29.11.09

Indiana Jones e o temp(l)o perdido

Por mais vezes que veja este filme na televisão, é impossível não ficar com o coração nas mãos.

27.11.09

Espécies com Via Verde para a extinção

Como já fiz questão de referir umas quantas vezes, sou defensor de grande parte dos animais que existem. Neste lote não se inclui a chusma de gente vestida de animais/bonecos gigantes em festas e eventos para gente adulta que vou vendo por aí. A esses dava-lhes sumiço mais rapidamente que um panda consegue dizer “bambu”.

Não me refiro obviamente à bicharada que anima a Disneyland e outros parques temáticos afins, porque no domínio das crianças acho importante que aprendam rapidamente que as grandes bestas também podem ser divertidas. Só assim encararão a vida adulta com mais tolerância.

Mas, eventos em que bonecos temáticos tentam interagir com convidados ou mostrarem-se divertidos e foliões em locais com bebidas alcóolicas ao alcance de qualquer um, não me parecem grande ideia. Por mim falo, porque há gente que delira com um abracinho ao boneco, uma pancadinha amistosa aqui ou ali e por aí em diante.

Ora eu, que não tenho nenhuma fobia de infância com semelhantes personagens, só sinto dentro de mim uma certa irritação maldosa. A vontade de dar uma carga de porrada num boneco, algo que não sei se é punível por lei, já que o meu alvo primário é o personagem e não o tipo que lá meteram dentro.

Vou-me contendo, é certo, ainda ontem passaram por mim vários sapos que ficaram a um passo de levarem não um beijo, mas sim umas simpáticas biqueiradas.

Acham que tenho problemas e preciso de ajuda?
Só se os bonecos forem muitos...

26.11.09

Posologia moderna



Existem mentes simplistas que defendem que a posologia é apenas uma indicação sobre a forma de administrar medicamentos. Se quiserem continuar a acreditar nisso e a ter medo de conduzir maquinaria pesada, por mim tudo bem, mas o meu caterpillar não guiam.
No meu entender, a posologia é das poucas coisas boas que as farmacêuticas nos dão sem efeitos secundários. Aliás, acredito que, a par da Filosofia, da Antropologia ou da Sociologia, a Posologia também devia ser uma ciência ligada ao ser humano. Ou então um folheto individual com imensa piada

Então meu, já a abusar dos charros de azevinho antes da época? Calma, jovens adeptos do paintball nudista, eu explico. A posologia devia ser utilizada não apenas de forma redutora com comprimidos e antibióticos, mas também com pessoas. Facilitava a vida a muita gente, evitava muitas confusões e provava que eu não sou tão parvo como parece.

Exemplo

Mak
Concentrado de raiz de idiotice e folha de graçola.

Indicações
Óptimo para nos sentirmos menos alucinados por comparação. Ideal para quem precisa de um tónico de piadas e dizeres de categoria duvidosa.

Dosagem
Aturar de longe em longe, para não enjoar.

Recomendações
Não entre em duelos de piadas, sob o efeito de Mak. Não diga que nunca perdeu ao Trivial Pursuit, não tente usar palavras caras e recorrer a humor boçal, pois isso faz mal à saúde de Mak

Contra Indicações
Pode dar vontade de passar por cima dele ao volante de maquinaria pesada e tentar gracejos com o tema grávidas em período de amamentação. Poderá causar riso forçado e uma sensação de alívio, produzida por saber que ainda há gente mais estranha do que nós.

Validade
Pouca, tal como a das suas teorias.


E pronto, agora só faltam vocês e estamos todos a ocntribuir para um mundo melhor.

24.11.09

O ABC da Vida – Saber cair


Sempre que alguém cai num lugar público, quer seja de um escadote, de bêbedo ou do nada, há sempre alguém que se ri. Isto é uma daquelas leis inexoráveis (bónus por palavra cara) da vida, tão certa como este ser um dos cinco melhores blogues do mundo, na categoria imbecilidades a la carte.

Como a queda nessas circunstâncias não depende da vontade de quem cai (não desanimem público suicida, a vossa vez há-de chegar), interesssa abordar então o que fazer depois de cair.

Uma das tendências sempre na moda é o “Não foi nada”. Crianças, graúdos, mulheres voluptuosas, todos eles tendem a levantar-se num ápice, mesmo com fracturas expostas, dizendo “Não foi nada” e afastando-se a coxear ou a limpar o sangue da cabeça. Não incluí os idosos porque estes não se levantam, ficam apenas sentados a dizer....”Não foi nada”.

Este é o padrão comum. Há também o “Ronhas”, que fica deitado à espera que alguém chame uma ambulância para não ir trabalhar, chegando até a simular traumatismos vários para levar isso a cabo. Temos ainda o “Risadas”, que pensa que se se rir mais alto que toda a gente isso apaga o facto de estar com as trombas numa poça de lama ou que cueca verde-choque faz sucesso em qualquer avenida movimentada. Há ainda o mais recente “Spielbeg”, que espera sempre para ver se estão a filmar para poder dizer que foi de propósito e que é para os vídeos da semana.

“Mas, farol que ilumina os nossos nebulosos dias cibernéticos, há uma fórmula certa para saber cair?” perguntam vocês, enquanto atam uma almofadinha ao rabo, não vá poderem cair enquanto estão sentados.

Não.

A gravidade é uma lei, das poucas que somos mesmo obrigados a cumprir. Fora isso, posso apenas sugerir-vos terem mau aspecto, cerca de 1,85m e um ar de quem tem dificuldades em discernir o bem do mal. Em geral, resulta comigo.

23.11.09

O Dia da Benificência

Pode ser um choque para vocês, mas até pessoas como eu têm três ou quatro (vá lá, dois) dias por ano em que se dedicam a causas nobres. Como me disseram que este ano pontapear escuteiros não era válido, tive que variar e ir a um almoço de beneficência.

Não se tratava de uma causa qualquer, já que protege e cuida de animais, pelo que havia um certo interesseirismo da minha parte, pois nunca se sabe o que o futuro me reserva. O sítio era chique, o valor não era um choque e o repasto prometia pratos de nomes complicados e outros mais básicos, para quem tem vergonha de pedir comida em língua estrangeira.

Sentia-me à vontade, depois de ter treinado três ou quatro vezes comer com talheres. No entanto, há algo que me mexe com os nervos – eventos em que a média etária é o dobro da minha idade. Para já, os mais jovens acantonaram-se todos numa mesa, não tanto no espírito “mesa das crianças”, mas mais no género quem não usa fralda, tem a maioria de dentes próprios e não conviveu com o Rei D.Carlos que se junte aqui por favor.

Depois, almoço que meta buffet e idosos é como assistir a um arco-íris ou uma aurora boreal. Há sempre algo místico que nos fascina, quer seja o número de problemas de articulações e mobilidade que se curam dizendo apenas “Podem dirigir-se ao buffet” ou a forma como o Alzheimer e o apetite convivem salutarmente, já que se consegue ouvir gente dizer “Ah, eu como muito pouquinho”, enquanto se abastece de sobremesas pela 5ª vez.
A doença de Parkinson regride em quem tem de segurar pratos com empenho e os problemas de gota só se aplicam se se referirem ao abastecimento sôfrego de um simpático vinho tinto.

Aliás, a única parte de dor e sofrimento vem de quem, jovem e saudável, tem que levar com bengalas, andarilhos e cotovelinhos ossudos para chegar à comida. Mas pronto, lidei com tudo usando um bonito sorriso (emprestado), já que captei o espírito da coisa e, sem qualquer cariz vingativo, conto chegar a velho e aí vão ver quem é que rula na beneficência, no buffet e na arte dirigir cotovelos a diafragmas alheios.

20.11.09

Homónimofóbico

Não sendo das mais invulgares, a minha conjunção primeiro-último nome também não será a mais vulgar. Sendo assim, poder-se-ia dizer que primo pela mediania em termos de nome. Poder-se-ia, mas não se pode, já que o meu misto criatividade-imbecilidade pura, a par de uma modéstia de gabarito, dão um cunho muito pessoal ao meu nome. Tanto que tenho a mania que devia ser só meu.

Mas, a verdade é que não é. Aqui e ali vão aparecendo alguns indivíduos que teimam em usar o meu primeiro e último nome. Um claro abuso que só do alto da minha magnanimidade vai sendo tolerado, com um claro risco para eles. É que, cada vez que alguém fala no meu nome, eles têm a vã esperança que se fale deles. E depois ficam tristes, chamam-me nomes, quando deviam estar mais preocupados era em trocar o deles.

E depois, nascem episódios assim;

Certo dia, estava eu no recato do meu espaço laboral, quando me ligam da recepção. Não era do Fisco, nem sequer do Pirilampo Mágico, mas sim uma senhora que estava lá à minha espera. Ora eu não estou habituado a ter senhoras à minha espera na recepção, já que prefiro dar os autógrafos no exterior do edifício.

No entanto, lá fui eu, com uma barba digna de qualquer pirata dos piores bairros das Caraíbas, t-shirt de dizeres pseudo-engraçados e atitude a condizer. A jovem de tailleur conservador e ar assustado só não caiu redonda logo ali porque tinha uma entrevista. Comigo, pelos vistos.
Foi exactamente isso que me disse, depois das duas beijocas da praxe. O meu ar estupefacto era visível por debaixo do ar de parvo, o que ainda a assustou mais. “Mas, senhor X falámos por email a acertar pormenores da entrevista. Hoje é dia Y não é?”

“É, mas se falámos por email alguma vez na vida, deve ter sido noutra encarnação, porque nesta eu não me lembro”.

O vermelho no rosto da jovem não condizia com a camisa “Mas, é o senhor X não é?”, “Sou”, “Eu sou a Z, da parte do QB. Liguei-lhe primeiro e depois enviei-lhe o CV por mail. Combinamos hoje e lá em baixo na portaria disseram-me que era aqui”.

A loucura já deitava por fora “Mas mandou o CV para a XPTO. É que nós ainda somos uma empresa ainda bastante grande”.

“Ah.....não” O tom roxo também não condizia “Mas não é o senhor X da Bling-Bling Joalheiros?”.
“Não, sou o senhor X, mas da XPTO. A Bling Bling também deve ter um senhor X, neste edifício e neste andar”.

“Não acredito” a moça encostou-se como se precisasse de água. Como o garrafão ainda era longe, dei-lhe antes uma palmadinha nas costas.
“Eu também não, esse senhor não se devia chamar assim, mas acontece. Ande comigo que eu digo-lhe onde é”.

E lá fomos os dois, corredor fora, até à porta correcta onde trabalha o senhor com o nome errado. Ela ainda estava atabalhoada “Desculpe lá...E agora, estou tão enervada com isto tudo...”.
“Não esteja. O nome do senhor indica que é boa pessoa e, além disso, se a entrevista correr mal, sempre tem uma história engraçada para contar ao chegar a casa”. O garrafão de água ainda estava mais longe agora, dei-lhe outra palmadinha no ombro.

A porta abriu. A jovem entrou. Fui-me embora sem ver o senhor X, que até lhe poderia dar um emprego, mas nunca lhe proporcionaria uma história assim.

É o que dá não trocarem de nome. Depois, arriscam-se.

19.11.09

A noite de todos os bolos

A noite serve para muitas coisas e não é difícil imaginar que há até quem possa dizer que serve para dormir. Numa política bastante compreensiva, defendo que cada um deve fazer da noite o que quiser, desde que não more no apartamento acima ou abaixo do meu ou aprecie tocar pandeireta noite fora pelas ruas de determinada zona lisboeta. Mas, tirando isso, acredito que quem gosta de dar os seus giros nocturnos já deve ter feito o que vou mencionar a seguir:

Ir aos bolos.

Depois de já ter perdido grande parte da audiência bulímica deste blog, à qual se juntaram aqueles que só comem sobremesas de garfo e faca e nomenclatura blasé, resta-me divagar sobre a matéria junto dos esfaimados do costume.
Tal como se diz que na praia a bola de berlim sabe melhor, os bolos à noite são como certas mulheres maquilhadas - ganham outro encanto. Um croissant com chocolate engata-nos com mais facilidade, um pão com chouriço seduz-nos com o seu calor e um pastel de nata...bem um pastel de nata é sempre uma boa desculpa para quem não quer ir para casa sozinho.

Quem tempera a noite com uma boa ida aos bolos nunca pode dizer que tudo correu mal. E, se tudo correu bem, então só pode dizer que correu mal se for bipolar e, nesse caso, tanto come um bolo como uma pedra da calçada.

E, porque não quero que saiam sempre daqui com uma sensação de vazio, deixo-vos uma dica. Nesta imagem, atrás da carrinha branca, está um sítio recheado de bolinhos simpáticos, que conheço desde os meus tempos de petiz (bónus) nativo da região. Abre relativamente cedo (tipo 22h) e os únicos bichos que lá tenho visto estão do lado de fora do estabelecimento, com o atractivo adicional de ter regularmente fornadas quentinhas a sair. Além do mais, fica perto do Pestana Palace e se forem apanhados por alguns amigos chiques com um embrulho na mão, sempre podem dizer que levam petit gateaux oferecidos pelo vosso chef favorito.

Para além disto tudo, se gostam de uma boa corrida nocturna, façam como eu e vão acompanhados por gente que não se contenta com menos de 8 croissants e 12 merendas para levar para casa (sim, eu sei que vocês lêem isto). Aí, a rapidez de pernas pode ser a diferença entre o bolo dos vossos sonhos ir convosco ou de mão dada com um amigo vosso.

E, só de pensar nisto, já sinto arrepios no estômago.

17.11.09

O amor e uma bacana

Ou “A Novela Trágico-Cómica do quotidiano”

Estava nervoso. Afinal de contas não tinha tido tempo para nada do que queria, o trabalho apertava e almoço, pizza encomendada e comida à pressa ao computador, também não tinha ajudado.

Mas, existiam coisas que tinham que ser ditas e não podiam ficar para mais tarde, para mais logo ou para sabe-se lá quando. Inspirou fundo, quando precisava era de profunda inspiração, percorreu rapidamente a lista do telemóvel, fechou os olhos e ligou.

Ela atendeu. Ele falou.

- Não digas nada, deixa-me falar. Sei que sou cauteloso, que tenho sempre tudo planeado, mas desta vez falo com o coração e não com a cabeça. Quero deixar tudo para trás, quero estar contigo, não me interessa onde, desde que seja para sempre.
- M...

- Por favor, não digas nada, deixa-me acabar. Sei que nem sempre tenho sido para ti o que és para mim, mas esse tempo acabou. Percebi finalmente que para fazer as coisas certas, mais importante do que pensá-las, é fazê-las. Que me dizes, eu e tu, tu e eu, sem histórias, nem tretas, tipo só nós, o amor e uma cabana?

- Olhe, eu ia perguntar-lhe se queria a promoção dos pães de alho e a Coca Cola de litro e meio, mas posso despedir-me já hoje e sair às seis para ir ter consigo. O meu nome é Claudia e...

Desligou, em choque.

Olhou para o telemóvel. Quis o destino que Telma e Telepizza estivessem lado a lado no ecrã. Sentiu o coração cortado às fatias.

16.11.09

Desculpe, é engano?

Há coisas que eu tolero bem. Chuva, mariscos diversos e malta que gosta de usar provérbios para justificar argumentos são exemplos disso. Mas, porque quem não se sente não é filho de boa gente, há também toda uma panóplia de coisas que eu não tolero, nem sequer com o recurso a pastilhas Rennie.

Não vou evoluir muito neste assunto, primeiro porque se começo a pôr coisas que evoluem neste blog estou a descaracterizá-lo e em segundo porque não quero descobrir se há limite de caracteres para um post no Blogger.

Mas, se há coisas que me irrita sobremaneira é o chamado “engano idiota” ou a meia verdade do quotidiano. Só um instante que vou ver se a semana começa efectivamente com azia à porta.









Parece que não, era um stripper vestido de escuteiro para a senhora do lado.


Foi engano.



Calha bem, porque este tipo de enganos eu tolero. São coisas que acontecem. Também tolero enganos daqueles a sério, tipo o contabilista que desvia 2 milhões da empresa ou aquela malta que se engana, se enfrasca e acaba toda nua na festa de Natal da empresa. Isso são enganos comuns e decorrentes da necessidade humana de nos enganarmos de vez em quando.

Agora, irrita-me aquele engano idiota que não engana ninguém, aquele pormenor chico esperto para encher o olho, mas só se for de socos, no meu modesto entender. Não faltam exemplos, mas deixo-vos apenas dois:

Vôos TAP para X ou Y a partir de 59€ - A TAP gosta muito de fazer isto, na sua luta para tentar ombrear com as low costs. Mas este preço, ainda que atractivo refere-se normalmente apenas ao vôo de ida e não me parece que haja assim muita gente a adoptar a política “Vá e não volte”. Muitas vezes o preço total até pode ser atractivo, muito mais do que o trabalho de ir marcar vôos em companhias diferentes (que muitas vezes é também mais caro), mas alguém achou que o preço baixo só por isso ia toldar os olhos às pessoas. Até porque eu, quando compro viagens olho apenas para uma parcela do valor a pagar e já nem ligo ao resto. “Porreiro, o vôo de ida custou-me 30€. Tudo bem que o regresso me custou 300€, mas o de ida foi imbatível”. Yeah right....

Outro exemplo de “engano” dá-se no ramo imobiliário. Quem vende casas, pensa provavelmente que a malta compra uma habitação como quem compra um Cornetto. “Ah, não tem de morango? Pode ser de chocolate. Ou Nata. Ou então um Epá, que é quase o mesmo, mas sem bolacha”. Em resmas de anúncios imobiliários não faltam meias-verdades, um quarto de verdades e até oitavos de verdades. E depois? Vai-se ver a casa e alguém se esqueceu de dizer que o 6º andar era sem elevador? Que aquele T5 a bom preço era na cave de uma estação ferroviária? Que aquele preço incluía uma famiíia de romenos que subaluga a banheira? Não vai funcionar meus caros e não me vai fazer apaixonar pelo outro T3 na Brandoa que também têm para me mostrar na ImoTangas.

Se é para enganar, enganem onde vale a pena e onde não há forma de serem descobertos. Se é para brincar aos enganos, então usem as listas telefónicas. Para mim resultou e se não fez de mim uma pessoa melhor, pelo menos estimulou o meu interesse em imitar vozes.

14.11.09

Charme nas bancadas



A maquilhagem está pronta, a carga de água espera-se que não. Desejando eu que não esteja preparada nenhuma festa do cabeçudo para o Estádio da Luz, cá vou eu fazer bonitas figuras e com alguns adjectivos no bolso, não vá o Queiroz tecê-las.

Por isso, seja nas bancadas ou na televisão, podem procurar por mim através deste retrato robot. Ok, exagero, esqueçam o bigode.

13.11.09

São Silvestre abençoou a minha Sexta Feira 13


Então, já partiram alguma perninha? Já se engasgaram com uma asa de frango ou a ver a vizinha da frente nua a tomar banho (espécime de 70 anos que faz da Popota esbelta). Andam aí todos malucos a dizer é “Sexta-feira 13 uhhhhh” ou já vos passou a maluqueira?

Da minha parte, gosto do número 13, especialmente quando pronunciado “treze” e não “treuze”. Neste último caso, só dá azar a quem o pronuncia assim à minha frente. A verdade é que, não sendo eu uma reencarnação de Jesus Cristo, não vejo no 13 nenhum prenúncio negativo, antes pelo contrário, já que tenho ceado muitas vezes nesta data e nenhuma delas se tem revelado a última ceia.

Sendo assim, aproveitei esta euforia de me sentir bem com o 13 e toca de me inscrever hoje na São Silvestre de Lisboa. Mais 10km a correr de um lado para o outro, debaixo das luzinhas de Natal na Baixa e com 2kgs de doces de Natal no bucho. Só espero que nos abastecimentos, em vez de água e bebidas isotónicas haja Vinho do Porto e fritos diversos para tornar a experiência realmente alucinante.

O melhor disto tudo? É que para além de pagar para correr, a dita prova tem lugar no dia 27 de Dezembro, que este ano felizmente não calha a dia 13. Por um lado é uma sorte, por outro lado é um azar que, como já disse, eu até gosto de dia 13.

Até lá, é ver-me treinar a correr por baixo de escadotes, enquanto parto espelhos e ato um gato preto à perna. Não vá dar-se o azar de me tornar supersticioso.

12.11.09

Glen Medeiros e a maldição do Luso Descendente

Hoje apetece-me dar-vos música. E quando falo em música, num post com Glen Medeiros à cabeça, já se sabe que o critério é bastante lato. A verdade é que não sei se o Glen foi o primeiro a abrir a caixa de Pandora do luso-descendente-com-queda-para-a-música. Mas é talvez o primeiro de que me lembro, ganhando no arranque ao Nuno Bettencourt (cujo registo se enquadra noutra história) e ainda à Nelly Furtado, que à altura era mais little que promiscuous girl.

O jovem Glen, passeava a sua descendência portuguesa pelas ruas do Hawai, quando decidiu “Epá, se o ukelele descende do cavaquinho, eu também posso ter uma carreira na música”. E assim, bastou um concurso de rádio e um cover de George Benson, para nascer uma pastilha que ainda hoje deixa algumas cicatrizes mentais, na forma do “Nothing is gonna change my love for you”.



O vídeo mostra os malefícios da música bacôca e de rapazes imberbes. Glen não estava claramente preparado para sair com a miúda. Senão não teria deixado ser a mãe a escolher-lhe a roupa.
Ponto dois – Cenas amorosas numa falésia. Conselho para imitadores – não façam declarações cujo entusiasmo ou má recepção vos possam fazer cair em mais do que uma depressão.

A música parece um sumo concentrado em que 90% é refrão e 10% é palha. O dinheiro também era pouco. Pelo amanhecer e pôr do sol na praia, o Glen nem a miúda levou a almoçar, já que passaram o dia a correr na praia (estás lixado que o apetite ao jantar que pagaste foi certamente a dobrar). Por falar em correr, gajos que corram menos que miúdas na praia e ainda tropecem atrás delas, não ficam muito cotados em termos do meu respeito.

Em suma, o Glen era jovem, o dinheiro soube bem e graças a Deus ainda não havia MTV Portugal. Mas, não é preciso muito para saber que este jovem luso descendente inspirou centenas de pequenos boys-banders portugueses, que viram na sua camisa aberta, na sua calça marota e na música feita a pensar na malta que ouve com os olhos e só retém um refrão.
Para ti não houve problema Glen, que continuas no Hawai a beber cocktails em abacaxis e a pintar a manta em shows locais. Agora nós é que tivemos que levar com eles depois de crescerem. E isso meu ex-rapazola bem te pode dizer onde é que podias pôr a luso descendência.

11.11.09

Compromissos, alergias e metáforas com piscinas


Compromisso é uma coisa da qual se ouve falar muito nestes tempos, mas se vê fazer muito pouco. Antes de mais, não se deve confundir com “Compramisso”, também muito ouvida nesta época, a cada vez que se passa ao pé de uma montra de brinquedos ou iPods com uma criança ao lado.

Um compromisso, como o nome indica, honra-se e, nos tempos que correm, honra é coisa de filmes de cavalaria, super-heróis e romances clássicos de domingo à tarde. Não vai haver dermatologista que vos comprove o que vou avançar, mas acho que vivemos uma pandemia de alergia ao compromisso.

Seja pessoal, profissional ou qualquer outra coisa importante acabada em “al”, encontrar alguém disposto a respeitar um compromisso começa a ser tão raro como encontrar um panda, e não me refiro a um Fiat. Diz-se habitualmente “isso é um compromisso sério”, como se adjectivar um compromisso com seriedade não fosse o mesmo que perguntar “Quer o seu gelado com gelo?”. Não existem compromissos a brincar, tirando aqueles feitos por pessoas que não sabem do que estou a falar.

Quanto maior for o prazo de um compromisso, mais assustador se torna para muita gente. O próprio termo “ficou comprometido” tem cada vez mais uma conotação negativa de quem foi apanhado com as calças na mão a meio de um baile de gala. Ninguém tem que ficar comprometido com algo em que não se revê, mas o problema começa logo quando já ninguém se revê a fazer um compromisso.

Querer algo ou estar disposto a assumir e cumprir algo, seja por dia ou por uma vida exige, primeiro que tudo, uma coisa simples, mas complicada – Saber o que se quer. O compromisso torce o nariz a quem diz de manhã que sim, à tarde que não e à noite que amanhã logo se vê. As pessoas cada vez menos sabem o que querem. Mas cada vez pensam mais o contrário e tomam decisões para a vida, desde que para a semana as possam anular, reverter ou, em boa parte, lixar.

A dúvida é boa. A dúvida é aquele momento, quando estamos a olhar para a piscina de uma prancha de dois andares, em que pensamos “E se isto corre mal?”. E depois saltamos.
O compromisso é um salto.

Quer se bata de chapa, quer se mergulhe a fundo, quer se repita logo a seguir, quer seja o último mergulho.

A piscina é a vida.

E, na vida, meter água é normal.
Usar a nova Box para interromper o mergulho a meio é que não.
E, hoje em dia, toda a gente quer uma Box que grave.

10.11.09

Passar à história



Não sei quando é que esta expressão passou a ter conotação negativa. Por outro lado, também não sei quando é que ela começou a ter um significado positivo. Por isso, só um dado é concreto, sei muito pouco sobre aquilo que falo. Mas, não se preocupem, isso nunca foi impeditivo para mim.

A verdade é que eu gosto do termo “passar à história”, não no sentido de “bateu as botas”, “está arrumado”, “já não vales nada” ou “faz-te à vida”. Não só esses são sentidos comuns e pejorativos (bónus por utilização desta palavra em blog), como são fáceis e de uso corriqueiro por qualquer pessoa. Nem sequer me refiro à vertente de feitos históricos, que esse sentido então é redundante e eu chumbei no concurso de imitadores do José Hermano Saraiva.

O que a mim me agrada no “passar à história” é toda aquela magia própria de quem, por dom natural, sabe contar histórias. De quem transforma uma simples viagem de autocarro, num mini-conto que encanta pequenos e graúdos junto a uma máquina de café. É o toque próprio daquelas pessoas que gostamos ouvir, não porque nos transmitam saber ou pela sua visão única do mundo, mas sim pela sua capacidade de transformar o mais comum e o mais trivial em algo que nos capta a atenção, nos prende e nos faz esquecer que há cafés que são mesmo uma porcaria.

Esqueçam os mexericos, os boatos e as declarações inflamadas pelo amor ou pelo ódio. Isso são coisas que despertam a curiosidade de qualquer um que não tenha enveredado pelo caminho da santidade social. Eu gosto mesmo é de quem me consegue despertar a curiosidade, falando das suas peripécias numa tarde nas Finanças.

Isso é o verdadeiro dom de fazer passar à história. Devíamos todos agradecer a essas pessoas, que não são tantas como podem parecem (sim, porque também existem os verdadeiros e as imitações baratas), por tornarem a realidade um lugar menos real e mundanamente fantástico.

Como é óbvio, se conhecerem alguém que vê unicórnios no Metro e fala com fadas nos elevadores, afastem-se e não fiquem sozinhos. Essas pessoas não são contadores de histórias, são malucos.

A título de conclusão posso dizer que gosto de acreditar, entre os meus muitos defeitos de alto gabarito, que chamarem-me contador de histórias (tangas para os amigos) é um bom elogio que me podem fazer.
Desde que não seja antecedido de fdp.

9.11.09

A prática da relatividade




A relatividade é uma das grandes invenções da humanidade. A começar pela sua teoria, que permitiu a um dos gajos com pior penteado da história das ciências, granjear fama e prestígio eterno, já que ainda hoje o merchandise do Einstein continuar a dar lucro como se não houvesse amanhã.

Mas, afinal, a relatividade é assim tão boa? Isso, jovens que ainda estão a limpar as ramelitas dos olhinhos papudos, é como a palavra indica, relativo. O brilhantismo da relatividade, tanto em teoria como em prática é que quase tudo o que vivemos ou experienciamos pode ser relativizado. Mesmo aquilo que dizemos que não pode.

Ninguém acorda e diz “Epá, sim senhor, hoje sinto-me relativo”, porque a relatividade em si não é um fim, é um meio. Veja-se o exemplo:

Eu posso ter a sensação que até sou um gajo culto. Relativamente a um burgesso que passa o dia na taberna serei até um génio.. Mas, em relação a um génio, daqueles fraquinhos vá lá, eu sou o gajo da taberna.

Isto aplica-se a mim, aplica-se à mulher que pergunta se está bonita, a uma catástrofe em que morrem 5 mil pessoas ou, pior ainda, a este blog. A não ser que vivamos num casulo ou tenhamos uma visão da vida em que só nós é que contamos, tudo pode ser relativo.

Mas, atenção, tal como o tio do Homem-Aranha lhe disse quando o gajo começou, literalmente, a trepar às paredes “Atrás de um grande poder, vem uma grande responsabilidade”. Por isso, há que relativizar o uso da relatividade. Se relativizam tudo sem ponderação, vão ser uns bananas que não apreciam nada, nem têm personalidade. Se não relativizam nada, vão ser uns mártires, pois sofrem e vêem tudo numa perspectiva extremista máxima.

Por isso, não têm de ir ao Pingo Doce de Janeiro a Janeiro, para esta dica de preço baixo – Relativizar é bom, dependendo da sabedoria de quem relativiza.

Se não acreditam, olhem para o Einstein. O sucesso da sua teoria está à vista. O do seu penteado, é relativo.

6.11.09

Este blog não existe, nem desiste

Neste blog as coisas não se medem aos palmos. Até porque dada a parca inteligência do seu autor, o palmo é capaz de ser uma medida demasiado complexa.

Cumprem-se aqui muito poucas das regras do “bem-escrever” para blogs e internet. Aliás, cumprem-se aqui muito poucas regras ponto, começando pelas de etiqueta, passando pelas do bom senso e acabando, porventura nas de higiene mental.

Os títulos não são claros, nem straight to the point. São trocadilhos, piadas de circunstância, são esforços para que ninguém perceba logo à primeira que não há muito que interesse à segunda.
O primeiro parágrafo não foi feito para agarrar o leitor. Primeiro porque eu não sei se quero agarrar toda a gente que por aqui passa. Segundo, porque para agarrados já me basta o que estaciona carros na minha praceta. E depois porque os outros parágrafos ficariam com ciúmes de ver leitores agarradinhos ao primeiro.

Dizem-me amigos meus (e também o vendedor de castanhas em frente ao meu local de trabalho) que os textos são demasiado longos para um blog. Que lhes faz doer a vista estar tanto tempo ao computador, ainda por cima a ler coisas tão más.
Apenas por respeito ao vendedor de castanhas aqui me explico: quem quer coisas pequenas que vá ao Twitter, ao Facebook ou ao Portugal dos Pequenitos. Palavras como sucinto ou reduzido aqui só entram acompanhadas de 10 mil amigos. Porque sim e porque se me apetecer fazer um post anão isso vai surpreender agradavelmente as pessoas: “Olha, o cromo hoje não lhe deu uma verborreia”.

Este blog não tem agenda. Nisso é parecido com o seu dono, que nem a do telemóvel usa, embora seja mais abusador ao falar de si mesmo na terceira pessoa. Este blog não tem género, nem sequer espécie. Quer dizer, é uma espécie de alucinação, mas degenerada.

A única coisa que este blog efectivamente parece ter é leitores. Não sei bem porque não o acompanho muito, mas parece que suplantou claramente as expectativas, que apontavam apenas para impressionar o vácuo cibernético. Nos seus sonhos mais ousados, o autor esperaria quanto muito que os seus leitores se contassem pelos dedos das mãos, de alguém a quem rebentou uma granada nas ditas cujas.

Não pensem que isto é um obrigado. Isso seria legitimar a vossa doença. Porque vocês têm problemas e o primeiro passo é eu admitir isso. De outra forma, não estariam aqui.

5.11.09

Os segredos são de Vénus, os parvos são de Marte



Em tempos, numa dada festa, uma dada pessoa abordou-me sobre um dado assunto. E, porque há um limite para as vezes que se pode usar dada palavra numa frase, mais vale dizer do que se tratava.
“Disseram-me que sabes o segredo para entender as mulheres...”

Sorri. Fiz sinal de quem vai contar um segredo e tentei não me cuspir todo a falar tão perto dos ouvidos.
“Acho que estás a confundir-me. O gajo que dizem que sabe esse o segredo é aquele ali, o segundo gajo à direita e não à esquerda, esse sou eu.”
Olhou para mim como se eu tivesse dito uma coisa parva, o que até era verdade.

“Ah, o segredo é fazer-se difícil, é isso?” havia ali uma desconfiança no olhar.
“Não, o segredo é, primeiro que tudo, fazer a pergunta à pessoa certa” no meu olhar, a haver alguma coisa, só ramelas.

“Ah, são os jogos de palavras” meio riso, meio falta de paciência.
“Não, isso é o Scrabble” meio parvo, meio falta de paciência.

“Já vi que afinal não és a pessoa que procurava” alguma altivez, bastante álcool.
“Ah, se não me dissesses eu não acreditava” basta de álcool, mas há que treinar a altivez.

E lá foi ela, em busca de um segredo que eu lhe podia ter dito que não existia.
E lá fiquei eu, de sorriso nos lábios, porque para ter diálogos nonsense não preciso de ir a lado nenhum. Basta-me falar sozinho.

4.11.09

Face Inculta

Parece que o tema do dia para fazer face à Gripe A, tem também título sonante com pinta de nome de bar de alterne - o processo "Face Oculta". No entanto, este tipo de nomes já não me faz confusão, insensibilizado que estou depois de anos de operações Natal, Páscoa ou Ano Novo com nomes oriundos das mentes mais criativas dentro da Brigada de Trânsito.

Faz-me mais confusão o porquê do nome. Sim, porque a corrupção afecta muitos mais milhões (de Euros, principalmente) do que a pobre da Gripe A. Há toda uma camada de gestores/malta gordurosa de topo que, de empresa em empresa, algumas delas no âmbito do Estado, tem enchido a mula que de tão carregada já deve ter graves problemas cervicais.

E isto da Face Oculta faz-me pensar, algo que só a fome, a falta de dinheiro e outras necessidades básicas costumam provocar em mim. Será que isto da Face Oculta quer dizer que nunca vamos conhecer a cara destas sanguessugas todas? Será que isto tem a ver com o facto de isto ser só um bocadinho do podre total e que são só migalhas para contentar o povo? Será que Octávio Machado sabe do que eu estou a falar?

O problema destas Faces Ocultas é que cheiram sempre a esturro e ou nunca se chega a lado nenhum ou há dois ou três testas de ferro que levam com as culpas e depois começa novo banquete.
Preferia que em vez de mega processos mediáticos, houvessem processos eficazes, que se soubessem onde começam e onde acabam. Mas pronto, sempre me posso ir entretendo com a Gripe A, que pelo menos é mais higiénica e já deu origem a grandes mudanças em Portugal. Nunca se viu tanta gente a lavar as mãos como agora, digam lá que não é progresso.

3.11.09

Ricos Ciber Amigos

Pode não parecer, mas eu até sou um gajo compadecido. Já chorei a ver filmes (nem que fosse por serem tão maus que só se pára o choro saindo a meio), ajudei idosos e até já dei o meu email a pessoas que não aprecio por aí além.

Ora nesta última parte é que a coisa me faz espécie. Powerpoints de gatinhos e bebés fofos? Ok, é o preço a pagar por ter net e haver gente com sentimentos mal direccionados.
As 38 maneiras de uma contorcionista russa te surpreender e outros emails de chavascal? Tudo bem, nunca se sabe quando é que eu posso ter partido as mãos e e ter mais dificuldade a procurar pornografia sozinho.
Anúncios giros e vídeos malucos? Certo, o Youtube é meu amigo, fico feliz por saber (poupem nos anúncios, desses eu já tenho a minha dose).

O certo é que, ao fim do dia, espremido o sumo de uma caixa de email (e nem referi os 43 convites diários para aplicações, causas e etc), muitas não há muito mais que dois ou três emails pessoais mesmo. De gente que nos conhece e investe tempo a escrever-nos umas linhas, seja porque motivo for. Esses merecem o meu respeito, mesmo que seja a pedir-me dinheiro e tenham, por isso mesmo, investido tempo em vão.

E a esses eu respondo, sempre, às vezes com um bocadinho de delay ou não, mediante as vicissitudes (como eu gosto desta palavra) do dia à dia.

AGORA E ESTE “GRITAR” É PROPOSITADO, MAILS VINDOS DE AMIGOS MEUS A DIZER QUE A MICROSOFT/ A AOL / A TMN / O BES / A CHARCUTARIA FRANCESA OU O FRANGO SINATRA DÁ X CÊNTIMOS POR CADA MAIL REENVIADO, NÃO.

Não viram bem, ok, eu repito – NÃO. Mas o que se passa na cabeça das pessoas a pensar que é dinheiro fácil. Se fosse, eles não tinham recebido o mail. Se fosse, eles não andavam a mandar mails destes porque já estavam ricos. E sim, há sempre alguém conhecido nesse mail, que trabalha algures e já ganhou uma pipa de massa, muito provavelmente a ceder o corpo para carícias alheias, porque a mandar mails não foi de certeza.
A desculpa “Epá, não se perde nada a enviar” revela, por detrás da porta nº2, um soco nos dentes, porque se perde sim senhor. Perde-se a paciência por ver vezes sem conta, ano após ano, o mesmo mail saloio a bater-nos à porta do email e por verificarmos que amigos que até tínhamos na conta de inteligentes devem ter queimado um fusível muito recentemente.

Por isso, mandem-me tudo, até o Viagra da vida em doses de embarda, mas por favor metam esses mails milionários no....


Spam.
Obrigado.

2.11.09

Chegou a hora do lobo

Hoje em dia oiço muito menos rádio do que antigamente. A culpa é do computador, do MP3 ou até mesmo do silêncio ao fim do dia, que é cada vez mais uma boa companhia para fazer uma pausa do ruído do quotidiano. Mas, enquanto adepto incondicional de música dos mais diversos tipos tenho com a rádio uma afinidade incontornável. É como aqueles velhos amigos que podemos estar muito tempo sem ver mas, assim que nos encontramos, a separação desaparece com um abraço.

É por isso que hoje, ao saber da morte do António Sérgio, pensei o mesmo que qualquer pessoa pensa quando lhe relatam uma morte inesperada – não é possível. Sou talvez demasiado novo para poder dizer com propriedade que acompanhei toda a longa carreira deste ícone da rádio que não só nos trouxe o “Som da Frente”, mas que ao longo do seu percurso esteve sempre um passo à frente no que ao som diz respeito.

Talvez porque isto de ter uma irmã mais velha não é só desculpa para reclamações de benjamim da família, devo-lhe muita influência de conhecimento musical dos 80’s e não só. Talvez por isso, lembranças da voz profunda do António Sérgio se misturem com a minha infância, tal como a música inovadora ou, utilizando termos da época “prá frentex”, que a acompanhava em serões na companhia da rádio.

Conforme fui crescendo, a voz de António Sérgio respondia sempre presente, aqui e ali, quando ia ter com a rádio para matar saudades. E hoje, adulto de barba rija, mau feitio, mas ainda assim coração mole no que a música diz respeito, não posso deixar de sentir um certo desconsolo por saber que, da próxima vez que lá for, não vou poder voltar ouvir o vozeirão do António Sérgio.

Pura ilusão e egoísmo pessoal, porque há vozes que vivem para sempre, mesmo para além das ondas da rádio.