18.1.10

A minha ida ao veterinário


Haverá melhor programa para domingo de manhã do que ir ao veterinário (a pergunta é retórica, não precisam de responder). Pois foi isso que fiz.

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O espaço anterior está reservado a todas as piadas do género: “Então, doeu muito?”, “O que é que tinhas?”, “De um animal como tu espera-se tudo”, etc. Posto isto, posso dizer que é uma experiência curiosa.

Primeiro que tudo, o nosso sofrimento é indirecto. Ou seja, podemos estar preocupados, mas sobra-nos a lucidez mental (quando esta existe) para observar o que nos rodeia. Em segundo lugar, porque o binómio pessoas-animais (quando é possível a distinção) gera situações caricatas, apesar do local em causa.

Assim, num parágrafo, encontramos: a família desavinda que acerta as contas na sala de espera, utilizando o animal como arma de arremesso. A velha fatalista que sofre sempre muito com os animais e jura que o Jeremias, o 38º gato que tem vai ser mesmo o último (ou talvez não, tal é a falta de memória que a leva a confirmar 38 vezes como é a história da medicação). A senhora dondoca que tem um cão de ouro, pelo receio que tem em mostrá-lo ou deixar que ele interaja com pessoas e bichos. O pai com o filho que tem comportamentos mais animalescos do que o paciente. A mulher que tem no animal de estimação o filho que ainda não tem. O tipo que está preocupado porque usa o cão para engatar e com ele avariado a coisa não corre bem. A velha beata de consultório, que sabe tudo sobre animais e consegue descrever mais de 20mil mortes trágicas e doenças horripilantes de animais antes que consigas dizer “Cale-se, por favor”. Pelo meio ainda vão lá algumas pessoas normais, que gostam de animais e de pessoas como eu.

No final de contas, é difícil não sorrir quando finalmente o veterinário nos atende e, meio em desabafo nos diz “Às vezes chegam cá em muito pior estado do que os animais”.
Calculei que fosse uma dica para não continuar a fazer-lhe xixi na perna.

1 comentário:

  1. Tem a sua piada a sala de espera... Mais ainda quando estão lá perdigueiros à espera para a vacina e eu chego com uma gaiola com um coelho. Só a conta no final é que borra um bocado a pintura.

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