11.8.10

Clássicos de Verão - A p*ta da criatividade

O Verão é altura de calor, gente descascada, calor, praia, calor, férias e, nalguns casos, mais calor. É também chamado de silly season ou, no caso de um amigo meu com problemas de ouvido "billy season".
Aqui no pasquim, o Verão é também tempo de memórias e, por isso, vou ressuscitar alguns textos mais antigos só para dar um look retro cool e mostrar às pessoas que se acham que isto é mau agora, antes era pior. Não vai ser reciclagem pura, porque vou misturando o velho com o novo, mas vai ser tipo festa dos 80's em que os maus penteados dão lugar a maus floreados linguísticos.

Maio de 2007
A p... da criatividade - Uma reflexão sobre insultos

É minha convicção que, em termos de vocabulário, estamos numa época de facilitismo. Simplesmente, a malta não se esforça e há muito que é necessária uma lufada de ar fresco.
Refiro-me especificamente à linguagem mais ofensiva, aos insultos e expressões carroceiras. Se é certo que em termos de derivados vão surgindo novidades, há um núcleo duro de sete palavrões que se mantém presente no léxico nacional há resmas de tempo e que, dada a sua trivialização e aceitação geral, no meu entender já mereciam uma votação para eleger o melhor de sempre e depois a subsequente criação de novos sete palavrões-maravilha de Portugal.
Eis uma pequena descrição dos sete candidatos, sendo a ordem numérica aleatória (o seu disfarce não se deve a pudores, mas sim a evitar que ainda mais gente doentia que passa pelo Google cá venha parar):

1- P*ta – inicialmente utilizado para designar a profissional do amor, derivou para o ataque pessoal à mãe do interlocutor ou para qualquer elemento do sexo feminino passível de ser atacado com o mesmo. A recente massificação do sector gay derivou esta palavra também a utilização em relação ao sexo masculino. Tem também características impessoais quando associada a factores específicos (ex: sorte, azar). Combina bem com o 4 e o 5 para reforço de intenções.

2- Panel**ro – Durante anos rivalizou com o mais popularucho “maricas” para designar os homens que defendem que a espuma de barbear foi feita para partilhar num ninho de amor. Ganhou preponderância ofensiva possivelmente nos anos 80, com o advento da SIDA, dos maus penteados e da música pop. Embora tenha perdido alguma força, é ainda uma boa forma de questionar a masculinidade do interlocutor. O seu índice de promiscuidade é elevado, ligando bem com quase todos os outros, tirando talvez o 1 e o 6.

3- Cabr** – Referência lendária para o universo masculino. Numa primeira fase focado na classificação do indivíduo vítima de faena marital, expandiu-se em larga margem, acompanhando de certo modo a emancipação feminina, mas sendo também bem recebido como arma de arremesso para homens. Hoje em dia, está em pleno vigor, servindo para qualquer mulher classificar um homem que esteja longe da santidade e para qualquer tipo classificar outro que lhe deva dinheiro ou, em casos mais grave, explicações pelo facto de este estar em boxers na cama com a namorada do outro. Liga bem com 4 e 5.

4- Car*lh* – Um dos dois pilares de ligação no mundo do insulto. E é curiosa a utilização da palavra pilar, já que inicialmente o termo definia de modo brejeiro o órgão sexual masculino. A sua expansão deriva não só das suas capacidades associativas com quase todos os outros palavrões, como da sua generalização que faz com que tanto possa ser usado como interjeição de charme para concluir frases, como adjectivo superlativo de qualidade (ex: foi um concerto do c. ou aquele restaurante não valia um c.) ou para definir um vizinho que insiste em ouvir Tony Carreira alto e bom som. Pela sua correspondência em mercados externos pode continuar a dar cartas durante muitos anos.

5- M*rda – O pão nosso de cada dia. Elemento de ligação por excelência, a sua trivialização levou a que já tenham sido feitas petições para desqualificá-la como insulto. Numa primeira abordagem, este termo ilustrava de modo pitoresco as propriedades da matéria fecal. No entanto, por arte de transmorfismo passou a conferir a pedido essa mesma propriedade a tudo e mais alguma coisa, incluindo a este post. Hoje em dia, a sua utilização é tão vasta que tanto serve de desabafo, como para travar quem não os pare de fazer (ex: deixa-te de m.), partilhando com o 4 a projecção internacional, porventura mais poderosa no seu caso dado que é mais aceite socialmente.

6- C*na – Correspondente feminino do 4, tem também base na anatomia de taberna. No entanto, a sua ramificação fez com que aspirasse a novos vôos, sendo utilizado como recomendação de destino de férias junto de algum parente feminino do visado e também para definir indivíduos parcos em coragem. Tem menos força que alguns dos outros candidatos visto ser quase exclusivo do sector masculino, mas tem aí bastantes adeptos. O seu fraco poder relacional pode pesar na sua projecção final.

7- F*der – Ao princípio era o verbo. O facto de ser o único verbo nesta lista confere-lhe uma propriedade dinâmica e multiplicidade de formas que o deixa em boa posição. Aliás, o próprio termo posição é-lhe muito próximo, visto ter a sua génese no ajavardamento do acto sexual. Mas, podem ir fazê-lo todos aqueles que pensem que este candidato se limita a essa actividade redutora. Derivando para adjectivos de dificuldade, interjeições ou simples recomendações de actividade, este insulto massificou-se ao longo dos anos. Curiosamente, é hoje mais mal visto pela sua utilização em relação ao seu propósito básico, do que em muitas das suas outras aplicações.

Estamos a abertos a votos, propostas, troca de insultos e eventuais parcerias para dinamização da votação.

8 comentários:

  1. Mas que C*na do C**alho!
    Aquele Ca**ão do Pa**leiro de M**da do meu chefe, cada vez mais parece uma P*ta vendida.
    Só me sabe é F*der o juízo!

    Sim, parece bem! Soa-me familiar esta conjugação!

    ResponderEliminar
  2. Proponho como substitutos e segundo a ordem do post.

    1- Alternadeira do falo
    2- Abafa Palhinha
    3- Estrusco
    4- Bregalho
    5- Poio
    6- Patareca
    7- Quilhar

    ResponderEliminar
  3. Cabra eu gosto. Até pode ser no bom sentido.

    ResponderEliminar
  4. Tudo pode ter um bom sentido. Até eu.

    ResponderEliminar
  5. deixaste de lado as conjugações, como "cra*lh*s ta fod*m" ou "con*s de m*rda".
    O uso de caralh*d*s está a decair, parece. As ultimas vezes que digo Put* em público, detecto sempre alguns arrepios à volta, o que muito me estranha quando estou no contexto Cais-do-Sodre e realmente estamos a falar de putas. Não é que seja uma profissão regular e fiscalizada pela finanças ou pela asae. nessa altura posso usar outro termo. Meretriz.

    ResponderEliminar
  6. Tenho um carinho especial pela meretriz, enquanto palavra. Rameira também tem o seu quê...

    ResponderEliminar
  7. Foste buscar este post a Santa Cona d'Assobio!!

    O comentário antes do meu pode ser eleito o melhor do mês, não achas?

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.