17.3.10

A triste vida de um smilie


Liderados pelo seu famoso cabecilha, estes são apenas alguns dos inibidores de seriedade que pululam em emails, trocas de mensagens instantâneas e toda uma panóplia de meios de comunicação digital.

:)
:D :S :( :’( :P

Para aqueles que não estão ainda em êxtase pelo uso do verbo pulular, passo a explicar.

Antes de mais, tenho pela figura institucional do Smilie a maior consideração. Aliás, vendo-o ali a sorrir, apesar do rosto amarelo prenúncio de saúde débil, mantendo a sua boa disposição, sem lamúrias por não ter nem braços nem perninhas, faz-me pensar no smilie como uma espécie de Stephen Hawking do seu género, uma figura inspiradora de alegria e esperança pelo mundo inteiro.
Se não formos totalmente desprovidos de coração, é impossível não nos comovermos com uma figura careca, sem membros, sem corpo, com sinais de icterícia e que, ainda assim, sorry e diz “Be Happy”.

Chateia-me, contudo, quando por caridade ou falta de arte, começam a dar emprego à bruta ao Smilie e à sua família na área da inibição de seriedade. Ora porque se tem medo que a pessoa não perceba a ironia e lá fica um tipo guarda da passagem de nível. Ora porque se está feliz e se dá uma boa notícia que por si só não chega e oito smilies seguidos vão transmitir a real dimensão da felicidade. Ou porque não se tem pachorra para responder a umas quantas pessoas e se dá um part time a dois ou três smilies para irem continuando a conversa por nós.
Por vezes, o smilie é apenas um testa de ferro que usamos para nos livrarmos de responsabilidades. Queremos dizer das boas a alguém, mas temos medo de segundas interpretações ou retaliações. Ora, deixo ali o smilie no fim a guardar a frase e ninguém vai desconfiar que lhe estou a chamar filho de uma meretriz na sua versão mais curta.

Antigamente, dizia-se “É Carnaval, ninguém leva a mal”. Agora será mais “Tem smilie, ninguém leva a mal”. Vá Smilie, não te acanhes, mostra o meu desagrado em relação a esta matéria.

:(

Da minha parte, é certo que já pequei na matéria. Mas prefiro atirar a primeira pedra do que levar com ela.

6 comentários:

  1. nao sei se percebi este post :D

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  2. Fizeste-me lembrar da brilhante cena do apedrejamento n' "A vida de Brian".
    =D

    ;)

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  3. Não sendo eu um futurologista de renome, porque raio é que adivinhei que esta caixa de comentários ia parecer o Aquário Vasco da Gama dos smilies...

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