27.5.10

O dilema das meias de seda

Tinha passado horas a olhar para as malfadadas meias. Agora, já não tinha a certeza de nada. Não sabia o que pensar daquelas meias, nem sequer sabia se eram as mais indicadas para o que pretendia. No entanto, nos filmes já tinha visto grandes estrelas a usá-las com grande impacto, fazendo cenas de suster a respiração e deixando meio mundo de boca aberta ou apenas uma pessoa, quando era essa a sua intenção.

A verdade é que já duvidava um bocado da sua sanidade mental. Nunca tinha pensado em fazê-lo por dinheiro, ainda por cima com várias pessoas, mas era a isso que a sua vida tinha chegado. Ou então, a sua vida não estava assim tão mal e esse era apenas o caminho mais fácil. Só uns minutos com a consciência desligada e não tinha de se preocupar com estas dúvidas.

Passou a mão pelas meias vagarosamente. O toque sedoso e ao mesmo tempo irregular fez-lhe crescer aquela sensação de que o que ia fazer era vulgar e ordinário. O facto de estar a pensar em qual seria a sensação de uma barba a roçar nas meias também não ajudou.

Não ia haver música, diversão, muito menos abraços carinhosos. Se a coisa corresse como não queria ia ser à bruta, com algemas à mistura e marcas no seu corpo. Em silêncio abraçou-se, procurando a segurança e o amparo que ninguém lhe podia dar.

Estava na hora, suspirou e deixou-se de hesitações. De uma vez por todas ia ficar com o proveito para além da fama. Abriu a porta e pensou “Dê por onde der, não há uma toilette ideal para isto”.

Pôs a meia na cabeça antes de entrar no banco. Aquela merda prendia mesmo na barba.

9 comentários:

  1. Ia eu falar-te do Killing Me Softly mas afinal, nada a ver...

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  2. Se fosse meia de vidro se calhar não prendia. É algo a pensar da próxima vez! :p

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  3. Era mais fácil usar um gorro de ski, daqueles que só deixam os olhinhos de fora. :)

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  4. Por momentos pensei que andasses à solta no Lux Frágil.
    Menos mal, é só a vertente vilão a vir ao de cima.

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  5. Extraordinário. Parabéns!

    AP

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