6.5.10

O Inferno terá bar aberto?

Depois de pela manhã termos ido pelo estômago e pelos mistérios do buffet livre, é justo que ao final do dia passemos pelo fígado e pelos desígnios do bar aberto. Embora a questão metafísica do título não procure uma resposta exacta, não será demais afirmar que o bar aberto tem, pelo menos, esplanada com vista para o quinto dos Infernos.

Por mais episódios de bar aberto que se contem, dos memoráveis aos de blackout, dos narráveis aos hardcore e por aínda em diante, haverá sempre quem avance destemido perante a possibilidade de poder beber uns copos valentes tendo apenas como limite o seu discernimento. E, já sabe, o discernimento é algo que se afoga muito facilmente.

A bem da ciência já emborquei que nem um leão, sem nunca perder a consciência, nem sequer ter ido por caminhos gregorianos. Creio que é uma missão que me foi confiada, para que nunca me fosse tirada a oportunidade de recontar os eventos à minha volta. Eis alguns dos resultados de bares abertos a que assisti e posso relatar sem medo de represálias:

- Casal jovem tenta recuperar das suas divergências em festa com bar aberto. Há uma fonte grande porte na zona. Ela cai lá dentro, ele atira-se a pensar que a vai salvar. Ela sai sozinha. Ele fica lá dentro. Visto que não a salvou, pensa que cantar êxitos musicais a boiar de costas é a melhor alternativa possível.

- Artista algo maniento abusa da bebida e, já em mau estado no WC, diz que lhe apetece dormir. Dois amigos, temendo um coma alcóolico acham que é boa ideia dar-lhe umas chapadas para isso não acontecer. Dois amigos podem ter-se entusiasmado no seu esforço EResco. Artista acorda com a cara dorida, uma face ligeiramente arroxeada e sem lembrança do acontecimento. Amigos culpam queda junto a lavatório.

- Em festa empresarial, casal não oficial acha que é altura de aprofundarem lições de anatomia. Deveras enfrascados, optam por fazê-lo no autocarro que irá levar todo o pessoal de volta. São surpreendidos por um cortejo alcoolizado dez minutos depois, com direito a palmas e pedidos de bis.

- Indivíduo, já enfrascado, aborda elemento dos Excesso de seu nome Duck. Como já veio de outra festa aviado não tem pejo em dar-lhe recomendações de carreira. “Tu até cantas bem, mas os outros gajos estão-te a arrastar para o fundo”. Não contente, esse mesmo indivíduo acaba a noite a teimar com um taxista de Mem Martins sobre o conceito “retorno em vazio”. Os restantes elementos salvam-no de acabar a noite a levar porrada.

- Durante festa na praia, um gajo adormece nos puffs. Várias pessoas consideram uma decisão sensata cobri-lo com outros 20 puffs que estão à volta, ainda consideravelmente pesados. No fim da festa, a caminho de casa alguém se lembra que ninguém tirou o gajo dos puffs. Voltam para trás e ainda lá está. No dia seguinte jura que estava atento a tudo.

- Num evento num barco, junto a Tróia, o barco fica ancorado a 100 metros da praia. O álcool, esse há muito que tinha largado amarras. Há quem vá a nado, há quem vá de kayak, há quem vá de barco a remos até à costa. Dois jovens destemidos num kayak, tentando bater o recorde do mundo em kayak-vodka vêem um vulto a nadar na direcção contrária à praia. Vão ter com ele e este, completamente grogue, jura estar a chegar à areia. Depois de o conseguirem fazer agarrar ao kayak, notam que sangra abundantemente do braço. Quando questionado, jovem diz que ao nadar foi contra o barco, mas só porque este se mexeu. Durante o percurso até terra, jovem canta êxitos da música cigana.

E isto minha gente, como diria o comandante do Titanic, é só a ponta do iceberg.

6 comentários:

  1. Só sei que o bar aberto por vezes é um inferno para muita gente. Para outras é o paraíso.

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  2. Fizeste isso tudo sozinho?

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  3. Quando falo de mim na 3a pessoa, por norma assinalo-o devidamente. Assim por alto, diria que estive presente em todos os episódios com lugar VIP, mas não tendo um papel principal.

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  4. Também tenho um engraçado:

    - Ela na janela, qual donzela rapunzel, ele em baixo aguardando que ela lhe lance as chaves do carro. Elemento alcoolizado atira-se de corrida, lança-se no ar no momento em que ela atira as chaves, e desata a fugir com elas. Perseguição inicia-se e tudo acaba mais ou menos bem...

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  5. Costumo mandar à fava, as pessoas que não bebem e no dia seguinte fazem questão de assinalar aos participantes de um qualquer bar aberto, quantos macacos é que tiraram da narina esquerda, na noite anterior! ;)

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