30.10.09

Porreiro Spa


Dizem que os Spas são coisas de gajas. Também diziam o mesmo dos cremes para a cara. Se esta última fosse verdade, então eu era uma gaja, por sinal aquela com mais mau aspecto à face da terra. Por isso, tento não arriscar muito nesses juízos de valor e investir em coisas mais seguras, como por exemplo raspadinhas.

Agora, o que eu sei é que há muita coisa gordurosa e pseudo-proto-pasto gordurosa por detrás do pensamento de quem dá nome a Spas. E olhem que eu já dei nome a muitas coisas, incluindo à velhota que me deu com a bengala nas costas o caminho todo no autocarro.

Esqueçam nomes simples e directos, até porque só o conceito Spa não chega. Há que mostrar requinte, classe, charme, glamour, natureza, tranquilidade, paz, bem-estar e um coche de cachet. Se for possível numa só palavra e, de preferência que não seja portuguesa. Assim um latinzinho ou um inglês, se faz favor, que a malta investiu nos azulejos e um nome em português não é assim grande espiga.

Ao pensar em Spa, o conceito da coisa atinge-me. Não preciso de banha tipo Relaxus ou Pieces of Zen Mother Nature This is not Cheap Spa para perceber que é bom. O preço, por norma, também ajuda a perceber.

“Ah, meu mafarreco que também deves cortar o cabelo em cabeleireiros pós-modernos, então tu gostas é disso”, dizem os acérrimos defensores do corte de cabelo com faca de mato e esfoliação natural em pedras da calçada que, por mero acaso vieram cá parar ao teclar “Teletubbies” no Google.

Meus caros, vamos com calma que eu sou gajo para cuspir tanto na sopa como na avó que a preparou com tanto carinho. Agora não sou é urso ao ponto de pensar que é um Spa que me vai arruinar a fama de biltre de barba rija.

Especialmente quando de ver tantos nomes possidónios e pseudo-concepts-armados ao pingarelhos fiquei tenso até à ponta dos cabelos. Já me enchiam a tromba de chocolate ou seixos da Islândia do Norte a ver se eu relaxava. Ai já, já.

28.10.09

Como identificar um palhaço


Ser palhaço e ser divertido não é exactamente a mesma coisa. Para já, o tamanho dos sapatos é diferente e depois, num sentido mais literal, ser divertido não obriga a tantos cuidados de maquilhagem.

Fazer rir, até certo ponto, não é algo que se possa aprender na plenitude. Nasce com certas pessoas e o máximo que muitas outras podem fazer é tentar, com muito trabalho, conseguir alcançar um pouco do que os “predestinados” do riso conseguem sem qualquer esforço.
Desconfio quer das pessoas que riem de tudo, sem qualquer critério, quer das que tentam ser engraçadas à força, vulgo palhaços. Quando é natural, o riso/humor é uma ferramenta social do melhor que há, vão por mim que há muito que teria sido retirado do mercado se não conseguisse, aqui e ali, fazer despontar uns sorrisos.

Mas, quando é mal utilizado ou é abusivo, como é natural que ocorra na mão de palhaços, torna-se incomodativo, vive do desconforto alheio, torna os lugares e as pessoas mais pequenas. O riso é contagiante, mas a vergonha alheia também o é.

Longe de mim passar por sumidade na matéria. Sou como sou e se tentasse não ser assim, não era eu (profundo como a Fossa das Marianas). Não acho que toda a gente tem que ser engraçadinha, rezo para que toda a gente não tente ser engraçadinha. Às vezes, os melhores momentos de humor vêm de pessoas que 92% do seu tempo são pouco dadas a esse tipo de atitude.
Vai daí, tenho pouca pachorra para palhaços. Maquilhados ou não. E isso não tem nada a ver com o facto de qualquer pessoa ter direito a fazer humor, seja ele bom, mau ou humorfrodita. É fácil distinguir um palhaço. E não é preciso procurar um nariz vermelho.

Basta ter sentido de humor.

27.10.09

Manipulação, para quando Desporto Olímpico?

Eu gosto, tu gostas, eles gostam...

Não ocupa espaço, as crianças gostam, os velhinhos sem Alzheimer ainda o fazem, faz-se em casa, no trabalho, de manhã, à noite, pelas melhores razões, pelos piores motivos, à grande e à francesa, pela calada, à boca cheia.

Quem não gosta é porque não sabe fazer.

Dêem-me música. Eu gosto.

26.10.09

10 Km em 10 linhas



1º Km - Epá, isto de Algés a Oeiras é um tirinho. Ninguém me pára.
2º Km – Saiam da frente, olha o Expresso. Não pára no Dafundo.
3º Km – Não se arranjam águas? Olha um velhote a ver se me passa.
4º Km – Água! A salvação! Epá o velho abasteceu-se antes de mim.
5º Km – Já vamos a meio, quer do percurso, quer do ataque cardíaco.
6º Km – Ali à frente, é o velho?? Ou é um destes que vai a passar.
7º Km – Água! Água! Se ao menos tivesse força para abrir a boca.
8º Km – Olha, uma senhora com carrinho de bebè. Vai tão rápido!
9º Km – Aquele não é o velho a acenar-me, já a caminho de casa?
10º Km – É a meta? É miragem? Ambulância? Seja qual for, serve.



E assim se passa uma divertida manhã de Domingo junto à Marginal.

23.10.09

Ar condicionado de Babel




Diz a lenda que Deus, chateado com uma cambada de empreiteiros que se decidiram a fazer um condomínio estilo “Paraíso Gardens” numa versão Torre que nunca mais acaba, os lixou à moda antiga. Como? Pondo-os todos a falar línguas diferentes, criando desentendimentos, o que como era de prever fez com que a Torre de Babel ficasse embargada. Para além disso, nasceu também assim o idioma taxista, coisa que muito tem prejudicado a humanidade até ao momento.

Com os ares condicionados no local de trabalho, a história é deveras semelhante. Uma coisa que, teoricamente, poderia ser benéfica acaba por transformar-se num cataclismo de proporções épicas. A miúda descascada nunca se poderá entender com a senhora das doenças. O tipo que cultiva suor em lotes de referência nunca poderá chegar a uma temperatura de consenso com o eterno constipado. A menopausa entra em conflito com o desejo de mostrar o top novo, o gajo que chega sempre atrasado terá sempre mais calor do que o tipo que insiste nas camisolas de gola alta em Agosto.

Traço geral, no mais correcto francês, o ar condicionado é uma merda. E Deus sabe disso, mas como gosta de se rir às nossas custas, nunca há de faltar numa empresa todo um sistema de ar condicionado cuja utilização é tão consensual como a decisão de quem é o gajo mais mal pago.

Com uma agravante, constipa. Lixa-te o sistema. Perturba-te o fluxo de guarda-roupa. E, no meu caso, em que as inteligências supremas que o instalaram meteram a ventilação a sair do chão, gela-me os calcanhares. E isso, meus amigos, não há quem o admita.

22.10.09

Riscos Pedidos

Sinto que às vezes me escapam as coisas de que é verdadeiramente importante falar.


As flores, os pássaros, as crianças que maltratam flores e pássaros.

A paz, as pás e o tudo o que está por detrás.

Os sentimentos, os impedimentos e todos esses argumentos peganhentos.

E escrever poesia, assim com muita alegria, mas com uma fixação doentia, por coisas que rimam com poesia e cheirem a maresia.

Peço portanto a vossa ajuda, e também da minha prima surda-muda.

Que temas andam a faltar no blog? Que linhas fazem mais sentido do que as do comboio?

O que é preciso para não terem de levar com devaneios bucólico-pastoris, dignos de um lirismo pós moderno e de um gajo que certamente vai para o Inferno?



PS - Dica não tomar medicação sem antes verificar o prazo de validade.

20.10.09

Portugal vs Bósnia e o flagelo de Sarajevo

O ano era 1992. Na Bósnia viviam-se tempos difíceis, com os conflitos étnicos entre repúblicas da ex-Jugoslávia. A coisa não melhorou, quando António Manuel Ribeiro dos UHF começou a cantar o seu tema “Sarajevo”. Felizmente, a RTP Internacional ainda não chegava a terras bósnias.
Em Portugal, também se viviam tempos difíceis, especialmente na televisão, onde a Luís Represas lhe era permitido andar à solta com um programa televisivo.

O pior de três mundos junta-se, quando no programa de Luís Represas aparece António Manuel Ribeiro e insiste em cantar Sarajevo. Toda a Bósnia chora, sem saber porquê. Já a audiência do programa também chora, mas aí percebe bem porquê.

António Manuel Ribeiro é um misto de rocker e tipo que vai à missa ao domingo. Às calças de cabedal de rocker estilo Bono colecção de 92, junta uma camisa clássica, porque se é para ir à televisão também não se pode ir numa bandalheira.

Há uma clara falta de ritmo na sua expressão corporal. Não é grave, quase ninguém nota. O seu cabelo, depois de anos sem rumo, concentra todas as atenções.

Os três minutos arrastam-se, “Jugoslávia bonita” canta ele. “Bela trampa” pensarão outros.

Dezassete anos depois, a Bósnia tem oportunidade de se vingar. Num campo de futebol. Sem António Manuel Ribeiro ao intervalo, espera-se.

Se eles vêm com ganas tipo vingança tuga contra Maitê, vai haver molho. E ao contrário da Jugoslávia cantada pelo leather pants dos UHF, não vai ser bonito.

19.10.09

Entrevista a dor

É um facto que gosto de dizer mal gratuitamente. Como é óbvio, preferia que me pagassem para isso, mas visto que até agora ninguém se chegou à frente, vejo-me obrigado a esta espécie de mecenato maldizente.

Mas, dentro dos limites, diria mesmo das alarvidades gratuitas que por aqui vão passando, tento que tenham uma coisa – critério. E a palavra critério, por si, já é um bocado ofensiva, especialmente quando se trata do meu.

Serve este breve interlúdio para ver se consigo encher umas quantas linhas de dissertação psico-técnica antes de começar a dizer mal de entrevistadores. Oh, já comecei, pois então que se lixe.

Não acho que tenhamos os piores entrevistadores televisivos do mundo, mas temos os clichés todos do mundo jornalístico-entertaineador. Tinha para aqui um relambório a analisar alguns dos principais entrevistadores/ tipo de programas, mas não é preciso. Basta que fechem os olhos e pensem num programa/entrevistador, para saberem sempre como são todas as suas entrevistas, salvo surpresas.

Inove-se minha gente, seja-se mais fresco, arrisque-se um milésimo. Não vou dar os americanos como referência, porque em programas do Conan O’Brien ou Jay Leno, aquilo também é muito ensaiado, mas há ali um espacinho para o imprevisto, para a naturalidade. E se querem exemplos mais “sérios”, já vi um “60 Minutos” que acabou com o entrevistador a desafiar o Michael Phelps para uma corrida na piscina de fatinho de banho, mas sem palhaçada. Perdeu, mas ganhou no inusitado, sem deixar de ser interessante e válido.

Vi a semana passada a Grande Entrevista da Judite de Sousa ao António Feio. O momento é delicado, mas a atitude do António é positiva, mesmo num cenário complicado. Em vez de demonstrar, subjectivamente (até porque o entrevistado ajudava) que as doenças mais graves podem ser enfrentadas com positivismo, teve que ser aquele esquema óbvio de 10 perguntas sérias sobre um problema sério, porque o programa é sério.
Nem sequer as dicas de bom humor, como a da Amélia Rey Colaço, foram aproveitadas para aliviar um pouco o peso de estarmos perante um homem que luta pela vida, sem perder dignidade nem interesse para o espectador. Já cada pormenor mais trágico ou mais em cima da mesma tecla do cancro, foi sempre bem explorado. Não digo que seja desrespeitoso ou que as pessoas não queiram saber. Mas...

Fujamos do óbvio, sem por isso fugir da realidade.
Por favor.

Tirando neste blog.

Aqui é óbvio que a realidade é má.
Condiz com o autor.


Desculpem, mas tem que ser assim.

15.10.09

As saladas entre homens e mulheres


Houve tempos em que a salada não tinha muita reputação. Era uma acompanhante, fazia sucesso uma vez por outra, mas não raras ocasiões era posta de lado. Mas, alguém relembrou: quando teoricamente Deus criou a mulher, criou também a salada. E os espelhos.

E as revistas da moda. E umas roupinhas tão giras que é uma pena ficarem na loja.

A verdade é que a salada estava destinada a conhecer a mulher. O Adão foi apenas um pormenor no meio. Até porque o Adão não curtia muito salada e só comeu uma maçã que a Eva lhe impingiu, porque nessa altura fazia de tudo para a levar para a cama.

Mas a mulher, tem com a salada uma relação parecida com aquela que tem com o Homem. Amor-ódio e por aí em diante. Às vezes é tudo o que precisa para ser feliz, outras vezes não a pode ver à frente. Não a preenche, amargura-a, amaldiçoa a sua companhia.
Depois, muitas vezes antes do Verão, fazem as pazes e vão almoçar juntas todos os dias.

Como em todas as relações, a salada também não é inocente. Usando o seu nome, carrega-se de ingredientes sedutores, mas pouco condizentes com a sua posição de salada. Pisca o olho às mulheres e diz-lhes: "Podes ter-me, sou uma salada e serei tudo o que quiseres". Mas de salada só têm mesmo o nome que usam e o número de mulheres traídas por elas não pára de crescer.

Os tempos estão a mudar e elas estão cada vez mais modernas. Hoje em dia também começam a não faltar homens que assumem relações com saladas. Sem pudores, sem medos, é vê-los por aí em público agarrados a saladas, às vezes em grupo.

Mas, ódios e enganos à parte, as mulheres continuam a confiar nas saladas, mais porventura do que nos homens. A razão parece-me óbvia, nas saladas as mulheres podem escolher cada um dos ingredientes, se assim o desejarem. Já com os homens, é uma sorte se ao menos se safarem no tempero.

Era um actor melhorzinho FlashFavor


É a nova série do momento, é a razão porque muitas famílias ainda se sentam juntas no sofá e as séries continuam a ser uma meca televisiva. Falo, claro está, do Flash Forward. Aliás, não me estou a excluir do bando e depois de ter visto parte dos dois primeiros episódios em Londres, resolvi continuar a ver o que sai dali, através do AXN.

O argumento é interessante, pela sua abordagem, uma vez que o tom apocalíptico-ai ai ai que isto vai dar molho ou se calhar já deu e nós é que não sabemos, não é propriamente novidade. O interessante, para mim, é ver como se explora a vertente de toda a gente saber algo sobre o seu futuro e como isso se encaixa nas relações de uns com os outros, quer nesse mesmo futuro, quer no presente. É tipo já sabermos todos o que vamos ganhar de prenda no Natal e ver como vamos tratar quem nos deu um aftershave manhoso ou saber porque é que a Tia Clarinda nos vai cuspir no cálice de Vinho do Porto, se nós até gostamos tanto dela.

Essa parte é porreira e recomenda-se. E isto ainda vai no início, o que significa que há uma larga margem para dizer mal, caso seja necessário. Mas, porque não é preciso grande futurismo para constatar o que vou dizer a seguir, fica já aqui mais uma opinião:

O Joseph Fiennes é lastro. Embora o apelido seja um valor acrescentado em termos de mais valia cinematográfica, sem um Ralph antes a coisa fica mais fina. O Fiennes júnior nunca me convenceu, nem sequer nos tempos em que andava a fazer a festa com "A Paixão de Shakespeare"
Como o tempo passou e não tenho levado grandes banhos de Joseph, dei-lhe uma folga quando o vi a aparecer no ecrã a fazer de polícia durão mas sensível, ex-alcóolico e amante de sevilhanas (há aqui uma parte para despistar).

Mas não, ao fim de dois episódios já vi um bom futuro para o Joseph. E não passa pelo mundo do cinema. O tipo, atributos físicos à parte, é pouco profundo, muito pouco convincente e não me consegue envolver minimamente naquilo que o seu personagem deveria transparecer. Tal como o Ronaldo, não sei onde ele vai estar daqui a uns tempos, mas certamente não será a impressionar-me.

Sendo o personagem central do Flash Forward, temo que no futuro desta série haja uma altura em que o Joseph lhe vai fazer mal. Deixa lá ver se ela consegue superar isso.

14.10.09

O Portugal da Maitê do Pingo Doce

Caso ainda não saibam, as novelas hojem em dia passam-se na Internet. É aí que se descobrem as últimas escandaleiras, que se se revelam os novos heróis e vilões e é aí que toda a gente vai procurar informação, quando tal é preciso. Quando tal não é preciso, ainda vão mais depressa.

E, como tal, na ordem do dia andam o Pingo Doce e a Maitê Proença.

Sobre o Pingo Doce, nãp me vou alargar muito. Primeiro porque seria daquelas situações em que depois de um dia passado no talho, ainda teria que ir desmanchar um porco quando chegasse a casa. Já paravas com as metáforas não? Depois, não me apetece e é auto evidente o que há para apontar, mesmo para quem não percebe patavina de publicidade. Seja em Portugal ou no Brasil.

Quanto à Proença do Maitêgate, é apenas triste. Triste por se dar dimensão e protagonismo a quem não o merece, quando a reacção natural seria um sorriso desdenhoso, como quando se vê o filho dos outros a fazer asneiras e pensar “Pobre tontinha”.
Obviamente não conhece Portugal, não se preocupa em conhecer e tem pouco futuro como humorista. Ofendido fica-se quando alguém faz uma ofensa qualificada, a ignorância não ofende, só choca. Vende muitos livros em Portugal? A Margarida Rebelo Pinto também e isso não quer dizer que a malta não gostasse de também a impedir de entrar em Portugal.

Quanto à Maitê, essa pode vir. Quantas vezes quiser, não faltam cá fontes para cuspir e doces que não têm barrigas de freira, não têm papos de anjo, nem sequer mil folhas, apesar do seu nome. Isto para não falar em túmulos cheios de gente morta e rios que insistem em ir dar ao mar.

Vem lá Maitê, que apesar de gostares muito de nós, ainda tens muito que aprender sobre o nosso humor.

Nem que venhas só para conhecer o Pingo Doce. Afinal de contas, eles têm sempre preços que combinam com a qualidade do teu humor.

Acredita, que é verdade.

11.10.09

A dor do dador



É bom acordar cheio de vontade de ajudar os outros. Para além de ser uma coisa que os outros não podem fazer por si próprios ou estariam a ajudar-se a sim, em vez de ajudarem os outros, pelo menos sempre é melhor do que acordar cheio de vontade de ir a correr para o WC. Em princípio....

Alucinações galopantes à parte, a verdade é que ontem acordei decidido a seguir o conselho que muita gente me dá depois de ouvir os meus fogachos humorosos ou ler o chorrilho de alarvidades que para aqui despejo: “Vai mas é dar sangue!”.

E, assim fui.
Ou...
pelo menos tentei.

A verdade é que primeiro tive que debater-me com a dúvida se seria melhor ir dar sangue da forma tradicional ou da moderna, que é ir até à porta de uma discoteca e insultar o porteiro. Como não tenho consulta no dentista marcada para breve, optei pela tradicional.
Escolher o sítio foi fácil, já que o Júlio de Matos traz-me sempre uma sensação de saudade. Depois de cumprimentar alguns amigos, dirigi-me ao sítio onde haviam alguns baldes de sangue à porta e entrei.

Era agora. Ou então não...

É natural que tenham alguns cuidados, afinal no folheto até se avisa logo que não é permitido vender sangue, pelo que tirei logo as etiquetas de preço que tinha colado a algumas veias premium. Algums perguntinhas sobre hábitos e doenças, que tipos de regabofes de sexo e drogas costumo fazer e depois, uma pergunta que me deixou um bocado a pensar (coisa rara):

Já fez sexo a troco de dinheiro ou drogas?
(felizmente não tinha lá a opção bilhetes para o circo)

Estranhei, se já me perguntaram sobre o tipo de parceiros, a regularidade e o uso de drogas, qual a necessidade de cruzar as duas. Será que há uma sala especial para quem diz sim? Ou é para facilitar marcações? Adiante.

Espera lá que a doutora já fala contigo, vê aí uma revistinha, atenção ao sistema sonoro, lá vai ele para a salinha. “Olá como está?”, “Estou bem e a senhora?”, “Está com corrimento?”, “Desculpe Dra., como disse?”, “Ranho, tem?”, “Tenho aqui, num lencinho e tudo, quer ver?”, “Deixe estar, mas tem cor?”, “Aaaaaargh!”, “Isso não é uma cor jovem”, “Pois....é incolor, com uns toques de XXXXXX (ponham uma cor da vossa preferência)”, “Pois então, adeus e até à próxima”.

E foi assim, em 1m32s, descobri que sou ranhoso demais para dar sangue. Vá lá, é temporário.

Sendo assim, aproveitei que de momento não posso dar sangue e fui enfrascar-me em álcool, drogas e ligar às cinco modelos escandinavas que referi no post anterior. É preferível juntar tudo agora, do que depois não poder dar sangue outra vez.



PS – O dia depois até melhorou. Ganhei um passatempo destinado a mulheres, fui ver a selecção sem sair de lá deprimido e soube que hoje vou à moda Lisboa. Está bonito está...

8.10.09

O prazer do regresso



Voltar de um lugar, por norma, é bom. Numa primeira abordagem mais simplista, é sinal que não se morreu por lá. Numa segunda abordagem, mais lata ou simplesmente mais parva, pode ser um sinal de um novo começo. Veja-se por exemplo:

Gajo1: Epá há que tempos que não te via, por onde é que tens andado?

Gajo2: Olha, estive em coma uns mesinhos, mas agora regressei.

Gajo1: Em coma? Epá, sim senhor. Então e como é aquilo por lá?

Com um interesse para a humanidade de cerca de grau zero, este pequeno excerto prova-nos que existem vários tipos de regresso.
Mas, confesso que para já continuo a gostar apenas de regressar de férias. Para já, mesmo que tenhamos passado as férias a ser espancados por porteiros de discotecas ou idosos em fúria, somos sempre motivo de inveja para quem ficou a trabalhar. E ai daquele que diga mal das suas férias, que ouve logo um: “Na volta preferias ter ficado a trabalhar, não?”.

Depois, regressar de férias permite um exercício de criativdade. Do género, as 38 maneiras de dizer que as férias foram boas ou aqueles chavões icónicos como “Olha, já foram” ou “Foi bom, mas acabou-se”, entre outros. Para além disso, podemos sempre mentir e dizer que fomos atacados por tubarões, violentados por 5 modelos finlandesas altamente desinibidas ou que fizemos o milagre da multiplicação dos pães, tudo isto na mesma noite, dentro de uma discoteca. O melhor é se isto for efectivamente aquilo que acreditamos ter acontecido para termos acordado nus, com uma marca de uma dentada no rabo num beco à saída de Helsínquia.

Enfim, gosto de regressar. Dá-me sempre a ilusão que vou finalmente começar a fazer alguma coisa útil para a sociedade.

E que vou deixar de continuar a escrever textos que não têm ponta por onde se lhes pegue.

Especialmente daqueles com quebra de linha a cada frase.

Sim, tipo este.

2.10.09

Friends will be friends


Sou a favor da emigração dos melhores cérebros portugueses, embora ache que era mais proveitoso mandarmos antes os mais fraquitos. Talvez lhes fizesse bem uma mudança de ares. Se não servisse de nada, pelo menos sempre tínhamos tido uns tempos livre para nós (é boa esta forma subtil de me associar aos melhores cérebros portugueses, não é?).

Aliás, o facto de ter vários amigos emigrantes deixa-me orgulhoso porque gosto de pensar neles como inteligentes e não como gente da pior espécie que só deixou o país por estar farta de mim. Isso é como querer deixar de respirar, diria mesmo.

Assim, de quando em vez, gosto de ir visitá-los, tentar distinguir se o seu sorriso amarelo é do clima ou da minha presença e ajudar a acabar com qualquer tipo de saudades que ainda tenham de Portugal.

Como sempre, sou bem recebido, até com lágrimas, para depois ser muitas vezes levado com entusiasmo até ao aeroporto, nalguns casos três dias antes de ter vôo de regresso. Por isso malta, preparem-se, está na hora de baixar estores e andar silenciosamente pela casa.

Já vou a caminho.