22.2.10

Tirem-me as aspas da cabeça


Ser um bom observador é meio caminho andado para rir sozinho regularmente. Ora, como prefiro rir sozinho do que mal acompanhado é uma actividade agradável. Muito apropriadamente, deixem-me abrir aqui um parêntese

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Pronto, podemos seguir. Tal como a filoxera molesta a vinha, tenho detectado um certo maneirismo à minha volta que tem afectado a minha paciência. E eu não gosto de ver a minha paciência abatida porque depois não tenho pachorra para tentar recuperá-la.

Falo das pessoas adeptas das aspas gestuais, também chamadas de “mãozinhas de citação”. Se não sabem o que é isto, então estão a confirmar a máxima “a ignorância é uma benção”. Se eu fosse um cromo da aspa gestual, teria acompanhado esta expressão com as minhas duas mãos em frente aos ombros, flectindo o indicador e o dedo médio de ambas duas a três vezes seguidas, simulando algo que tanto podem ser aspas como um exemplo de uma variante estranha de Parkinson.

Uma aspa gestual é tão útil como alguns administradores da PT. Está lá, existe, ninguém percebe bem a sua utilidade, mas vai tendo o seu sucesso.

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Desculpem, tive de fechar o parêntese, que não me dou bem com as correntes de ar, nem com apartes disparatados.
Voltando às aspas, já não bastava termos tido uma banda com uma pseudo-diva a abusar delas, quanto mais este aspismo gestual. Fazer aspas com as mãozinhas é tão necessário como os Malucos do Riso fazerem caretas para nós percebermos que está na hora de começar a rir.

Se eu estou a dar um segundo sentido a uma frase, faço uma citação ou não estou a ser literal, porque raio tenho de elucidar o meu interlocutor à bruta. Ou parto do princípio que é um idiota e, nesse caso, qual é o sentido de usar segundas interpretações, coisa que afecta muito a auto-confiança dos idiotas. Caso esteja a falar com gente inteligente, então fazer estas aspas estilo vira minhoto é estar-lhes a chamar broncos ou pouco perspicazes, coisa que, vá-se lá saber porquê, essa gente inteligente costuma levar a mal.

Isto para não falar no triste que é ver gente adulta a tentar comunicar com as mãozinhas com gestos idiotas para ilustrar o que diz. Já não basta sermos um povo latino, onde se pedes a alguém para falar sem usar as mãos, parece que lhes pediste para estarem dois minutos sem respirar, tal é o esforço de contorcionismo.

Quanto às pessoas que pedem descontos de tempo, usando linguagem gestual do basket, idem idem, aspas aspas. (com a agravante de usarem o gesto errado e acreditem que, enquanto gajo que joga basket, a raiva é redobrada).

Fecho este post, dando as minhas mãos e elevando-as num gesto alto, como se me congratulasse de modo vitorioso sobre a explanação desta matéria de forma brilhante.

3 comentários:

  1. Foste tu que fizeste aquele boneco? Parece um alien que está a ser assaltado, e a quem pediram para pôr as mãos no ar, mas não consegue porque tem reumático nos dedos.

    Mas o texto até está... "girinho". ;)

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  2. Estou aqui a aplaudir de pé, com respeitinho. Hasta

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  3. Dizem que o respeitinho é muito bonito, mas não gosto da verruga que tem no nariz...

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