14.4.10

A vida não está fácil para os malucos

Quero começar por dizer que tenho pelos malucos o maior respeito, não que para eles isso valha mais do que eu dizer que acabei de enfiar dois lápis no nariz, mas pronto fica a minha opinião.

É que ser um maluco a sério não é fácil e eu, que pratiquei maluquice federada durante algum tempo, sei do que falo. Como é que se define o ponto em que andar com umas cuecas na cabeça é maluquice? Se fores um artista do rock n’ roll e fizeres isso, és irreverente, se fores na 24 de Julho e fores contabilista, és maluco.
Se falares sozinho na rua em voz alta, a tendência é para que sejas maluco. Se tiveres um auricular...és um bocado parvo e mal intencionado, porque não tinhas nada que andar a enganar as pessoas que passam por ti e pensam que és maluco.

Neste último caso, para os tentar distinguir, costumo atirar uma beata para o chão. O que a tentar apanhar é o maluco verdadeiro. Visto que não fumo, tenho que apanhar previamente uma beata do chão para fazer o teste, o que o pode enviesar caso me vejam a fazer isso. A não ser que pensem que eu sou maluco.

A crise financeira mundial só veio agravar isto tudo, porque como bem sabemos, a sanidade mental tem um preço. Ora, se boa parte das pessoas não tem dinheiro para comprar o essencial, certamente não vão investir em coisas superficiais e daí à filiação no grupo dos malucos, vai um passeio pelo escritório vestido de lycra com um ursinho-panda debaixo do braço.

Por isso, tão piroso como o novo riquismo é o novo maluquismo. Querem ser malucos à séria? Então trabalhem e façam carreira no ramo, porque a aproveitarem-se de crises, depressões e tecnologias de trazer por casa não vão lá. E esqueçam o factor cunha, porque só se já fossem malucos é que faria sentido tentarem utilizá-lo na matéria.

Mas, se ainda assim não vos demovi e continuam desse lado a lamber o monitor na esperança de vir um dia a ser malucos de primeira, aceitem um conselho:

Não façam um blog.
Por mais maluquice que escrevam, as pessoas vão pensar sempre que são apenas divertidos.

8 comentários:

  1. Ser maluco é hoje uma questão de status. A maluquice confere-nos o direito de dizer o que nos passa pela cabeça. Por exemplo: neste momento estão-me a pedir para fazer em 24 horas algo que razoavelmente demoraria 3 dias. Há com cada maluco!
    Se fosse maluca tirava férias, como não sou vou fazer que trabalho e rezar para que hoje haja Cozido à Portuguesa para o almoço.

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  2. Ah sim, nos blogues a parvoíce é interpretada como diversão.

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  3. ó que grande merda.
    E agora? Deito fora o bloguinho?

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  4. Que grande maluco à séria!

    AP

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  5. É uma porra é o que é!

    Nem a parvoeira nos levam a sério. É quase triste, até.

    Eu ando a ler um livro intitulado "Como tornar-se um doente mental" de J.L. Pio Abreu - Editora Dom Quixote *atchooo*

    Anyways... há doenças mentais tão porreiras, que eu não me consigo decidir.
    Mas acho que vou acabar por optar pelo histrionismo.
    Parece-me bastante interessante. Pag.75

    xau*

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  6. Isto, só em malucos, é uma fortuna!

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Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.