25.2.10

Ponham-me a andar, se faz favor


A minha escola primária era a cinco minutos de casa, indo a pé. A minha escola preparatória era a 15 minutos de casa, indo a pé. Já a minha escola secundária era a 10 minutos de minha casa, indo a pé. Quando cheguei à faculdade, as coisas mudaram claramente de figura.

Agora eram precisos 20 minutos para lá chegar, indo a pé.

Para além de isto significar que cresci com glúteos e quadríceps bem trabalhados, mostra que, se não tivesse seguido por maus caminhos, poderia hoje ser um peregrino exemplar, trilhando os caminhos de Santiago, Fátima ou até do Amílcar, que não é menos que os outros para não poder ter um caminho para ser trilhado.

Ainda hoje tenho a possibilidade de ir de casa para o trabalho a pé. O que é bom, nem que seja por significar que, nos dias que correm, tenho trabalho, caso contrário teria que ir de casa para a taberna, possivelmente também a pé. Mas também o faço regularmente nas férias, nos meus tempos livres e em ocasiões especiais.

Alguns cus tremidos vacilarão um pouco ao ler estas linhas, antes de avançar a medo com a pergunta “Epá, mas qual é a panca toda do andar a pé?”.
Antes de mais, esclareço, não é uma panca, tirando o facto de gostar de o fazer descalço e a tocar harpa.
Depois, porque mais do que uma panca, é uma possibilidade e uma escolha. Primeiro porque sendo um menino da cidade, nunca tive uma viagem maior à minha espera ao início e ao final do dia. Depois, porque me reserva o prazer da condução para alturas em que dá mesmo gozo conduzir. Finalmente porque, quando me dá uma veia masoquista, tenho sempre um transporte público para me levar, nem que seja para outra dimensão.

Mas, acima de tudo, porque por mais que ande, a minha imaginação caminha sempre mais depressa. E, sendo assim, mesmo antes de eu sair à rua já ela anda por lá a abrir caminhos, a conhecer pessoas estranhas e outras estranhamente normais, a ver uma história em cada esquina e avenidas de delírios por todo o lado.

Assim, é fácil perceber porque ando a pé. Não é boa ideia deixar a minha imaginação andar por aí à solta sem mim. Depois, dá nisto.

10 comentários:

  1. E que bem que tu tocas harpa, deixa-me que o diga!
    Ficaram por abordar os corolários de tanta caminhada - os calos.

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  2. Olá Mau!

    A tua imaginação é tua amiga! Já viste?
    Bons hábitos, os de olhar os outros...

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  3. [ o pior são os saltos altos que são incompativeis com as pedras da calçada]

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  4. É por isso mesmo que, por muito que lhe custe, o Mak anda descalço.
    (Quem lhe tira os seus stilettos tira-lhe tudo.)

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  5. Também gosto muito de andar a pé, e ando uns 40mins por dia, mais 1h30 de viagem :p

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  6. amo andar a pé!!!

    just for the record: a minha escola primária era a cinco minutos de casa, a pé... A preparatória a 10. A secundária a uns 25 minutos a pé e uns 10 de autocarro (sem contar com o tempo de espera). A faculdade era a uma estação de metro de distância, o equivalente a uns 15 minutos a pé...

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  7. Não está mal, mas ganhei :p

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  8. E fazes muito bem! Também gosto de andar a pé,aliás uma coisa que não compreendo é aquelas pessoas que até para ir ao café da esquina vão de carro (conheço uma assim!).

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  9. Sempre adorei andar a pé:-) Quando estava na faculdade, e vivia perto da Gulbenkian quase não usava transportes públicos. Ia às Amoreiras a pé, ao Chiado a pé...só uma amiga minha é que tinha o mesmo espirito, os outros diziam sempre: " então depois encontramo-nos lá" enquanto esperavam pelo autocarro. Agora que vivo numa terrinha do Alentejo posso fazer muitas caminhadas, mas respirando ar puro:-) Bj

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  10. Ler o teu texto fez-me lembrar os tempos em que andava a pé. Também eu ia para a escola a pé, às vezes apanhava o eléctrico 28.
    Agora nem pensar, o trabalho é longe e não há transportes...

    p.s.:Andava a "passear" de blog em blog e vim parar aqui, não resisti a comentar.

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