14.6.10

Falta de Nexo e a Cidade

Permitam-me uma coisinha rápida sobre filmes e sobre uma série cuja crítica dá direito a fustigação com raminho de oliveira por esta blogosfera fora.

O segundo filme do “Sexo e a cidade” é a modos que inenarravelmente pasteloso e, como que dizê-lo, mau (na opinião do trolha de serviço). Não porque elas mudem de roupa de 3 em 3 minutos, não porque o argumento (ou a falta dele) seja mais fraquinho que o ombro do Nani, não porque se tivessem de retirar dali muitos ensinamentos, não por ser apenas uma capitalização do franchise e nem sequer por gastar duas horas e meia a contar algo que 90 minutos chegavam e sobravam.

É mau porque banaliza e recauchuta com muito pouca arte os princípios que fizeram da série uma referência para muitas mulheres (e não só). Parece que nos filmes sobrou só a ostentação, a parte fútil e todo um sortido de clichés que, embora pudessem até constar na série, eram aí devidamente espaçados em argumentos traço geral bem construídos para o efeito pretendido. A lógica, embora claramente aspiracional, fez com que muita gente se revisse em certos aspectos da vida das protagonistas e almejasse à outra parte do conto de fadas que aí aparece ou até recriá-la à sua maneira.

Até quem não gostasse ou não fosse propriamente fã, ao ver um episódio poderia encontrar coisas que o levassem a dizer “Olha, já passei por uma parecida com esta”. Porque a vida é feita de relações, encontros e desencontros e havia também sempre um comic relief (muitas vezes às custas da personagem especificamente criada para o efeito), para aliviar partes com menos glamour. Diz-se até que parte do realismo vem do facto de algumas das histórias virem da partilha de episódios por parte das mulheres que integravam a equipa e produção da série.

Nos filmes, em especial no segundo, o realismo e a identificação com a história não interessa. Assistimos apenas à versão pastelosa abarbiesada das personagens, dentro dos estereótipos e arquétipos que já toda a gente conhece, mas sem o valor acrescentado que a série lhes dava
.
Ah, que se lixe, dirão os fãs, é mais uma oportunidade para ver personagens de uma história que nós gostamos. Respeito a opinião, mas para mim é como insistir em continuar a ir comer a um restaurante que já só possui a mesma fachada, mas onde tudo lá dentro é de muito pior qualidade.

Termino referindo que espero que não venha a conversa porco elitista que só vê filmes conceituados, dá preferência a fitas europeias e desdenha do filme mais tosco a puxar à pipoca. Quando digo mal neste capítulo, tento dizê-lo devidamente informado e não pensem que é só pela temática do filme. Por exemplo, digo cobras e lagartos de boa parte dos filmes de super-heróis exactamente pelas mesmas razões. Eu lia os livros e gostava dos personagens pela sua profundidade/personalidade e nos filmes só vejo fachada e efeitos.

Por isso mesmo, quanto muito esqueçam o elitista e tratem-me por Babe.

16 comentários:

  1. Não acompanhei a série mas achei o primeiro filme bem giro... não me representa, mas é giro. Falta ver o segundo. :)

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  2. Babe,
    Concordo contigo. Tenho a série toda (cof cof) e quando vi o primeiro filme fiquei com a sensação de que era apenas mais um episódio..e mau! Não vi o segundo filme e nem sei se vou ver...

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  3. Mak, babe, tás lá. Estás tão lá que te vou linkar no meu blog.

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  4. Babe,

    Adormeci (literalmente) a meio do filme. Enough?

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  5. Inteiramente de acordo quanto ao segundo filme. O primeiro, nao sendo tão bom como a série, tem a mesma essência.
    No 2.º as personagens parecem as suas próprias caricaturas.

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  6. Hi there babe.

    Sabes do que falas... sim senhor muito bem. Boa an]alise da s]erie.

    E gostei do esmiu;amento do filme.

    Ainda n\ao vi o segundo. Mas tamb]em n\ao tenho grande pressa.

    Bye bye babe.

    C ya around{

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  7. Tchiiii que tou com os acentos todos f@did's!

    Olha que porra! >~

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  8. E se fizermos o pino sobre esta (tão bem construída e construtiva) crítica, para ver que o contrário seria impossível?
    Assim como o prazer de cada vinheta do Astérix ou do Iron Man não pode ser somado parcela a parcela e condensado num filme, porque, lá está, é da iteratividade e da morosidade que cresce a familiaridade e a identificação com as personagens e situações, também não se ambicionará esperar que de um filme S&C possa vir algo mais do que um reflexo ténue, à distância de espectador, do ambiente intimista que a série criou.
    Qualquer intuito que disso se aproximasse, reduziria o "filme" a um episódio não digno de 5Euros sem pipoca e receberia as mesmíssimas críticas que o "Simpsons, The Movie" ou outros que tais.
    Dormir, sim, comer pipoca, sim, lavar a vistinha, sim, dar umas gargalhadas saudosas, sim e sim. Ter expectativas é que não.

    Babe!

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  9. FI-NAL-MEN-TE, alguem que me compreende. FI-NAL-MEN-TE!

    AMEN!

    (Foda-se! Um grande bem haja!)

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  10. fuck, que mau timing o meu! acabei de chegar de um jantar de amigAs que acabou com um: "próximo programa de gajas: amanha vamos assistir juntas ao novo sexo e a cidade" (...) espero que o molho da francesinha sirva de desculpa para a dor de barriga que se adivinha para amanhã, exactamente na hora do cinema

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  11. @ S* - Não tendo a série como comparativo, o ponto de partida é outro... (e, cá para mim, o resultado tanto pode ser melhor como pior).

    @ Pipoca - A série em DVD dá-te tosse portanto :p Vê o segundo em cassete pirata, só para descargo de consciência que chega e sobra.

    @ Blueblue - Tão lá, tipo em Abu Dhabi? ;)

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  12. @ Pólo - Isso, retempera-te com um soninho de beleza que foi para isso que estes filmes foram feitos.

    @ Cuca - Não transformando isto no fórum de debate do tema, no primeiro creio que é o argumento que é essencialmente mau, mesmo em relação à série, mas a dinâmica das personagens é ligeiramente melhor.

    @ Ginger - Muito bem, ponto assente. Ou, no teu caso, não ponhas acentos que serve.

    @ Wiwia - Como diria o gajo do talho da minha rua, vamos por partes:

    - A expectativa, no caso do S&C, já existe a partir do momento em que se anuncia o filme. Não existe é do ponto de vista da qualidade de argumento e construção da história, tal como dizes, como se fosse um episódio. Nem obviamente seria possível fazê-lo na duração de um filme.
    Mas, respeitando aquilo que se construiu, podia ser uma versão light bem estruturada e não o é. Porque é apenas uma máquina de dinheiro a funcionar. Se já é verdade que "sex sells", também o "sex&city sells" não lhe fica atrás.

    - Em relação aos super-heróis, ui, isso dá um lençol. Centrando-me na Marvel, que me diz mais alguma coisa, grande parte dos personagens que tem sido passada para filmes tem também para aí 60 anos de história and so on. Pela tecnologia actual, seria impossível que não fossem filmes de acção (o Ang Lee tem uma versão mais psicótica do Hulk e a coisa não resultou).
    Agora, é possível uma solução de compromisso entre a multi-dimensionalidade que um personagem tem e o que o filme vai transmitir. Os filmes dos X-Men ainda são para aí os mais fidedignos em termos de ligação BD-filme e ainda assim têm facadas que se devem à tal parte que é preciso suprimir para tornar um filme viável. O Iron Man tem o universo do personagem representado, mas depois as histórias são "desviadas" para se poder explorar o lado visual.
    Para acabar, sobre Quarteto Fantástico e Daredevil nem falo. Este último devia garantir o apedrejamento até à morte do Ben Affleck e a Jennifer Garner.
    Noutra onda, o Sin City não é profundo sobre os personagens, mas é um bom "postal" da BD.

    E vi todos estes filmes sem expectativas, acredita.

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  13. @ SN - (Mak faz uma vénia e sai do palco)

    @ Cassie - Vai sem medos e depois lança as culpas noutra jovem do grupo. Garanto-te que o entretenimento que o filme pode não dar fica assim garantido.

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  14. @Mak - (tiro o chapéu e porque já estou atrasada digo:)

    Qq motivo é um bom motivo para apedrejar o Affleck.

    ;)

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  15. Eu gostei de ambos os filmes, apesar de ter que concordar contigo e saber que não tinham grande conteúdo.
    Vi a série toda, mas até à 4ª temporada é de facto uma seca, pois tudo decorre com as lamúrias, inseguranças e infedelidades de Carrie. Isso chega a cansar. É de todas a personagem que menos admiro. Todas as outras três são determinadas e lutam por aquilo que querem (sejam coisas positivas ou negativas), agora Carrie não! Passa a vida na indecisão, não sabe o que quer, enfim! Até quando Aidan lhe pediu em casamento! É uma personagem a meu ver um tanto ou quanto ridicula!

    Vejam o nosso blog: www.viagensdocasaldubaveli.blogspot.com

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  16. O que me enerva no geral em hollywood é a falta de imaginação e em cima disso tratarem tudo com aquele à vontade... Sejam séries ou bd ou literatura, tudo que passa por lá sai maltratado. Resta saber o quanto. Agora a culpa é principalmente de quem a alimenta a máquina de reciclagem. Não é que eu não veja filmes de lá, mas não sou masoquista ao ponto de me sentir obrigado a ver um filme que vai maltratar alguma coisa pela qual tenho apreço.

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