13.8.10

Clássicos de Verão 3 - O síndrome do prisioneiro

Antes de mais, gostaria de dizer que não tenho qualquer formação em psicologia, tirando algumas cadeiras que visitei durante a faculdade e um trabalho de Verão para cobrir as férias do Professor Bambo. Aliás, posso até acrescentar que tenho a impressão de que uma boa percentagem das pessoas que tiram cursos de psicologia fazem-no um pouco no âmbito do espírito “Arranje você mesmo”, derivado de alguns problemas por resolver e eu os meus quero deixá-los à solta.

Posta esta introdução, vamos ao que interessa – Há em mim um interesse pela natureza humana nas suas facetas mais absurdas, em conjunto com uma imaginação mais fértil que os terrenos da Mesopotâmia antiga, o que me permite conjecturar teorias sobre quase tudo.

Daí foi fácil chegar ao Síndrome do Prisioneiro que, mais do que uma teoria, é um aviso. Ora vejamos, um preso que esteja muito tempo numa cela com um companheiro sujeita-se a isto – Ao início, o companheiro, um troll de primeiro, pode parecer-lhe um perfeito anormal que lhe causa repulsa. Ao fim de uns tempos, o prisioneiro começa a dar um desconto ao companheiro “Ele afinal não é tão mau, teve foi uma infância difícil. E aquela tatuagem com um esqueleto a violar a Madre Teresa tem a sua piada”.
Conforme o tempo vai passando, o antagonismo vai-se esbatendo, já que a falta de escolha e de tempocondiciona a vida social. Não será difícil que, salvo danos maiores, os defeitos do companheiro, inicialmente um facínora, sejam agora perfeitamente justificáveis e ele tenha agora outro “papel” no nosso coração. Qual? Depende da pena e do desespero...

Transporte-se este cenário para a vida de muita gente à nossa volta. Salvo aqueles que conseguem manter a sua vida social em patamares de alta competição, estamos a maior parte do dia confinados aos mesmo espaços. Com base nisso, temos já terreno para chegar ao Síndrome do prisioneiro. Em escritórios, adegas cooperativas, instituições estatais e não só surgem todos os dias exemplos de uma epidemia deste Síndrome. Nos casos mais graves, gente que se odiava vive agora relações tórridas, nas maleitas mais suaves, é só fruto da falta de tempo.

O que é que eu tenho a ver com isso? Em teoria, enquanto parvo opinativo, tudo. Na prática, mal me comece a sentir afectado e comece a ver qualidades onde antes só via defeitos, a solução é simples – emigro.

2 comentários:

  1. Olha, eu já tive esse Síndrome em relação a uma amiga. E arrependi-me, porque a primeira visão (sem estar enevoada pelo carinho que sentia depois por ela) era a correcta.

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  2. Makzinho,

    Dizem que isso é uma defesa interna nossa, para nos ajudar a suportar aqueles de quem não nos podemos livrar. Tipo analgésico natural...

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