29.3.10

Estar na mesma é bom?

Contava outro dia quantos amigos a sério guardei eu da universidade. Apesar de nunca ter sofrido nenhum acidente ao manusear fogo de artifício, verifiquei que não precisava dos dedos todos das mãos. Não me surpreendeu, até porque eu sou daqueles que faz uma distinção entre conhecidos e amigos e se tivesse incluído os primeiros, ia precisar de uma resma de mãozinhas para os enunciar.

Assim sendo, dei por mim este fim de semana com parte desse núcleo de amigos, num daqueles jantares em que é legítimo falar de boca cheia enquanto se desbaratam as alarvidades do tempo em que éramos crianças maiores de idade, com os benefícios de álcool, sexo e desvario que tal facto acarretou. Até aí, tudo normal, tão normal como a afirmação de uma cara senhora (creio que já se pode chamá-la assim sem levar dois murros) que já não via há algum tempo, que me diz:

“Ah Mak, tu estás igualzinho ao que eras”.

Venha mais um copo, brinde-se a isso mas, depois de recuperar do acerto horário, fiquei a pensar – será realmente bom estar na mesma?
Fiz uma auto análise; do ponto de vista físico não me parece mau. Mantive a higiene pessoal em níveis não comprometedores e não sofro do síndrome tradicional que tende a afectar gente que não se vê há algum tempo, o gene “gordo, careca e com ar acabado”. Também não possuo carteira profissional de “casado/divorciado com prole acoplada”, o que pode retirar margem de manobra para inovar em histórias familiares com partos e crianças a bolsar.

Resta o resto – o miúdo de resposta pronta, trocadilho instantâneo, piadista, sempre com uma história para contar e para animar nos bons e maus momentos. A maturidade que exista (e, para meu bem, é bom que exista) convive com esta faceta mas fica sossegadinha a ver a performance do artista.

Vá lá, já tenho noção disso, deixa lá ver se os outros o conseguem. Senão depois acontece como no dia em que fui dar uma espécie de aula à minha universidade e tive um professor meu a assistir que me disse “Epá, o Mak está na mesma, essa barba de três dias e alguns cabelos brancos é que ajudam a dar outra credibilidade às suas palavras”.

Palhaço. E isto, possivelmente, aplica-se aos dois.

2 comentários:

  1. É para não ouvir histórias de partos e crianças a bolsar que não vou a esses jantares. A mim também me dizem que estou na mesma, deste os 17, o que confesso que me deixa um tanto ao quanto preocupada...

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  2. Eu não estou na mesma e ainda bem, era um pauzinho de virar tripas, sem curvinhas nenhumas e agora, pau de virar tripas na mesma, mas já aparece qq coisa lol!
    Até agora tenho gostado disto da idade!

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