18.3.10

Se eu tivesse uma irmã mais velha

Queria que ela fosse um bocado mais velha. Onze anos mais velha era capaz de chegar. Assim, iria desaparecer um bocado aquela tendência dos irmãos mais velhos para afinfar nos mais novos e, sendo mulher, seria provável que assumisse um papel protector e educativo.

Como sou picuínhas, não queria uma irmã qualquer, queria material de qualidade, culta, poliglota, inteligente e com bom gosto (especialmente no que toca a irmãos). Que me estimulasse o gosto pela leitura desde cedo, que me fosse ensinando a escrever e a falar inglês, não por imposição, mas de modo natural. Que, apesar de alguns tormentos, me desse a conhecer muitos estilos musicais e um background polifónico alternativo dos anos 80, que ainda hoje surpreende muita gente.

Mas, não queria que se ficasse por isso, porque irmãs dessas há aí a pontapé. Queria que fosse uma irmã mais velha irreverente, que dominasse o Bairro Alto quando ele ainda era pequenino, que tivesse veia artística, que gostasse de viajar para longe de destinos e lugares comuns.

E, se tivesse uma irmã assim, ao fim de algum tempo não me ia surpreender se ela, pela sua maneira de ser, incutisse em mim uma série de valores que crescessem comigo até a uma altura em que eu já seria um bocado maior do que ela.
Uma irmã mais velha, nesse estilo, não me importava. Porque de certeza que me ia levar aos meus primeiros concertos, não ligaria puto a futebol, mas veria atentamente cadernetas de cromos da bola em conjunto, estaria comigo no dia em que me passasse pela cabeça furar a orelha ou iríamos até juntos a Londres quando eu ainda nem sequer fosse maior de idade.

Resumindo, seria aceitável ter uma irmã assim. Porque apesar da diferença de idades, seríamos sempre próximos mesmo que, por moldes de feitio, pudéssemos por vezes parecer distantes. Seríamos diferentes, mas ninguém poderia dizer que não éramos irmãos.

E, conforme crescesse, possivelmente nem sempre seria capaz de demonstrar a minha reverência e estima por ela da forma mais apropriada. Porque há coisas que nem as irmãs mais velhas moldam na nossa personalidade. Mas acreditaria que ela soubesse, porque eu também o sei.

Quisesse a genética familiar que eu tivesse uma irmã assim e estaria agora a jantar com ela e termos como “Mô” ou “Verme fariam sentido em dia de aniversário. E ela nem sonharia que, por causa dela, o seu irmão mais novo teria escrito um post do mais lamechas que há, coisa que até lhe arrepia os cabelos.

Ainda bem que eu não tenho uma irmã assim, senão ainda pensavam que este post todo sentimentalão tinha alguma coisa a ver comigo.

18 comentários:

  1. É mesmo pena que não tenhas uma irmã assim... tens queda para irmão mais novo :P

    ResponderEliminar
  2. Hum...

    conheço 2 irmãs mais velhas que coincidem perfeitamente com a tua descrição,mas conheço também uma irmã mais nova ,um primo e um ex-namorado que também cabem na tua descrição.


    :):):)

    ResponderEliminar
  3. Espero que o meu post sobre a criancinha não tenha despertado o Mak, o fófinho, que há em ti.
    By the way, a tua irmã mais velha ia adorar ler estas linhas. Dá-lhe lá o endereço do pasquim.
    Beijo

    ResponderEliminar
  4. Será que não tens mesmo? Se calhar estás é a descrever a tua maninha:-) Confessa lá! Bj:-)

    ResponderEliminar
  5. Olha ele tão fofinho e lamechas! :D
    Tens que mudar o nick para Mak, o bom lamechas.

    ResponderEliminar
  6. Sem dúvida o post mais gay que já li no teu blog!

    ResponderEliminar
  7. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  8. Pronto, já deixei de tomar a medicação, já passou.

    ResponderEliminar
  9. Bom dia.
    O meu nome Joana Aguiar e sou aluna de Doutoramento em Sociolinguística na Universidade do Minho. A minha tese intitula-se: "Mecanismos de conexão frásica: a importância dos factores externos" e visa observar de que forma os factores idade, escolaridade e género influenciam a utilização de estruturas de coordenação e subordinação em textos escritos. Para tal, estou a recolher alguns textos da blogosfera e preciso da sua autorização para utilizar os seguintes textos da autoria de Mak, o Mau:
    Se eu tivesse uma irmã mais velha
    Histórias de cuspo em horário escolar
    Tirem-me as aspas da cabeça

    O objectivo é codificar cada oração para, em conjunto com outros textos, fazer uma análise sociolinguística, não é analisar a capacidade de escrita, nem o conteúdo. Os textos foram escolhidos pela sua extensão e não serão publicados na íntegra. As referências a nomes próprios e locais serão omitidas. No caso de permitir a sua utilização, pedia-lhe, também, que me confirmassem os seguintes dados:
    Sexo: masculino
    Intervalo etário: 12-15/ 15-19/20- 45 anos/
    Habilitações literárias: Ensino básico / Secundário/ Superior
    Muito obrigada e parabéns pelo excelente blogue,
    Joana Aguiar
    sociolinguisticando.blogspot.com / ijoana.aguiar@gmail.com

    ResponderEliminar
  10. Ó Joana Aguiar, e se a Mak for do género feminino, estiver para lá do intervalo etário e aquém das habilitações literárias?

    (Epá e se eu gostei deste post quer dizer que também sou larilas?...)

    ResponderEliminar
  11. se for do sexo feminino e tiver mais do que 45 anos (aquém ou além das habilitações literárias) também pode entrar no estudo (larilas ou não);)

    ResponderEliminar
  12. Bem, sempre tive a certeza que um dia iria acabar como cobaia de qualquer coisa...

    Atente ao seu email, cara Joana Aguiar.

    ResponderEliminar
  13. Estou chateada! Ó Joana, olhe que eu também sou destramelhada e você não me quis estudar... Amuei.

    ResponderEliminar
  14. Olá Pólo Norte! Não fique chateada comigo. Vou já espreitar o seu blog e vou encontrar certamente material para estudo ;)

    ResponderEliminar
  15. O que vale meter um ar de psicóloga amuada... Ahhh.

    ResponderEliminar
  16. Ah, que bonito é ver que sou um viveiro colaboracionista ao nível linguístico...

    ResponderEliminar
  17. olha que coisa mais querida que o miúdo escreveu, pá. Eu cá também sou uma irmã mais velha fixe, mas com a parte de afinfar no mais novo. (não são 11 anos, são sete, deve ser por isso)

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.