29.7.10

A banheira, o Paiva e o horror numa noite de Verão

Ontem à noite, enquanto ponderava se era mais confortável levar a almofada para dentro da banheira ou fazer de tapete de urso no mosaico da cozinha, lembrei-me de um episódio que me foi contado por um grande amigo meu.

Ok, rectificação, que me foi contado pelo meu único amigo.

Não sendo ele de Lisboa, quando andávamos na faculdade, ele dividia casa com mais colegas que também eram da terra dele e estudavam cá. Dado a borgas e à galantaria, muitas vezes ele ficava sozinho na casa de Lisboa, enquanto os amigos regressavam à casa materna, para a roupinha lavada e encher o frigorífico.
Num desses fins de semana, quis o destino e, possivelmente algum desespero feminino, que ele trouxesse uma jovem incauta até ao seu covil já a noite ia avançada, certamente para algo mais do que lhe mostrar a sua colecção de CD’s.

Convicto de estar sozinho em casa, depois de ter falado com os colegas que disseram ir a casa, pô-la completamente à vontade.
Rolava um clima.

A moça, em noite de calor, pergunta onde é a casa de banho e ele, já a testar o seu dente de vampiro, diz que é já ali ao lado.
Passam alguns segundos e eis que, do nada, a donzela sai histérica aos gritos da casa de banho, lhe diz “Para estas merdas não contes comigo”, pega nas coisinhas e sai porta fora.
Visivelmente melindrado, o artista vai atrás dela, não tem sucesso e resolver ir ver o que se passa na casa de banho.

Lá chegado, vê que dentro da banheira está nada mais, nada menos que o seu colega de casa, chamemos-lhe Paiva. Ora o Paiva, fã de álcool a rodos, tinha tido uma má experiência com gregório, que tinha envolvido cama, lençóis e um quarto em alerta crítico. Rapaz previdente, ao apanhar uma nova cachola, resolve não ir para a terra, chegar a casa, despir-se completamente e ir deitar-se na banheira, de modo a que se vomitasse, sempre teria a sanita por perto e não sujaria nada e assim adormeceu, de cortina fechada.

A jovem incauta, ao entrar na casa de banho, sentou-se na sanita e, com isso acordou-o. Paiva puxa a cortina para trás, pensando que será engraçado mostrar a sua invenção ao amigo. A jovem passa de um momento de intimidade privada para estar cara a cara com um gajo todo nu deitado numa banheira. Os princípios básicos do constrangimento entram em acção.
Paiva, perturbado, mas sempre educado, estende a mão e diz “Olá, eu sou o Paiva. Se quiseres tomar banho, avisa que eu saio”. É ela que sai e aos gritos.

Ainda hoje, quando vou a casas de banho que não em minha casa (e também na minha, que eu sou desconfiado), abro sempre a cortina da banheira, quando ela existe. Mais vale prevenir, do que encontrar um Paiva todo nu, pronto para nos cumprimentar.

16 comentários:

  1. AhAhAh Muito engraçado! Isso aconteceu mesmo? É que se sim, coitada da rapariga!!!

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  2. escarafunchar a rir é o termo certo pra mim neste momento.

    e viva o Paiva!

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  3. oh god, que medo :D lol ahahaha

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  4. Oh coitada da moça! Comigo também não contem para essas cenas... javardices.

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  5. Nunca é bom começar qualquer tipo de relação com um ida à casa de banho... too much exposed intimacy... que pasta de dentes é que ele usa, quantos cremes/perfumes tem, se a escova/pente tem cabelos and so on and so on...

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  6. A gaja também foi um bocadinho parva... o Paiva até foi uma simpatia!

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  7. coitada da rapariga! eu morria de susto, a sério...

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  8. A história é de rir... Adorei a personagem "o Paiva"! Fantástico!!!

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  9. Grande Paiva. Aposto que até os colegas de casa convencia com essa história do "Ah e tal bebi um bocado demais e... foi sem querer, foi. Não é um esquema que eu montei, não."

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  10. Vá, já me animou a noite! :)

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  11. A expressõe "visão do inferno" assoma-me o espírito.

    lol..

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  12. Acreditem, apesar do relato não ter sido testemunhado por mim, o evento foi certificado como verdadeiro na sua génese, até pelo próprio "Paiva".

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  13. Excelente!! É que tenho amigos que imagino na mesma situação que o Paiva e não consigo deixar de rir! Mtoo bom!

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  14. Não me bastavam já as minhas paranóias, agora, por causa deta estória, acabo de adquirir mais uma. Devias ser processado, Mak.

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  15. O Paiva foi um senhor nesta história.

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  16. Desconfio que já devo ter conhecido esse " Paiva" , não vejo outra razão para eu ter o mesmo movimento de reconhecimento perante qualquer cortina de casa-de-banho!

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