11.3.10

Era una viez en el Mexico


Já me perguntaram várias vezes se não tenho histórias de viagens. Ora eu, que tenho dificuldade em responder seriamente a certas perguntas, sinto-me sempre tentado a falar sobre o meu périplo por Fernão Ferro, as minhas deambulações por Linda-a-Pastora ou de incursões nocturnas por Santo António dos Cavaleiros.

No entanto, creio que os episódios aí passados seriam tão exóticos que poucos acreditariam em tais feitos. Como também não gosto de dar aquele ar de pseudo-aventureiro- destemido-ainda-assim-intelectual, não me ponho a falar de escaladas do Atlas, dos mistérios da Patagónia e Machu Picchu, do outback australiano ou dos macaquinhos do Bangladesh. Até porque a minha disponibilidade para mentir não é assim tão viajada.

Contudo, entre os países que já tiveram o orgulho de me receber, dá-me um certo gozo falar no México. Primeiro porque vos posso dizer que vos escrevo usando apenas um poncho e um fausto bigode, sem vos deixar escandalizados. Segundo, porque foi uma viagem de finalistas e só isso garante um imaginário de deboche em que tudo o que disser pode passar por verdade.

Todavia (e começo assim um terceiro parágrafo usando sinónimos), vou fazê-lo apenas em 200 palavras, tudo de seguida e não necessariamente por ordem. Assim, não só vos fertilizo a imaginação, como me poupo a figuras tristes pouco condizentes com uma figura do meu gabarito.

Então cá vai:

Cancun via Madrid, 10 horas autocarro, mais 7 avião, calor que até apita. Hotel requinte, fruta descascada, miudas idem. Água, álcool, quente, transparente, à grande ou com gelo. Tartarugas, golfinhos, parques aquáticos, ilhas das mulheres, giras, sim com o álcool giras, mas se não tens cuidado marchas. Maravilha, sim também há, e das 7 Chichen Itza, olha eu na pirâmide maia, olha eu a acordar na praia. Sobremiesa? No comprendo. Embrujo? Isso é feitiço, pede lá o embrulho. Regatear? Fixe, el aldrabon de Lisboa rula. Disco dancing, si, si soy português, yes, yes, i’m american. No, no, no tattoo for me. Vou para o quarto, qué isto na cama? Ops desculpa, já volto, acordar na piscina. Cidade colonial, ah isto é o México, pois Cancun não, é plástico. Ajuda a família maia, sorri, nem tudo é regabofe, última noite, sim é regabofe. Tequilha sunrise, sunshine, late night mariachis, malta a nadar pelada. Ui, não pago pay per views marotos. Ah, é à borla, então deixa lá ver se aquilo é humanamente possível. Foi do camarão, não foi do álcool, ai alguém tem comprimidos. 7 horas avião mais 10 de bus. Foi bom filho? Ah, foi porreiro, tens para aí comprimidos?

3 comentários:

  1. Mas que coisa divertida, realmente...

    ResponderEliminar
  2. Devo dizer que já me arrancaste umas belas gargalhadas.

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.