6.7.10

Goodbye Pónei

Já não era uma criança, mas não tinha vergonha de estar abraçada a um cavalo, com lágrimas a correrem-lhe pelo rosto. As duas últimas semanas tinham sido pura e simplesmente fantásticas, como se de um sonho se tratasse e do qual ela não queria acordar.

Não tinha sido o seu sonho de menina ter um cavalo, nem sequer tinha memória de ter passado tardes a pentear pequenos póneis de crina sedosa. Mas, nestes últimos dias, quantas e quantas vezes não tinha galopado de olhos fechados, sentindo a brisa na cara e agarrando com força as rédeas do seu fiel companheiro.
Sempre forte, sempre decidido no caminho a tomar, mesmo antes dela decidir e, ao mesmo tempo, tão dócil e calmo, deixando-a aproximar-se sem sobressaltos e parando sempre que era preciso. Não era um cavalo jovem, mas os seus olhos brilhavam com a energia de quem nunca seria domado, mesmo que tal não fosse verdade.

E agora, eram os seus últimos momentos juntos. No dia seguinte ela voltaria a ser mulher inflexível, sempre pronta a tomar decisões sem hesitar no seu trabalho e a deixar todo o resto em standby na sua vida pessoal. E aquele cavalo, talvez ficasse ali, talvez partisse, talvez desse voltas e voltas à sua procura, mas os seus dias juntos acabavam ali.

Abraçou-o uma vez mais. Não existiriam mais cavalgadas com gargalhadas pelo meio, nem passeios pelo meio de outros animais, que nunca se aproximavam como se temessem aquela dupla majestosa. O seu cavalo branco, que quase parecia cor de rosa, teria que procurar outra princesa…

Hesitou um segundo… talvez o pudesse comprar. Levá-lo consigo e….

- Ó minha senhora, importa-se de largar a porra do cavalo? É que nós queremos desmontar o carrossel e assim nunca mais saímos daqui.

Fingiu que lhe tinha entrado uma coisa para o olho e afastou-se.
Cabrões, eram todos iguais. Quando tinha sido para receber dinheiro pelas voltinhas eram só sorrisos, agora eram uns insensíveis de primeira. Acenou ao cavalinho e voltou-lhe as costas, talvez o lugar dele fosse mesmo ali, entre a ambulância e a chávena de chá giratória.

4 comentários:

  1. Muito fixe, diverti-me ao ler isto.

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  2. Coitada, ficou destroçada.
    Eu cá simpatizo com mulheres que gostam de andar em cavalinhos de carrocéis. (sobretudo se o cenário for Paris, ali mesmo aos pés da Torre Eiffel) :)

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  3. Hihi!! Agora quando for à feira de Grândola vou olhar para os carrosséis de outra forma:) bj!

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  4. Muito muito giro. Tanto a descrição do sentimento pelo cavalo e da relação com ele, que tão bem conheço, como o desfeche bem organizado.
    Gostei muito!

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