31.3.09

Chegado a bom Porto

Aproveitei o fim de semana do apagão para apagar do mapa um ponto de ignorância da minha parte. Vai daí, fui ao Porto, cidade aonde só tinha passado a caminho de outro sítio qualquer, o que não abona muito a meu favor, mas o facto é que o Porto também podia ter insistido para eu ficar mais um bocadinho.

Para começar, decidi que ia ficar bem impressionado com a cidade. Por isso, à cautela, orientei bilhetes para ir ver a selecção, pois ver um jogo da turma do Queiroz faz tudo o resto parecer melhor. Um nativo avisou-me também, com a devida antecedência, para ter cuidado com um tal de Andante, tipo esquisito que opera no Metro e que às vezes troca as voltas a quem só queria dar um giro. Falando em Metro, posso dizer que não se nota nada que está em falência técnica. Tem bom aspecto, tem estações com nomes engraçados para a malta se ir entretendo a ler na viagem e a senhora que diz o nome das estações, para variar, até sabe falar bem inglês.

Saído na Trindade, não evitei a emoção de ter uma banda à espera em frente à câmara municipal. Depois, ao percorrer a Avenida dos Aliados foi fácil reparar que a decoração ocasional de adeptos do FC Porto retira algum do esplendor à dita cuja. Um pormenor interessante, se não vão com alguém da zona, não perguntem na rua qual o melhor sítio para comer uma francesinha. 30 pessoas diferentes, indicam 30 lugares diferentes, com uma coisa em comum – todos são o berço da verdadeira francesinha. Por isso ou levam já uma indicação específica ou arrisquem. Foi o que eu fiz e tive sorte – Buffet Fase ao cimo da Rua de St. Catarina, um espaço com 2 m2, mas com umas francesinhas de categoria, com prémios ganhos e tudo.
Uma nota em relação à rua de St. Catarina, a concentração de dreads por metro quadrado era potente, numa espécie de Bairro Alto concentrado, mas com sotaque nortenho.

Mais umas voltinhas, com aquilo cheio de suecos (poucas suecas convenha-se), ninguém deu por isso que eu era um mouro infiltrado. O facto de eu insistir que era filho do Pinto da Costa também deve ter ajudado. Romaria então para o Dragão, com inspectores do Metro a mostrarem que aquilo do Andante não é mesmo apenas o pior nome para um título de transporte público.

Depois, o que se passou no estádio já é de domínio público e nem vale a pena bater no ceguinho. Foi merecidamente a parte mais fraca da visita. E ainda bem, porque assim fiquei com vontade de voltar a agraciar essa cidade com a minha presença. Não precisam de agradecer, eu sou mesmo assim.

27.3.09

Boleiofóbicos

Caso não tenham reparado, seja qual for o meio que utilizam para se deslocarem para o trabalho, escola, casa de strip ou acampamento de escuteiros, há um fenómeno muito comum à vossa volta – Na maior parte dos carros que circulam, lá dentro vai apenas o condutor.
Este facto leva-me a falar da ideia do car-pooling, que já não é nova. É praticada noutros países há muito tempo e por diversas razões, tendo-a até já referido aqui. Sinto-me à vontade para falar sobre o assunto porque sou daquelas pessoas estranhas que utiliza regularmente os transportes públicos e costuma andar a pé, apesar de ter carta de condução e carro estacionado à porta de casa.

O tema volta agora à baila, porque uma empresa de combustível veio lançar uma campanha sobre isso (gosto do anúncio, conheço quem o criou, mas não vou comentar as intenções da malta do pitroile) e descobri até que há um outro site tuga onde se organiza o carpool. Mas, com muita pena minha, vejo pouca esperança que a coisa pegue/resulte.



Como é dito no terminar de muitas relações, “o problema não és tu, sou eu” ou, neste caso, “o problema não são os carros, são as pessoas”. A ideia de levar duas ou três pessoas (desconhecidas ou não) no carro, ainda que em rotatividade, com claras vantagens económicas e ambientais causa ainda horror a muita gente.

Porquê? Na verdade não sei, porque não conheço a sensação de ir todos os dias de manhã sozinho no carro. Se der a mesma sensação que dava ao Fernando Gomes do FC Porto ao marcar um golo, então percebo perfeitamente e até a familiares e amigos trancava a porta do carro.
No entanto, acho que é um misto de egoísmo/medo/deixa andar. Porque não temos de aturar ninguém, porque assim não me entram tarados no carro, porque assim é mais fácil continuar a queixar-me do trânsito e do preço da gasolina. Toda a mudança de hábito exige um esforço e quando o benefício não é imediato (mesmo que se avancem 30 boas razões para o fazer) é difícil convencer o bom português.

Assim, quando depois surgem leis e imposições como taxas elevadas para entrar com um carro na cidade ou restrições semanais ao número de veículos que entram (por exemplo: num dia só entram matrículas com terminação ímpar, no outro par e assim sucessivamente), as pessoas insurgem-se. Porque é um abuso, porque os transportes públicos não funcionam, porque somos sempre nós a pagar. O que não é totalmente mentira, mas também acontece às vezes porque olhamos vezes demais só para nós e poucas à nossa volta, para perceber o que melhorar.

Um carro é ainda, por estas bandas, um objecto demasiado associado ao status, ao poder pessoal. Partilhar status neste capítulo é contraditório. Mas insistir em continuar a dar tiros no pé, também o é.
Resta saber se algum dia aprendemos a ver a diferença.

25.3.09

Vácuo Vadis



Há algum tempo atrás apresentaram-me a técnica do vácuo aplicada à vida doméstica. Embalagens a vácuo, alimentos preservados a 100% (e por muito mais tempo) a vácuo e por aí em diante. Confesso que ao princípio me mostrei renitente, até porque tinha saído do Tupperwéricos Anónimos há muito pouco tempo e não estava ainda com força para outra.

Mas quando me mostraram o que um aspirador também podia fazer em termos de vácuo (e desenganem-se aqueles que já têm um sorriso maroto nas beiças, seus depravados), não consegui resistir. Basta um saco próprio e vemos tapetes e edredons a mirrar que nem passas, poupando espaço, truques de dobragem e ajudando a matar à fome populações inteiras de traças e afins.

Gosto tanto disto que já apliquei o mesmo até aos meus avós coitaditos, que nos Invernos penavam tanto com o frio e as doenças, isto para não falar que é nas estações mais frias que os velhotes se vão abaixo. Agora, chega a Setembro /Outubro, meto os avós no saco, toma lá aspirador e vácuo e é vê-los quietinhos, prontos a irem para arrecadação até voltarem os dias mais quentes.

Recomendo vivamente isto, quer seja para avós, animais de estimação e, porque não para crianças mais indisciplinadas. Em vez de um castigo ou uma palmada, que causam sempre alguns danos, é embalá-los a vácuo no fim de semana, que ficam preservados a 100%, sem perder qualidades com a vantagem de não irem a lado nenhum e terem tempo para pensar na merda que fizeram.

Sempre a inovar, não é verdade?

April Stevens, Teach me Tiger.

23.3.09

Corridinho português


Já não é novidade que, todos os anos, milhares de pessoas se juntam para me homenagear, correrendo comigo na Ponte 25 de Abril. Na expectativa de me fotografarem a chegar, alguns fãs quenianos chegam a correr o triplo só para tentarem passar por mim isto para não falar no Sócrates, que este ano até foi de Magalhães às costas.

Modesto como sou, recuso medalhas, distribuo água pelos necessitados (à senhora de bengala, agraciada involutariamente com uma garrafa na testa, o meu pedido de desculpas) e, acima de tudo, evito entrevistas. Se toda a gente não soubesse que aquilo era por minha causa, ninguém ia dar por isso.

Mas, para além de provar que essa história de quem corre por gosto não cansa é uma bela tanga, todos os anos me delicio a descobrir e enunciar, por entre o cheiro a suor e a vista do Tejo, personagens que não faltam ao evento e só se descobrem nestas alturas. Assim, eis três destaques deste ano:

Homem-Saco – Misto de Ecoponto, MacGyver e encarnação de Baden Powell, este homem professa que para sobreviver ao frio matinal, a melhor solução é um saco de plástico gigante. Assim, basta um furo para a cabeça, dois para os bracinhos e já está, parece que moramos ao fim da rua em Chernobyl e o lixo radioactivo ganhou pernas e fugiu do contentor. És um benfeitor porque te aqueces a ti, mas através do riso também nos aqueces a nós.

Idosos Malucos do Riso – Toda a gente sabe que entre velhotes não faltam entusiastas da corrida. Talvez porque têm pouco que fazer, mas também porque assim têm mais tempo para ganhar fôlego para debitar piadas que seriam referência no seu programa de humor favorito. Depois, na única data do ano em que têm uma audiência digna desse nome é ver surgirem em catadupa dichotes tão requintados como: “Estes Filhos da Pista só empurram”, “Toca a gaita para ver se isto anda”, “Ó Chórice mete fogo nisse” ou “Ai mãezinha, hoje ainda tenho mais mulheres a correr atrás de mim”.

Atleta fluído – Este atleta tem muito para dar, desde que o possa fazer em fluídos. Acredito piamente que este atleta perca mais de 8kgs de líquidos por competição e isto só no primeiro minuto da prova. Entre um xixizinho enquanto espera pela partida, a cinco cuspidelas para uma boa arrancada, passando por 34 fungadelas para ir limpando o nariz e 172 limpezas de suor com as costas das mãos, este artista transforma qualquer corrida ao seu lado, numa luta contra marés vivas. Num dia mau, a sua fluidez pode até incluir vómitos e diarreias, mas isso é facilitismo, porque ele quer ir fluindo ao longo da corrida e não em 15 segundos de fama. No final da prova, mais importante que a medalha é retirar a tshirt e espremê-la junto de quem esteja mais distraído.

20.3.09

Dia do Pai do Blog

Pois é, este post já vem com um dia de atraso, mas se a porra do Natal também pode ser quando eu quiser, qual é o problema?
O facto é que passei o dia pensar no que diria ao meu filho se ele me ligasse a desejar um bom Dia do Pai. A verdade é que o sacana se esqueceu e o facto de eu não ter filho nenhum não devia servir como desculpa. Da minha parte, tenho a consciência tranquila pois liguei ao meu progenitor. No entanto, as caves quase não têm rede e ele sai pouco desde que tem uma nova família.

Dadas estas circunstâncias trágicas e o facto de eu ser pai de muito pouca coisa, lembrei-me do blog. Nasceu de mim, sou eu que o alimento, não se mexe se eu não fizer nada, é totalmente dependente e, convenhamos, é a minha cara chapada.
Celebro então o “Dia do Pai do Blog” dizendo-te já umas coisas, para que aprendas que a vida, mesmo que na Internet, não é só facilidades. Um dia, mais tarde, vais agradecer-me, nem que para isso tenha que ser eu a teclar a palavra “Obrigado”.

O teu pai sempre teve a mania que era engraçado, mesmo antes de haver Internet. Houve quem chamasse a essa mania ser parvo, mas engraçado é a palavra que deves reter. Cedo percebeu também que crianças com caracois têm sucesso, até porque nessa altura um tal de Marco Paulo (depois pesquisas no Google) fazia furor. Nunca teve problemas na escola, era um miúdo esperto, tirando o dia em que resolveu jogar futebol com uma pedra da calçada. Os anos ia passando e ele foi conhecendo muitas raparigas, mas nunca pensando em vir ter um blog com elas.
Não sabendo se beneficiou de um erro informático, o teu pai entrou para a faculdade que quis, no curso que lhe interessava. Mentira, o teu pai era tão metódico, que querendo entrar para aquela faculdade, meteu os cursos todos que lá havia por ordem alfabética, sabendo que depois de lá estar dentro, aquilo dava para trocar. Não julgues o teu pai por isso, até porque ninguém conseguiu fazê-lo, dado que havia um vazio legal.

Na altura, já perguntavam ao teu pai o que queria fazer, já que uma das grandes saídas do seu curso era o Desemprego (Comunicação Social, essa meca). Eu respondia que tinha pensado realmente em ser desempregado, porque é um trabalho com muito tempo livre e assim dá para fazer coisas que realmente interessam. Mas, depois explicaram-me que é para isso que também serve o período em que tiras um curso universitário. E, sendo assim, o teu pai fez o seu curso, com especialização em Borga, Matraquilhos e Escrita Criativa em Frequências.

Depois de andar na universidade, o teu pai achou que era tempo de fazer algo útil, por isso resolveu ir trabalhar, mas moderadamente para o choque não ser tão grande. E, foi por essa altura que tu nasceste. Não venhas com perguntas sobre quem é a tua mãe, porque a verdade é que és filho de três homens, pelo menos inicialmente. Não foste devidamente planeado e dois puseram-se ao fresco, ficando eu sozinho contigo nos braços. E olha que eras bem ranhoso. Fica no entanto a saber, deves o teu nome ao Sérgio Leone, ao Clint Eastwood, ao Eli Wallach e ao Lee Van Cleef. Mas nem penses em sacar-lhes dinheiro.

Ao longo do seu percurso profissional, o teu pai continua com a mania que é engraçado e tu vais-lhe apanhando os tiques todos. Vai-se safando, com categoria e falinhas mansas, mas com franqueza acho que não vais ter o mesmo futuro brilhante. É que parte do trabalho do pai é criar expectativas e necessidades falsas às pessoas e eu não vejo a necessidade de fazer o mesmo contigo.

Deves é saber que o teu pai gosta de ti, mesmo que não saiba porquê e, se tudo correr bem, e ele conseguir continuar a convencer pessoas que tem piada sem se esforçar, tu vais estar sempre no seu coração ou, em alternativa, no seu portátil.
Por isso, filho, continua assim, que és tal e qual o pai, e não ligues às pessoas que por esta altura já dizem que estás grande e chato comó caraças.

18.3.09

Boca do Inverno


Então malta jovem essas tardes invernosas? Esses serões enrolados numa manta a ouvir chover lá fora? Esse bafo de frio mal põem um pézinho fora da porta? Tudo caladinho que nem um rato não é verdade. Pode ser que isto seja uma partida de Deus a S.Pedro, dando-lhe Alzheimer para o senhor não encontrar as chaves e depois deu nisto. Atenção, não fui eu que disse isto, foi a Alexandra Solnado que me ligou a dizer que o JC ontem estava imparável nas SMS’s.

A verdade é que, caso não tenham estado ultimamente em coma ou a tentar hibernar, já repararam que este Inverno, ou melhor, esta anedota de Inverno não tem muita piada. Para já, obrigou centenas de agricultores a reescrever argumentos e petições para subsídios. As palavras geada, chuvas fortes, enxurradas e precipitação e necessidade de subsídios vão ter de ser substituídas por expressões como calor, seca intensa, aridez e extrema necessidade de subsídios.

Depois, um tempo assim é um incentivo ao aumento do desemprego. Com mau tempo e frio a malta ainda pensa – coitadinhos dos desempregados lá fora ao frio, ainda bem que tenho um emprego quentinho. Com tempo de praia em Fevereiro/Março uma pessoa olha lá para fora e pensa – Sorte é quem recebe subsídio para ir para a praia e eu aqui encaixotado neste emprego que parece um Inferno.

Depois, não são só as andorinhas e restante bicharada a andar desnorteada. Já foram vistos jornalistas em vôo picado contra paredes, outros a tentarem atravessar avenidas com sinal vermelho, tudo fruto da desorientação. Pudera, nesta época do ano estão habituados a ir cobrir histórias da senhora que ficou com a casa inundada, da família que vive ao frio sem tecto ou moldavos que bebem e vão desafiar as vagas gigantes de Inverno. Com este tempo, levam com incêndios, malta a bronzear-se na praia e moldavos que bebem e aproveitam o bom tempo para desafiar as vagas gigantes do Inverno. Não há orientação de linha editorial que resista.

E, no meio disto tudo, o Al Gore, ninguém o vê a vir cá filmar isto pois não? Pudera, deve estar no Algarve a dizer umas verdades inconvenientes a umas suecas desinibidas.

Arcade Fire, Neighborhood #3 (Power Out)

16.3.09

Yes you can-ivete



Antes de mais, o título deste post é apenas um trocadilho miserável e não uma linha de engate num qualquer bar de alterne citadino. A verdade é que nestes últimos dias me tem cheirado um bocado a requentado, mas não sabia se tinha a ver com o mix torreira de inverno-falta de desodorizante à minha volta ou se vinha aí alguma surpresa do fundo do baú.

Pois que parece que ambas as premissas eram verdade, já que não só tenho tido encontros imediatos com gente que sofre de sudações de terceiro grau, como tive oportunidade de verificar que vai efectivamente haver uma adaptação cinematográfica do saudoso/mofoso MacGyver.

A minha primeira reacção foi de susto. Depois, já mais calmo, foi de horror. Primeiro só conseguia pensar no penteado do Richard Dean Anderson, que era como que um misto de rato electrocutado e extremo direito do Sacavenense. Depois pensei quem de raio tirou o pobre Mac (não confundir com Mak) da tumba, 17 anos depois da série acabar. Tudo bem, foi engraçado, era um regabofe na sua época, mas fazer uma adaptação moderna da coisa, hummmm. Já me cheira outra vez a requentado.

Mas, vendo bem as coisas, ressuscitar um tipo que aproveita um pau, um cubo de gelo e duas pilhas de 1,5volts para criar, por exemplo, um Cavaco Silva, é uma boa ideia para moralizar o povo em tempos de crise. Especialmente se o filme for integralmente rodado com dois rolos de película aderente, uma câmara frigorífica e três cactos do México como elenco.
Pelo menos ficam a ganhar ao original em termos de profundidade de representação.


PS – Dão-se abracinhos (ou abraços viris) a quem identificar a perua que se destaca também na arte do penteado ao lado do MacGyver.

13.3.09

Jesus foge da ira do Pai



Defendo que uma legenda vale mais que mil imagens. Senão, vejamos esta que acompanhava esta fotografia que recebi por email há dias:

Jesus Cristo foge do local do acidente, depois de espatifar o barco do pai

Não é minha a piada, mas que nunca se diga que eu não sou um democrata do humor.

12.3.09

Olé Torino


Para ver que neste espaço o Clint Eastwood tem créditos, não é preciso ser vidente. Aliás, foi essa parcialidade que ajudou a que este blog tivesse o nome que tem, depois de uma apertada corrida com nomes como “Staff Ermo”.
Por isso, depois de visto o Gran Torino, nem me vou gabar do facto de ter tido a oportunidade de o ver antes da estreia (ops), ou vir para aqui estragar o cenário.

Tem exageros, uns ligeiros pormenores dispensáveis, mas o facto é que prefiro ver o Clint visto pelo Clint a qualquer Angelina Jolie de oferta, por isso não há Troca possível. Tomara eu chegar à idade do senhor e conseguir distinguir entre o tapete da sala e a sanita. Por isso, ide ver minha gente e mesmo que não saibam distinguir um Ford Gran Torino, de um Kangoo não há problema. Se tudo correr bem, vão sair à mesma com uma vontade de rosnar e a agradecer-me por não terem ficado em casa a ver o DVD dos Teletubbies.

11.3.09

#Sit down for a minute

Ontem participei num dos eventos mais estranhos da minha vida, depois de um comício do PS em Algés que contou com as participações do Toy e os Ena Pá2000 e, um pouco mais tarde, da PSP.
Como já mencionei em posts anteriores, tratou-se do primeiro show de sit down comedy no Twitter e ainda bem que estava sentado, porque senão tinha ficado com cãimbras. Mais nas pernas do que na barriga. E, como coisas no universo a la David Lynch não se explicam, vivem-se e finge-se que se percebeu alguma coisa, digo apenas EU ESTIVE LÁ.

Assim, para vos mostrar que efectivamente tenho problemas que não vão lá com medicação, deixo-vos as minhas piadas oficiais do evento, já que as não oficiais são tantas que seriam para aí equivalentes ao resultado de quatro Bayern-Sporting.

- Quero começar por saudar o Bruno Nogueira porque nunca pensei que ele coubesse num formato tão pequeno como o Twitter

- Ocorreu-me que o Twitter está feito à imagem da economia portuguesa. Toda a gente só fala em apertar o sucinto.

- Tenho um primo agarrado que só pensa em entrar para a Força Aérea desde que soube que lá têm aviões com assentos injectáveis.

- Já tentei engatar uma miúda no Twitter, mas ela acusou-me de falta de caracteres

- Quem gosta de tecnologia tem um BlackBerry, eu que sempre gostei de Tecnotronic tenho um Neenah Cherry

-Última Hora - Um homem armado fechou-se na cantina de uma escol e, ao que parece, fez um refemtório

- Eu queria muito ser astronauta, mas sempre adorei danças de salão. Por isso é que me inscrevi nos Alunos da Apollo13

- Aliás, tenho uma veia tão artística que outro dia aleijei-me e fiz uma Ferida Kahlo

- Ontem acabei uma relação tão complicada que hoje tive de tomar um epílogo do dia seguinte

- Dada a situação bancária em Portugal, alguns dos visados em processos já se ofereceram para organizar o próximo Festival da Caução

- Há que elogiar o TVI24 por manter um dos principais atractivos da TVI. Afinal de contas, o botão de desligar é no mesmo sítio


E, tal como digo ao banco todos os meses, assim se foi a minha prestação.
É coisa de gente doente não é?

10.3.09

Escrever linhas direitas sobre mulheres tortas

Gostaria de começar este apontamento pelo início, por isso pode ser ali --→ Fui questionado por uma leitora sobre o facto de não ter mencionado o dia da Mulher e decidi responder, mostrando porque fui eleito Mr.Falinhas Mansas em 2003 e 2007.
Minha cara, se eu tivesse a necessidade de distinguir o Dia da Mulher dos outros dias, significaria que não andaria a tratá-las com o devido requinte diariamente e, como tal, estaria a compensar qualquer coisa em falta. Além disso, passei o Domingo a cozinhar, a lavar a roupa e a arrumar a casa, porque ela só pensa nela, em estar com as amigas e em ver decoração e moda na TV e... Perdão, isto de fazer de vítima é entusiasmante.

Como forma de realçar esta minha preocupação com o mulherio, gostaria de lançar o seguinte alerta – Trabalhando eu num edifício repleto de business women é vê-las caminhar curvas, mas decididas, face ao peso do portátil que levam aos ombros.
Percebo que uma mochila tire aquele glamour cinzentó executivo e que um portátil mais pequenito perca nas comparações de tamanho com o dos homens mas, minhas amigas, será que daqui a uns anos compensa ver os putos a dizer aos amigos que a mamã é aquela das costas em S ou ouvir um pretendente amoroso a dizer “Não me interessa que sejas marreca, o Quasimodo também foi feliz com a cigana”.

Por isso, estimadas senhoras, deixem lá o portátil no sítio certo e vão ver que, quando o lombo está aliviadinho. é mais fácil ver o cenário mais à frente.

9.3.09

Novelório

Depois do último episódio nas Olaias, quem é que vai voltar a ver a Vila Faia?

Sem rede

Foi lançado um modelo de telemóvel que promete resistir a tudo, inclusive deficiências de voz - o Nokia Balboa.

Ontem deixei o telemóvel no bolso do casaco e só dei por isso quando recebi uma chamada de atenção.

Quando o telemóvel vai abaixo descarrego sempre na bateria.

A caminho do Twitestágio


Para quem ainda não prestou muita atenção, naquela barrinha do lado direito em que vão chovendo alarvidades está uma cena pós-moderna a que se convencionou chamar Twitter. Uma vez que não tenho tempo, pachorra e, acima de tudo, conhecimento para vos explicar para o que aquilo serve, fiquem apenas a saber o seguinte:

Se gostas de alarvidades, bitaites no ponto e em directo e, ocasionalmente, humor que até parece inteligente, amanhã tem lugar no Twitter, pelas 22.30, um “Espectáculo de Sitdown comedy”. O que é essa trampa? Podem descobri-lo aqui, mas parece que há hipóteses de eu entrar nisso, nem que seja para baixar a média de qualidade do humor. Se não entrar, não só ficam melhor servidos e ficam a saber que fui eu que disse.

Tendo em conta este cenário, sinto-me na necessidade de entrar em estágio e dimensionar a minha mente (ou o espaço a ela destinado) para pensar em 140 caracteres. Disse “pensar”? Desculpem, não vos queria ofender.

5.3.09

Para alguém muito espacial



Nesta simpática manhã, onde desfrutamos daquilo a que no Bangladesh chamam uma aragem, fui assaltado por estes pensamentos nos semáforos:

Será que estamos a desenvolver telescópios, sondas e robots cada vez mais potentes para descobrir sinais de vida inteligente noutros planetas, porque já desistimos de procurar no nosso?

Será que o facto de não a conseguirmos encontrar não é prova suficiente que ela existe?

Será que se um dia os descobrirmos lhes vamos dar direitos de antenas?

Será que se não agasalharmos bem os nossos astronautas, eles se arriscam a apanhar uma constelação?

4.3.09

Gozar é Feo

Neste blog também se fala de futebol e, quando se fala, chamam-se as coisas pelos nomes, e o nome neste caso é Feo, mais precisamente De Feo. Segundo descobri, enquanto fazia uma sopa e tentava distinguir o que era alho francês e o que eram os meus dedos, existe uma equipa em Itália, criada por um antigo jogador da Serie A - Maurizio De Feo, cujo o nome é... Team DeFeo.

Ora podíamos pensar que estávamos na presença de um copycat que, sabendo que autarcas de nomeada estilo Avelino Ferreira Torres deram o seu nome a tudo (do banco de jardim ao ecoponto), resolveu fazer o mesmo. Mas não, o tipo leva a coisa mesmo a sério e da sede do clube ao corpo técnico, da direcção a todos os jogadores do plantel, todos têm um elo em comum – têm como apelido DeFeo.

Podia começar aqui a apontar o dedo, mas toda a gente sabe que isso é Feo. Por isso, vou limitar-me a imaginar uma picardia entre dois Feos num treino:

Feo nº1 – Epá, tu deves ser o gajo mais Feo da equipa.
Feo nº23 – Eu?? Nunca vi tipo tão Feo como tu.
Feo nº1 – Feo é o teu pai ouviste?
Feo nº23 – Mais Feo do que o teu não deve ser...
Feo nº1 – Olha lá que vem aí o mister.
Feo nº23 – É mesmo Feo o gajo não é?


Ugly Kid Joe, Everything about you

2.3.09

O Surreal da canção

De certeza que o pessoal satírico com mais aspirações intelectuais (ou menos sono) está concentrado no congresso do PS. Até eu pensei usar 23 segundos do meu domingo para retirar o essencial do Socratródomo, mas desde sábado à noite que tenho os ouvidos a zumbir. Quem me manda a mim, ano após ano, continuar a pôr em risco a minha saúde para espreitar o Festival da Canção. Bem, vou fechar os olhos e repousar os pés no Murtosa que o Scolari me pediu para guardar até ao Verão, enquanto lhe dito as próximas linhas.

- Gostei muito do medley com que a RTP nos presenteou, com figuras actuais dos seus quadros ao lado dos vencedores passados do Festival. Não chegou à risota que foi quando desloquei o ombro mas andou lá perto, especialmente com um João Baião “mascarado” ou de José Cid ou de espanador.

- Acho que a clonagem da Sílvia Alberto em Catarina Furtado II está quase completa. Só falta mesmo exportá-la para o Darfour ou outra localidade que já não tenha nada a perder.

- Em termos de concorrentes, o Festival parecia um misto entre o Lost e o Sobrenatural. Não faltaram almas penadas e mortos vivos, gente que lá foi parar por acidente, vítimas de possessão (vide Obama a falar pela boca da Luciana Abreu) e todo o tipo de fenómenos paranormais.

- Particularizando um pouco os temas (chamar-lhes músicas parecer-me-ia abusivo). A Nucha voltou e atacou uma faixa tipo os Evanescence depois de irem ao microondas e sairem de lá todos encarquilhados. No entanto, pouco liguei à música em si, pois o careca anafado com gabardine de cabedal e guitarra teve em mim o efeito cobra capelo. A Romana deve ter ido viajar e no aeroporto obrigaram-na a tirar o metal todo que tinha na cara. Não percebi se o tema era clássico, fado ou apenas uma congestão. As Tahiti voltaram e só essa notícia foi penalizadora demais para falar do resto. Apareceu também uma senhora de nome Eva Danin – cara amiga, se esse é o seu nome verdadeiro, aceite um abracinho de consolação. Se é nome artístico, talvez queira repensar, já que o lote de artistas que progrediu na carreira com nome de planta mal afamada é escasso. Tente talvez Eva Lente ou Eva Rina. Do lote de pintas, ex alunos e concorrentes a aspirantes a artistas não vou falar, pelo que sobram só mais dois.
A Lucybella apostou na globalização e a mensagem de dedicatória do seu tema assim o indicava “Dedico ao mundo, aos pobos de todas as nações, porque raça há só uma, a humana” (esquecendo-se da Tertúlia Cor-de-Rosa). Alheando-se também do facto que o Carnaval já acabara, trajou de barrica de ovos moles, com alguns figurantes da Cité D’Or atrás de si. O tema era lamechas, o que já era esperado, mas aquele “Yes We Can” ali metido à pressão vai certamente custar-nos a demissão do cão de água português que ia a caminho da Casa Branca.
Restavam o Flor-de-Lis, menos ofensivos musicalmente falando, mais discretos, mais normais, mais desconhecidos. Ou seja, tinham tudo para sair dali sovados e a irem comer um prego ao Galetto antes de fechar. Mas não, ganharam para grande insatisfação da Lucy que foi vista a bater na mãe, que é como quem diz, a dar pontapés numa figueira.

- Algumas notas: 100€, 20€, o gajo que fazia reportagens nos bastidores era daqueles que merecia um prémio pelo seu empenho e piada. Tipo a caixa de uma carrinha frigorífica para ir viajar até ao fundo do Tejo. A eleição da “Senhora do Mar” como a melhor música de sempre do Festival prova que não se devem deixar telemóveis com muito saldo nas mãos das crianças e que o Alzheimer está prestes a pedir nacionalidade portuguesa. Havia mais lugares vagos na audiência do que no bingo de Alcântara. Ressuscitar os júris distritais trouxe a felicidade de volta a gente por Portugal inteiro. Mais precisamente aos perto de 18 que puderam ter os seus dois minutos de fama a debitar pontuações, tendo apenas para isso que sofrer com a Sílvia Alberto a debitar chavões sobre a sua terra.

A terminar, sofri a bom sofrer, mas foi sofrimento com gosto. Afinal de contas, custa muito menos acabar de joelhos depois de duas horas de festival, do que ir de joelhos a Fátima para ouvir lá sempre a mesma cantiga.