20.1.10

Batam palmas, é o bate-pé



Se o nome desta actividade lúdico-libidinosa não vos diz nada, então é porque são jovens demais para estar a consultar este blog e, nesse caso, fechem lá a janelinha e voltem para o site dos Morangos com Açúcar.

Caso o nome vos desperte algumas memórias e todo um sistema de código numérico-beijoqueiro, então estão no sítio certo. A verdade é que recentemente, pelo meio de uma garrafa de vinho (não, não foi sozinho à porta do Lidl), veio à baila o tema do bate-pé, esse jogo que batia nas horas o Traga-Bolas ou o Pulgas na Cama.

Haveria coisa mais interessante para criancinhas desinibidas do que juntar raparigas de um lado e rapazes do outro (na altura o governo ainda não tinha aprovado o bate-pé entre pessoas do mesmo sexo) e pô-los a pedir números uns aos outros, que correspondiam a coisas que iam do aperto de mão, ao beijo na boca, ao diabo a quatro e até ao casamento.

Era a adrenalina de arriscar e ver-se correspondido ou jogar pelo seguro e ser um pacholas. A rejeição teria que ser superada convidando um amigo para irem beber um pacote de leite com chocolate e desabafar sobre o assunto. Com o tempo, gente inventiva começou a inventar números que já queriam dizer tudo e mais alguma coisa, lembrando-me eu de um que já trazia laivos de um certo materialismo feminino, pois exigia “um anel” antes qualquer outro tipo de brincadeira a dois.

Longe de mim ficar-me para aqui a chorar pelas memórias. O bate-pé tem o seu lugar na minha prateleira de recordações, mesmo ao lado do episódio em que parti a cabeça à pedrada ao meu melhor amigo, depois deste me roubar uns berlindes e da vez em que a coisa correu mal quando resolvi saltar de um eléctrico em andamento ao pé do Aquário Vasco da Gama. E está lá muito bem.

Contudo, não deixa de me assomar um sorriso maléfico quando penso no que aconteceria se, no mundo dos adultos, as coisas também funcionassem com a lógica do bate pé- “Então, vamos jantar fora?”, “Tudo bem, mas aviso já que contigo não passo do 4”, “4?? O que é isso?”, “No máximo dou-te um beijo na boca”, “Ah, então esquece o jantar, vamos só ao cinema”. E logo se ouviria um pé a bater no chão, pondo fim à história o que, vendo as coisas, seria bem melhor que uma chapada.

Phoenix, 1901

9 comentários:

  1. Tb se pode dar o caso de uma pessoa não se lembrar da dita actividade por ter bebido demais desde então, para esquecer a dita...:)

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  2. Sou TÃÃÃooo infeliz!!! Nunca me deixavam jogar. E nunca percebi porquê.

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  3. Foi assim que dei o meu primeiro beijo com língua e não é que gostei...

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  4. Não pude deixar de imaginar como seria um jogo do bate-pé com heterossexuais, homossexuais e bissexuais...

    Novas invenções numéricas, ou não, se adivinham no horizonte... ;)

    Ginja

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  5. não bato o pé, mas sim as palmas a este post! Brilhante... E o quarto escuro, que era uma versão´"lúdico-libidinosa" das escondidas? quem se lembra?

    E já agora uma questão? Porque é que se chamava "coito" ao lugar de descanço na apanhada?

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  6. Ahhhhhhhh o bate-pé. Era praticamente uma instituição.

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  7. Olha eu voto nisso! Como era tudo mais fácil assim sem ter que ler nas entrelinhas nem ter que esperar o que não se vai ter. Ao menos sabíamos logo se o nosso número correspondia!

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  8. o bate pé e o quarto escuro era de facto qq coisa de espectacular!e acho q hj em dia este jogo entrar no jogo de sedução, como no exemplo referido! era mm giro!n valia era andar com pessoal mai novo!!!:)
    muito bom, belas recordações!

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