6.5.10

O fascínio do buffet livre


Há que assumir sem medos e de talheres em punho – somos um povo que gosta de comer e, especialmente, comer bem. E é na expressão “comer bem” que começam os problemas. Existem minorias que defendem que comer bem é ter uma alimentação saudável, outras são defensoras que comer bem é ir a restaurante caros ou recomendados em revistas e há ainda quem advogue que comer bem é ter no prato uma obra de arte.

Como disse, são minorias.

Há uma imensa maioria que tem de “comer bem” um desígnio básico que tem 30% de qualidade e 70% de quantidade. É o chamado síndrome do alarve latente. Se quando caminhamos para o Norte de Portugal reparamos que já de base as doses têm outro porte atlético, possivelmente por razões culturais e históricas, em Lisboa a míngua capitalista, que só alguns redutos típicos lhe vão resistindo, as ferramentas pós modernas trouxeram outra moda.

O buffet livre, também disponível na variante rodízio. Bastam estas palavras, ditas antes de um almoço ou jantar, para se verem brilhar olhinhos entusiastas, qual crianças à beira do Natal. Se em tempos existiram snack bars (termo em voga nos anos 80, que decaiu hoje ao nível rústico) que faziam do buffet (menos livre) a sua arma, hoje há um toque de modernidade, que seduz o alarve com pretensões gourmet.

Diz-se que não se deve ir às compras com fome, pois reduz-se a nossa racionalidade na escolha. O mesmo se aplica na escolha do local de refeição.
O Chimarrão, que imortalizou a frase “Maminha, sinhô?”, foi em parte percursor, com barrigadas de carne, banana, arroz e feijão. Dose para lenhadores carnívoros e amantes do axé e samba do prato. Mas, embora aplacasse a ira do deus da alarvidade que vive em muita gente, não aplacava o alarve trendy que também gosta de ir pagar mais para comer demais.

E assim nasceu o buffet livre vegetariano (que enche, acreditem), o rodízio de massas, de pizzas, de comida indiana, de sushi (mesmo que reconvertido de chinês). Todo um nível internacional, onde o prato sempre cheio vence fronteiras e barrigas temerárias.

Enchem-se espíritos de alegria, pratos de comida e egos que comparam quantidadades comida ingerida vs preço (ex: “Epá, enfardei sushi até mais não por 11,90€”). Enquanto houver um local com buffet livre, os peregrinos da alarvidade não perderão a fé. Quando já não houver, restarão os velhos templos do cozido, da dobrada e da feijoada.

Pensem nisto. Mesmo que não concordem, estas linhas podem ajudar-vos na segunda coisa que os portugueses mais gostam de fazer quando estão à mesa (tirando dizer mal de outras pessoas) – falar de comida.

15 comentários:

  1. Entre o rodízio e o buffet livre, mil vezes o rodízio, em que pelo menos tenho um cheirinho do que seria a escravatura e me servem como a princesa que sou.

    Por mim, desde que não me ofereçam grelhada mista, está tudo muito bem.

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  2. Onde há buffet livre de comida indiana? Já estou a salivar!

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  3. Buffet livre é uma expressão me agrada, mesmo se não se estivesse aqui a falar de comida.

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  4. Nota:

    Com ou sem fome, já só têm meia hora para decidir onde vão alarvar. (isto se não saíram já a correr).

    Para princesas haverão sempre os banquetes-livres, uma espécie de rodízios, mas onde os empregados não são chico-espertos, mas sim Francisco Maria-espertos.

    Quanto a buffets indianos, não gostando eu de andar a divulgar pérolas de sabedoria, tomai - http://aeiou.escape.expresso.pt/lisboa/restaurantes/himalaia:5-321898 (é ao pé da Maternidade)

    Haverá sempre a versão líquida da coisa, no chamado bar aberto

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  5. Podemos enfardar à força toda... eis o fascínio.

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  6. Detesto buffets livres, pequenos almoços nos hoteis, rodizios e coisas do género. Por muito que coma, acho sempre que não comi suficiente e que, portanto, fui comida ...
    Não nesse sentido, no outro, P.f.f.!

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  7. Eu gosto tanto de uma opção como de outra. Claro que tenho de fazer pausas para colocar os dedos à boca.

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  8. a versão líquida agrada-me

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  9. Muito é que é fartura, diz-se na terra dos doudos.

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  10. Sushi reconvertido de chinês? 11.90€? Onde?

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  11. Não sirvo para buffets livres, rodízios, nem afins. Acabo pagando o mesmo que os outros para comer uma rodela de morcela e uma tira de toucinho. Chhuuuiiiffff!!!!

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  12. E não há nada como atolar o prato com feijão, fruta, milho, molotof, maminha, lulinhas, ...

    Nham nham... desde que faça tipo montanha é o que se quer.

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  13. Somos latinos, gostamos das coisas boas da vida, inclusive, de comer. Eu quando encontro um homem que é peniqueiro a comer já não quero saber dele para mais nada... como diz o povo, quem não presta para comer, não presta para "trabalhar"... seja qual for o sentido que se lhe queira dar :D

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