27.5.10

Rói-te de inveja Perna de pau


Sem pensar muito posso dizer que, possivelmente, o mais perto que estive de uma relação homossexual foi com um tipo deficiente de barba, ainda assim viril e com um pacote que sempre me atraiu. Refiro-me, é claro, ao Perna de Pau e não tenho vergonha em dizer que o tenho andado a comer ao longo dos anos e que me tem sabido bem. A ele também não lhe deve ter feito mal, já que continua com o mesmo ar desde que o conheci.

A verdade é que, desde Terça à noite, quis o destino que eu soubesse o que é ser um Perna de pau. Não por ter passado a ser alvo do afecto de um marmanjão com a mania que é engraçado, mas por ter levado uma real biqueirada entre os gémeos e o tendão de Aquiles.
Haviam de ver o estado da bota responsável por tal acto traiçoeiro. Pelo que sei, ficou em estado de choque, recusa-se a ser calçada de novo e já se tentou enforcar com os atacadores. As botas de basket são, de facto, umas mariquinhas de primeira.

A verdade é que a minha condição de coxo, me tem permitido ver o mundo noutra perspectiva. Uma perspectiva essencialmente lenta e vagarosa. Ainda hoje, nos 50 metros que separavam a paragem do BUS do burgo em que exerço o meu mester, fui ultrapassado por um idoso de andarilho, dois cegos a fazer moonwalk e por uma simpática estátua de um militar condecorado, que ainda teve tempo de recolher um Destak.

No entanto, o verdadeiro regabofe é no local de trabalho. Já se sabe, um deficiente, tal como um bom decote, um bêbado, alguém de novo ou alguém despedido, são sempre bons alvos para conversa de corredor, bitaite de ocasião e graçola de trazer por casa.

Durante os últimos dias, em poucas linhas, ouvi tipo: “Então, ontem conheceste um empreiteiro e ele deu-te um andar novo?”, “Então Mak, andas a dormir ou és sonâmbulo?”, “Se o Mak precisar, alguém lhe dê uma perninha se faz favor”, “Então, ela pediu-te para seres o seu Perna de pau?”, “Ó Mak, este projecto, ao contrário de ti, tem pernas para andar”, “Mak, são 10.30, podes ir andando para o almoço que quando sairmos à uma apanhamos-te na recepção” ou “Se eu der um abracinho ao Mak vai parecer que estou no Natal dos Hospitais?”.

Traço geral, as minhas respostas não são replicáveis neste espaço, até porque sei que os “Super Miúdos” retiram daqui muita inspiração para enfrentarem adultos gananciosos.

Por isso, caro Perna, bem te podes roer meu pirata, que eu não preciso de me andar aí a vender por tuta e meia e a ser comido por quem calha para andar nas bocas do mundo. Basta-me continuar a ser parvo o suficiente para não desistir de me armar em artista do desporto mundial.

12 comentários:

  1. Aqui entre nós: as piadas deles, algumas, sao boas.

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  2. Suponho que o idoso de andarilho, os dois cegos a fazer moonwalk e a estátua do militar conseguiram apanhar o autocarro.
    E tu não...

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  3. Há sempre o desporto adaptado ;)

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  4. Pelo menos podes estacionar o carro no lugar dos deficientes e, se forres de autoccarro, certamente terás uma alminha que te cede o lugar (ou não!!)!

    Como vês, até és um rapaz com sorte! :)

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  5. Oh Mak, agora já consegues praticar o kanguru perneta?!?

    Natal dos hospitais... LOLOL

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  6. Deves ter colegas muito engraçadinhos que isso teve montes de piada. :P

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  7. Não deve estar assim tão mau, se nem te lançaram a piada das canadianas...;)

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  8. Por que é que não pedes ajuda ao Super Maxi? Os cães costumam correr bastante e sempre te pode ir buscar as folhas à impressora.

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  9. Canadianas nem vale a pena. Eu queria lá andar com a Celine Dion e a Alanis Morrissette à perna...

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  10. Mas se fosse a Evangeline Lilly e a Elisha Cuthbert, já não dizias que não..;)

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  11. A parte boa é que podes aproveitar para competir com mentirosos e ganhar pela certa.

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  12. Perna de Pau? E eu a pensar que eras mais do estilo Super MAKsi...

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