30.3.10

Chamadas da tanga

Tempos houve em que, na casa de um amigo meu dado a engenhocas, jovens imberbes e algo idiotas se dedicavam a fazer chamadas aleatórias usando o telefone fixo, gravando o resultado das mesmas em belas cassetes audio.

Como é óbvio, o tino era pouco e, desde convites ao último senhor da lista para aderir a uma promoção em que passaria a ser o antepenúltimo por apenas cem escudos (sim, a rapaziada ainda brincava com o câmbio antigo) até a chamadas posteriores para o penúltimo dizendo que agora era o último e por aí em diante, assim se passavam horas de diversão.

No entanto, havia sempre a tentação de ir mais longe. típica de miúdos que acham que o limite de uma piada é...bem, na realidade acham que não há limites para uma piada. Sendo assim, depois de uma luta para ver quem fazia a próxima chamada, em que perdi apenas porque enfiar dedos nos olhos não valia e fui eu o único que cumpri essa regra, um outro amigo achou que estava na hora de passar ao próximo nível.

Escolhida uma senhora, já não me lembro bem porquê, eis a dica do engraçadinho:

"Olhe, bom dia, fala da casa de p#tas?"

"É sim, mas olhe que está com azar"

"Então porquê" A risota era abafada na sala e a cassete gravava este momento épico.

"Porque a tua mãe já saiu e agora se calhar só a encontras na rua" A voz era calma, assertiva e, como se diz na gíria, marcou três pontos para o País de Gales.

Clic

A chamada acabou. A cassete parou. Quatro miúdos parvitos perceberam que os adultos também podem gozar com eles.

7 comentários:

  1. AHAHAHHAHA! Eu adorava ter sido uma mosca para ver a cara deles.

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  2. Foi o vosso momento "já fostes". Também tive uma fase em que fazía com essas chamadas. Houve situações engraçadas mas nunca deixámos um adulto gozar connosco, não lhes dava-mos tempo (na verdade não calhou)
    Lembro-me de uma vez ligar para um talho e perguntar ao senhor se tinha cebeça de porco. Ele respondeu que sim e eu disse-lhe "então ronque". Outra vez ligeui para um vizinho. "É da casa do Sr Coelho? "Sim" "pum pum já o matei". Bem, agora relendo, os meus telefonemas não tinham tanta pinta como os vossos.
    beijos

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  3. Já havia uma lógica mercantilista nestes telefonemas. A mesma que nos levou mais tarde a apanhar caracóis para vender em tascas e a gamar as amostras de Fairy da rua toda que a marca, numa acção de sampling, resolveu deixar na soleira dos vários prédios e andares.

    Lá em casa não se comprou detergente da loiça durante muito tempo...

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  4. Que chapada. Que classe. Que escola.

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  5. E assim se estraga a tarde a meia dúzia de putos.
    E não ligavam vezes sem conta a pedir para falar com o X e ao fim da tarde ligavam de novo apresentando-se como o X a perguntar se havia recados? Isso era muito estúpido.

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