21.4.10

Campeão Nacional de Bad Atituding

Ainda há pouco tempo vos falei de um tipo, campeão nacional de boring. Agora imaginem outro, isto se não estiverem muito ocupados para andarem a imaginar tipos cada vez que eu vos peço para o fazerem.

Este tipo não cresceu num bairro chique, mas também não cresceu no Cambodja. Num laivo pós-moderno infanto-juvenil, furou a orelha quando tinha 13 anos e acompanhou o acto com um penteado esquisito. Esse tipo de atitude continuou com ele ao longo da vida. O penteado, felizmente, não.

Teve diversas faltas a “vermelho” na escola e foi suspenso pelo menos três vezes. O facto de ser inteligente safou-o de problemas maiores. Preencheu, sem ajuda, um protesto em folha azul de 25 linhas quando uma professora mentiu, prejudicando-o numa nota final. Deram-lhe razão e, ainda assim, não se reconciliou com a dita senhora.

Andou uma vez à porrada por causa de uma rapariga na escola. Não foi ele que começou. Mais tarde percebeu que tinha sido um erro. A rapariga.
Guardava religiosamente as faltas que tinha para dar para o último período. Contava com o bom tempo para poder utilizá-las melhor.

No seu percurso desportivo andou mais algumas vezes metido em escaramuças. Nunca foi ele que começou. Mas não deixou os seus colegas divertirem-se sozinhos.
Deveras competitivo, houve uma vez em que os seus colegas de equipa se queixaram que ele lhes chamava mais nomes do que aos adversários. Pode ter dito a alguns dos seus treinadores o que pensava deles. Só aos que estavam a pedi-las.

Na Universidade, este indivíduo que passou mais horas nos matrecos do que em certas aulas. Marcou também o seu programa de rádio para a hora de Inglês e disse à professora que aprendia mais com as letras das músicas do que com as aulas. Um professor chamou-lhe urso. Ele gostou desse professor. Poderá ter falsificado senhas de bebidas em festas por mais do que uma vez. Poderá ter criado testas de ferro fantasiosos quando questionado sobre a origem das mesmas.
Financiou parte da sua viagem de finalistas a vender tabaco que obteve de maneira não totalmente lícita, chegando a estar ao lado da máquina de tabaco da universidade a vender maços ligeiramente mais baratos.
Venceu feirantes em processos de regateio, levando-os ao desespero.

Nalguns locais onde trabalhou, algumas pessoas confundiram a sua atitude descontraída com ingenuidade. Por norma, essas pessoas arrependeram-se disso.
Usou o facto de ter deslocado um ombro para sair do local onde mais deslocado se sentiu a trabalhar. Irritado com a falta de frontalidade nesse local, poderá ter feito a responsável chorar na altura que saiu, através de uma história de horror e miséria confeccionada a rigor para o efeito.

Pessoalmente, haveria certamente muito mais para dizer sobre este indivíduo. Mas, tal como o outro, isso só redobraria o trabalho que é fazer este tipo parecer agradavelmente cordial e com bons fundos.

5 comentários:

  1. Este tipo é tão divertido que quase que aposto que faz parte do meu clube de crochê, paricipa nas tertulias de literatura goesa e faz workshops pintura de dedais de porcelaNA. É um mimo.

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  2. Este tipo a mim parece-me do melhor.

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  3. Este tipo vai longe. Assim de repente é Special, ou Speciale.

    Mas não aposto porque afinal eu não percebo nada de tipos.

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  4. Eu, que o conheço, posso dizer que é um fartote. A fazer rendas de bilros então ninguém o pára.

    E, por falar nesses materiais, consta que terá arrombado um armário de tapeçarias na escola para poder sacar uma já feita em vez de ter que fazer tudo de raíz em Trabalhos Oficinais.

    Consta....

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  5. Na próxima reencarnação quero o sentido de humor deste tipo noutro filho dos meus pais.

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