22.4.10

Lições de vida no Salão de Jogos


Nos dias que correm, é difícil encontrar um bom salão de jogos. As consolas, em grande parte, acabaram a viabilidade desses antros em que tão bons momentos passei. Entre Playstations, Wii, PSP’s, Xbox e a Internet sobra pouco tempo para ir a um sítio mal iluminado onde a troco de dinheiro se passavam horas ou minutos de prazer agarrados a manípulos e botões (matraquilhos e snookers para os mais convencionais). Até as Mecas dos salões de jogos, que se encontravam na Feira Popular ou no Monumental Salão de Jogos, junto ao Rato, não passam de ruínas ou são agora lojas dos chineses. O que é um bocado chato para quem quer educar os jovens de hoje no sentido de que há mais diversões suspeitas para nos entretermos nos intervalos das drogas e do sexo.

Foi nos salões de jogos que aprendi a mentir sobre a idade. Foi também aí que aprendi válidas noções de economia, como o facto de ser possível almoçar com um terço do dinheiro e usar o resto para dois ou três créditos na máquina. Aí se aprendia que existiam adultos, encarregados de trocar moedas, capazes de tentar enganar adolescentes dando-lhes moedas a menos. Aprendíamos ainda que esses adultos ficavam ligeiramente melindrados ao ouvir a frase “Então c#$&$ho, faltam moedas”.

A gestão do tempo era também aí ensinada, aprendendo a ter noção que passar mais três níveis equivalia a faltar a uma aula de Filosofia a menos, pondo-nos perante o racionalismo das coisas. Ou seja, podíamos estar a jogar Cadillacs&Dinosaurs, mas não andávamos longe de Kant, Hegel e até mesmo de Kirkegaard. A boa forma física era também um incentivo, pois correr 500 metros em menos de cinco minutos era uma prova regular para não chegar depois do segundo toque.
Técnicas de persuasão psicológica também eram uma clara mais valia. Como convencer um meco com pouca experiência da oportunidade única que era participar neste jogo com apenas uma moeda, indo já no nível 5, sem que ele se apercebesse que os perto de dois minutos de participação serviriam apenas para o “Boss” do nível enfardar outro que não eu.

A troco de algumas/muitas moedas recolhi muitos ensinamentos nos salões de jogos da minha juventude. Aprendi inclusive que há até lugar para o romance nesse espaço, tem é que se saber escolher a hora.
Veja-se o exemplo do jovem que calha a passar à porta com uma rapariga ocm a qual tem alguma intimidade e esta o desafia para um jogo de snooker.
Ele sabe que aquilo é muito mal frequentado, hesita, mas não gosta quando ela lhe chama mariquinhas.
Entram, com ele a medo e ela com a confiança de quem não faz ideia no que se está a meter.
Ele vê a fauna do local e começa a pensar que é má ideia. Ela está cega pelo jogo de sedução (ou pelo menos perturbada pela luminosidade duvidosa do espaço). Há gente que grita ao fundo.
Ela pergunta ao encarregado se há alguma mesa livre. Ele tenta evitar o bafo a álcool do encarregado. O encarregado olha para ela como se fosse um Happy Meal.
Ele puxa-a para trás quando a gritaria aumenta. Ela não percebe porquê. Quando um taco de snooker se parte nas costas do encarregado, ela já percebe. O encarregado corre com outro taco para o fundo do salão. Eles correm para a saída.

Ela está em choque e grita-lhe para ele nunca mais a levar a um salão de jogos e que não volta a ir a um sítio assim. Ele pensa que foi ela que quis entrar, mas diz apenas que também nunca mais lã põe os pés.
Um deles mente.

9 comentários:

  1. Que saudades dos salões de jogos. Eu adorava aquilo, principalmente quando estava a chover cá fora e ficavamos horas perdidos nas máquinas. E quando estava sol, cá fora, ainda havia espaço para os beijinhos "inocentes"... muito bom.

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  2. Isto fez-me recordar o aquilo que o dono do salão de jogos da terra do doudos nos dizia quando ainda não tinhamos idade suficiente. Eheh

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  3. Hum porque raio os homens são tão vulneráveis a tudo o que implique gastar dinheiro em jogos parvos?

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  4. Atenção, naqueles dias ainda estava longe de ser propriamente um homem.


    Hoje já só me falta um bocadinho...

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  5. Pago uma rodada de janquizinhos fritos a quem me ganhar no Pang. Não só "rodo a máquina", como o faço com vidas extras. Foram "muitos anos a virar frangos"

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  6. Eu faço parteb daquela gente mete-nojo que tem os emuladores dos jogos todos e não só é craque na versão live-mete-a-moeda, como pousei os olhos muitas horinhas no Bomberman.

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  7. Bolas! Nunca assisti a nenhuma cena de partir tacos nas costas. Se calhar é porque ia sozinha à sala de jogos e intimidava os senhores.

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  8. Estou a ver que por aqui andam mtas "prós" do salão e do joguinho arcade.

    Só joguinhos de plataforma ou nos de porrada tb eram craques?

    Só para saber até que ponto devo ter medo...

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  9. Mak & Spencer (eu sei que a piada é farsolas, mas apeteceu-me!),

    Ao lado (sublinho, ao lado) da minha casa há um salão de jogos com máquinas de flippers, tetris, setas, snooker, putas e tráfico de droga.

    É só pedires a morada.

    Polo Norte a.k.a. sócia da Jacintinha

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