15.4.10

Clic

Por mais que ela sorrisse, depois de anos ele já não tinha vontade de rir. Lembrava-lhe a professora do Charlie Brown só que, infelizmente, conseguia perceber o que ela dizia.
Todos os dias a mesma conversa, aquela vontade de ser jovial, de se mostrar preocupada. Por mais profundidade que tentasse reflectir era sempre um espelho de superficialidade.

Sentia-se preso. Olhava para aquela mulher e lamentava o facto de algures no tempo ter perdido o comando. De ser comodista e ficar ali naquele limbo que não lhe dava satisfação alguma. Mas também, que podia ele fazer? Por mais que falasse e lhe dissesse o que pensava, ela parecia não o ouvir. Quando estavam juntos, ela tinha sempre a necessidade de trazer mais pessoas para a conversa, sempre pelas melhores razões. Pena que fossem só as dela.

Ela piscou-lhe o olho e, por um instante, ele pensou que hoje podia ser diferente, podia ser o dia em que ela lhe dizia algo que o faria acreditar que tudo voltava a ser possível. Esse instante fugiu pela janela, quando logo a seguir ela lhe começou a falar de um rancho folclórico onde havia um rapazinho sem um braço.

Ele achou que era demais. Não ia deixar que ela o tratasse assim.
Numa fúria de agora ou nunca, usou esta centelha de força para se levantar e carregar no botão, fazendo-a desaparecer.

Desta, era a sério. Não ia voltar a ver o programa da Fátima Lopes.

6 comentários:

  1. Até te chamaria parvo, mas quem leu este post até ao fim não terá grande crédito. Há pessoas que caem sempre...

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  2. Admito que caí, mas durante a leitura sempre houve algo de "há aqui qualquer coisa que na me cheira".

    Eu dantes achava a Fátima Lopes bonita... mas agora as feições agudizaram-se e ela parece o mítico herói grego Hércules.

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  3. Confesso que pensei: Oh, afinal o Mak tem coração! Mas não, já deveria saber.

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  4. ahahahah
    está fantástico

    AP

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  5. o pato ainda anda por lá? ou ja prenderam o freixo por abuso de menores?

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