8.1.10

O ponto G das discussões na rua


Na sequência do post anterior, dediquei parte do dia de ontem a uma actividade vulgarmente definida como – dormir que nem um urso. Já a tarde ia avançada quando, para além de acordar para a vida, despertei para uma gritaria na rua.

Ora eu, para além de um extremo bom acordar, disponho também de uma consciência filosófica muito activa. E, testemunhando os berros entre (suponho eu) um peão indignado e um condutor, transpus o que ouvi para um reflexão profunda sobre discussões de rua, em geral.

A situação é, tirando nos casos em que a pancadaria é logo utilizada para abrir o certame, muito simples: há uma escalada de argumentos, que vai aumentando no volume utilizado pelos envolvidos e reduzindo na racionalidade dos argumentos.
Mas, e isto tem quase validade científica na Universidade de Badmington, há um momento em que a coisa passa da discussão à selvajaria, dez segundinhos em que um ou mais intervenientes rebentam com o fusível e passam para o lado negro da força. Interessantemente, ou não, são precedidos normalmente por uma repetição de argumentos e uma pequena pausa.

Vejamos o exemplo de ontem:

Biltre 1 – Então mas você ainda acha que tem razão!!!
Biltre 2 – Sfraggles zbournin outnaer BONDER! (imperceptível, mas intenso)
Biltre 1 – MAS, você ainda acha que tem razão??? (mais forte, mais raivoso)
Biltre 2 – Sfraggles, sfraggles!! (meio a terminar, meio a cagar para o que o outro disse)

(Ligeira pausa, possivelmente para revirar dos olhos do primeiro biltre)

Biltre 1 – Você é mas é um palhaço de primeira...., OTÁRIO do C”#&””#, não respeita ninguém, és UM MERDAS.

A partir daí, o resto é circo.

Pode parecer exagero, mas dependendo dos interlocutores, quem se presta a discutir na rua tem um fluxo de racionalidade muito reduzido. E raramente a conclusão chegada é de conciliação, mas mais de distribuição de insultos, infelizmente parcos em criatividade.

É pena, mas também é disto que o meu povo gosta. E quem sou eu para contrariar o povo.

5 comentários:

  1. Extraordinário e cheio de verdade!
    AP

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  2. Epá, Mak, agora descobriste-me a careca... Na verdade trabalho para a Braun, e queríamos trazer de volta o tão retro "bigode à Adolf Hitler". Devias experimentar, também. Ficava-te a matar :)

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  3. Vim cá a correr pelo "ponto g" fosse de discussões de rua ou outra coisa qualquer, era outra coisa qualquer...
    Bem, depois do meu momento de parvoíce, pronto, tiveste graça.
    Hasta

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  4. @Ariadne - Estava-se mesmo a ver, bastava pensar no apelido da Sra. que aturava o adolfo quando ele chegava a casa...
    O bigode não me convence, prefiro as patilhas com ligação aos pelos do peito...

    @Sra dos Tamancos Elevados - Isto é como o queijo nas ratoeiras...há que escolher bem o chamariz ;)

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  5. Tamancos???? PPffff!!! Vou ali já venho.

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