29.6.10

Dizer tudo sem palavras

Não era fácil ficar sem palavras. Primeiro, porque sabia muitas, depois porque quando não sabia, inventava. Não era à toa que o título de campeão da metáfora, senhor do eufemismo e mestre do trocadilho lhe assentava quem uma luva branca que faria o Michael Jackson corar de inveja se não estivesse morto e, se ainda estivesse vivo, ainda tivesse a capacidade de corar.

Por isso, foi com grande surpresa que, ao colocarem-lhe aquela pequena caixa de cartão na mão, não ouviram nada. Sem uma piada, um toque de parlapié, dois dedos de conversa ou algo semelhante limitou-se a abrir a caixa nervosamente.

Ao abri-la, um sorriso, meio de espanto, meio de susto, se é que possível sorrir de susto. O que se passou a seguir foi inenarrável, essencialmente porque isto foi tudo o que conseguiu dizer:

" ´ , ? ´ ? ~ , . - ´ ´ … ~ ` , - , ? ´ , ´ ´ .

´ ? , ´ ´ ´ , ."

As palavras estavam todas lá, com a diferença que ele não as conseguia colocar de outra maneira. E, estranhamente, nunca fez tanto sentido.

6 comentários:

  1. Mak... espero que tenhas gostado então...

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  2. Será que está na altura de dizer - parabéns?

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  3. Nada de parabéns, o Mak é gajo para só celebrar aniversários na torreira do Verão, para as pessoas ficarem todas derretidas na ocasião...

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  4. Hum... ficaste arrebatado, portanto. Resta saber quais eram as palavras...

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  5. Nota da redacção - É um pressuposto errado assumir que tudo o que por aqui é publicado é relato na primeira pessoa.

    Também é um pressuposto errado assumir exactamente o contrário.

    O pressuposto mais certo talvez seja não assumir nada, mas continuar a comer os legumes todos, pelo sim, pelo não.

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