15.6.10

Azorte do caraças



Já que se vai falando de fitas, na minha opinião (que é bem mais modesta do que eu), esta é uma abertura excepcional para um filme do tio Woody que ainda se torna melhor por ser fora do registo que lhe é mais habitual. Sem tiques lírico-expressionistas de “Ah, isto é a história da minha vida” ou “Que grandes verdades nos transmite” ou “A subtileza das palavras toca-nos na alma por nos dizerem muito mais do que aquilo que significam”.
É mesmo só pelo facto de ser mesmo boa (melhor que a Scarlett e tudo) e fazer aquilo que é suposto a cena de abertura fazer num grande filme – agarrar-te à cadeira desde o primeiro segundo.

Agora que os sentimentalistas já estão todos de beicinho por não ter começado a divagar sobre a maneira como a sorte e o azar moldam as nossas vidas e de como, naquela noite chuvosa de Inverno, se eu não tivesse dito “Foi o destino que nos uniu, mas vai ser aquele eléctrico que lá vem que nos vai separar, até porque ainda tenho que ir entregar umas cassetes”, hoje em dia podia estar no mesmo sítio, mas com bigode.

Há quem acredite na sorte e no azar, há quem diga que a culpa é do Governo. A mim basta-me acreditar que existe um certo grau de aleatoriedade em factores que podem influenciar a nossa vida. Depois, depende de cada um, em termos da importância que lhe vão atribuir e o tempero fatalista que pretendam adicionar à salada que é a vossa vida. Isto sem vos chamar vegetais.

Sem vir para aqui dar uma de filósofo do mundo virtual, associo sempre as pessoas que atribuem demasiada importância à sorte e ao azar a um episódio que se passou num determinado jogo de basket da minha carreira.
Com poucos segundos para acabar um jogo crucial, um tipo da minha equipa vai isolado para marcar o cesto da vitória. Lança, a bola faz um efeito estranho e vê-se que não vai entrar. O tipo ajoelha-se e deita as mãos à cabeça, culpando os deuses, alheando-se do facto da bola ter ressaltado e ficado mesmo ao seu lado. Podia ter feito um novo lançamento, ainda em boas condições e tudo poderia ser diferente. Não o fez e os míseros segundos esgotaram-se. Perdemos.

No próximo capítulo poderia falar sobre retribuição divina que, no caso do episódio que vos acabei de relatar, pode ter-se manifestado no facto desse mesmo tipo ter sido pisado na cara num jogo dessa mesma época lá mais para a frente.

7 comentários:

  1. Eu sou daquelas que acredita que existe sorte e azar... mas acredita ainda mais no esforço e na persistência.

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  2. Ou a bola não avança, e no fim do jogo, vai-se a ver e ganhas na mesma... e isso não é sorte, nem azar, é karma.
    And karma's a bitch!

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  3. O Boy George dizia que o karma era um camaleão, mas cabra também se aceita.

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  4. passei no teu blog na perspectiva de descontrair, de fazer uma pausa no trabalho de Criatividade que estou a fazer! Mas foi em vão. É que, curiosamente, as últimas palavras que escrevi no tal trabalho foram: ".. do ponto de vista de Louis Pasteur, que afirmava que “o acaso só favorece a mente preparada” (...)

    Bem, revendo agora o fabuloso início do mach point (love it!) e depois de toda a análise crítica acerca de um pensamento convergente e divergente, criatividade e blabla ... acho que fico com a ideia de que o "i'd rather be lucky than good", é sem dúvida, um pensamento inteligente e oportuno. Mas, há aqui uma mix entre a sorte e a "mente preparada" para a receber!
    O mesmo "pozinho de perlimpimpim" em duas pessoas diferentes, pode dar resultados completamente diferentes (!)

    (não sei, acho que preciso de mais um café!) De qualquer forma, "i'd rather be lucky than good" desde que me mantenha persistente e esforçada, tal como disse a S*

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  5. Eu é ao contrário, faço pausas no trabalho de estiva, para vir aqui dar largas à criatividade.

    Mas, o melhor do melhor, nesse prisma, é ser bom a ter sorte...

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  6. Probabilidades, chama-lhe a física quântica. Tudo são probabilidades, tudo pode acontecer. Mas só uma é que acontece: a que escolhemos. Se lhe pomos ganas e energia e coração e crença, escolhemos a melhor. Se temos dúvidas, receios, se não acreditamos com as vísceras, se a energia não está 100% lá, estamos a escolher a pior.

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  7. soa-me sempre a desculpas e nada mais.

    Há que fazer e não tentar fazer.
    Enfim,... dar a culpa aos outros é sempre mais fácil. Sempre foi e sempre será.

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