uma forma de machismo!

    não estava à espera,
    foi uma agradável surpresa.
    obrigada!

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  3. Ao contrário da ideia que resulta do teu post, esses gestos (educação e não cavalheirismo) ainda têm mais sentido numa sociedade em que existe igualdade de género. Se já não precisas de a sustentar, ao menos que lhe puxes a cadeira...

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  4. Mas eu só estou aqui para agitar as massas ;)

    (E puxar a cadeira, pode ser algo bastante tricky...)

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  5. :) É caso para se dizer que se querem sobreviver no mercado de trabalho terão que puxar a cadeira às meninas. Se querem sobreviver em casa, a mesma coisa. Realmente, ser homem deve ser uma seca!

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  6. A base de qualquer relação sólida assenta não em cavalheirismos fossilizados mas sim na transparência e honestidade. Se in vino veritas, ide lestinhos e trocai as flores por vinho. Tinto, se faz favor.

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  7. Assumo! Eu sou uma cavalheira, sempre fui e sempre serei!

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