5.7.10

Escrever para o boneco, para a boneca e por aí em diante

A escrita tem uma coisa interessante, que vai para além do facto de provares que não és analfabeto e deixares de assinar o teu nome em cruz. Pode ser um dom, uma capacidade profissional, uma arma, um segredo, uma receita de bacalhau à Zé do Pipo e muito mais. De facto, a escrita é algo que oscila do muito especial ao mais mundano, do íntimo e pessoal ao javardamente generalista. Já dizia Júlio César:
“Bem vindos a mais um Minas&Armadilhas”.
Não tem muito que ver com o tema, mas a experiência ensinou-me que uma citação de uma figura histórica reforça sempre a mensagem que pretendemos passar.

Pus-me a pensar nisto enquanto comia uma talhada de melancia e cuspia as pevides para cima de um ceguinho que tocava acordeão à minha frente. Não por maldade pura, mas sim porque me irritam os ceguinhos que entram nos meus textos à má fila e começam a tocar acordeão do nada.

Embora não seja recompensada ao nível de um bom canalizador ou electricista, a escrita e os intérpretes que se safam na mesma, tendem a ser requisitados regularmente por familiares, amigos e chupistas de ocasião como se da mesma fossem biscateiros.

Qualidade à parte, cheguei à conclusão que, não profissionalmente, já me pediram para safar / rever / fazer melhoramentos / dar jeitinhos em coisas tão diferentes como:

- Recensões críticas
- Declarações de intenções
- Cartas de Motivação
- Cartas de Despedimento
- Textos de Recriminação (também chamado ajuste de contas via mail)
- Teses
- Frases e textos para passatempos
- Textos para BD’s
- Sketches
- Discursos
- Cartas de Amor (para exercício, não era numa de Cyrano de Bergerac)
- Recomendações
- Reclamações
- Convites de Casamento
- Convites para Festas
- Testamentos (ok, esta é tanga, mas é só para ver se estavam atentos)

Partindo desta base de exemplo, a coisa é preocupante. Não porque, na maior parte dos casos, me tenha custado por aí além a tarefa, mas por ver que há por aí tanta gente inocente e incauta ao ponto de deixar nas minhas mãos estas coisas. É como deixarem um pirómano sozinho na Fábrica de Fósforos Quinas…

Depois queixam-se que a vida lhes corre mal.

9 comentários:

  1. De todas, confesso que "Textos para BD’s" foi a que me captou a atenção. Estamos a falar de Tios Patinhas e afins, correcto?
    Mas é preciso saber escrever bem para fazer textos para BD's??!?

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  2. Não, mas se gostares de fazeres tiras de BD do ponto de vista de desenho, teres alguém que te ajuda no argumento e no texto dos balões dá jeito.
    Ah e repara que eu disse, qualidade à parte, não tem a ver com ser preciso escrever bem, tem a ver com fluência da escrita ;)

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  3. Epá... nesse caso ò Mak, fazes-me um favorzinho? Hum? Hum, hum, hum? Vá láááá.

    (Eu nem costumo ser chupista, mas não custa nada tentar. :|)

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  4. Já agora que toca no assunto, veja lá se me envia a carta que lhe encomendei. Aquela que tem por titulo: "Pai Natal, prova-me que existes." Lembra-se? Pois, já lá vão uns meses e nada. Dê lá corda aos sapatos faifavori que mais um mesinho ou dois e é hora. Agradecidas.

    P.S.: não se esqueça de mencionar o pedido no final da carta. E diga-lhe que não vale se fôr insuflável ou a pilhas. Has to be the real deal!

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  5. Confessa, Mak, quem é que tu queimaste desta vez?
    Ass: SB

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  6. Oh Mak, tu escreves bem em que ghénero for... não te armes nem andes à pesca de elogios. :P

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  7. Nada de pesca, é apenas um paralelismo interessante. Se eu desse toques de canalizador cravavam-me de uma maneira, assim cravam-me de outra.

    E armado estou sempre, nem que seja em parvo.

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  8. Pfff... p'a meninos!
    Quando dobrares uma temporada inteirinha de Sinbad O Marinheiro fala c'a gente.
    Isso sim, é escrita elevada. Sobretudo quando estão no cesto da gávea.

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  9. ja não vinha ca ha algum tempo mas agrada-me ver que continua tudo na mesma :)

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Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.