17.2.10

Sr. Entrudo - Necrologia

Faleceu hoje o Sr. Entrudo Tuga, mais conhecido entre os amigos por Carnaval. Segundo se conseguiu apurar, embora não haja confirmação oficial, a causa da sua morte terá sido o suicídio, muito possivelmente levado a cabo pela sua mão.
Anos e anos de abusos e fingimento, vieram apenas acentuar o que já muitos tinham identificado – o Sr. Entrudo era brasileiro por fora, mas por dentro continuava com a mágoa de ser português. Por mais que sambasse, por mais reduzida que fosse a roupa utilizada, por mais “Olélélé-olalalá” que cantasse, o frio no seu coração não desaparecia e a chuva que cobria a sua alma não se dissipava.

No seu funeral estiveram presentes diversas carpideiras, que vieram mais tarde a revelar-se matrafonas cujo o choro se devia principalmente ao facto de terem perdido a justificação para se vestirem de mulheres (assumidamente) uma vez por ano. Alguns cabeçudos, dos poucos parentes verdadeiros que tinha, vieram também dizer um último adeus, aproveitando para alguns dedos de conversa com actores brasileiros de segunda linha que lhes perguntavam se também há hipóteses de ser pago em Portugal para desfilar na Páscoa. Mais de trezentas jovens que estavam previstas comparecer, não puderam ir, por estarem casa com princípios de pneumonia, depois de dias a desfilar.
Estranhamente para alguns, as crianças não ficaram tristes. O Sr. Entrudo era simpático, deixava-as mascararem-se e tal, mas nunca deu prendas. E, se não dá prendas, também não faz muita falta.

A grande notícia foi que o seu irmão, Entrudo Brasileiro, não pôde estar presente. Teve de ir acompanhar Madonna ao aeroporto e, além disso, nunca teve bem a certeza se era mesmo parente do Tuga, apesar das vezes que este último insistiu em referir isso.

Ao contrário de outros anos, este enterro teve realmente piada. Talvez devido ao facto de ser a sério.

6 comentários:

  1. Ano após ano, insistem nisto. Será que só quando tiverem neve pelo joelho é que percebem que cá não é sitio para sambar?

    ResponderEliminar
  2. Eu andei pelo entrudo madeirense. Nunca tinha visto tanta gaja roxa de frio e tanto cú flácido, e gajas com pernuil em vez de pernas....bem...safou-se a poncha

    ResponderEliminar
  3. @ Prezado - São desfiles que até arrepiam e não é no bom sentido...

    @ Pipoca - Para laurear a pevide em busca de boa poncha não precisavas de ir à Madeira. Bastava ires ao Soajeiro na Dom Carlos.

    @ Lápis - Grato pela referência ;)

    ResponderEliminar
  4. Fui em trabalho...não dava para escapar às terras de Alberto...
    Soajeiro? Obrigada pela dica, vou passar lá...

    ResponderEliminar
  5. É restaurante madeirense, para quem aprecia espetadas em pau de loureiro e boa poncha. Não é propriamente o Taj Mahal, mas pelo meu registo não é difícil adivinhar que sou um tascoso de primeira...

    ResponderEliminar

Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.