26.2.09

SpamAníbal

Tendo eu resolvido escrever sobre um tema ligeiramente cibernético, pensei que seria adequado encarnar o personagem e fazer passar-me por geek vintage. Sob o risco de morrer sufocado, apertei o colarinho da camisa quase até às orelhas e arranjei uns óculos com uma graduação próxima do telescópio Hubble, Depois de ter passado quinze minutos a teclar na máquina calculadora, vi que o texto não estava grande espiga, mas pelo menos tinha descoberto como é calculado o orçamento de Estado.

Mas, porque o assunto é sério, deixo-me de macacada e passo à vaca fria, sem no entanto ter usado o termómetro no sítio que é habitual para atestar o facto. Recebi ontem via Startracker, uma rede de talento português assim armada ao selectiva, uma mensagem do nosso PR, um tal de Aníbal Cavaco Silva. Eu sei, é chocante, pensam vocês, como é que este gajo está numa rede de talento, quando nem sequer com uma rede de pesca o imaginamos a fazer boa figura. Passo a explicar, gajos como eu em redes como aquelas servem apenas para provar que todos os sistemas são falíveis e uma ovelha negra de recursos safa-se sempre.

Mas, voltando ao tio Aníbal. Primeiro que tudo, eu pensei que isto apesar da minha presença era selectivo. Pelos vistos qualquer gajo da Função Pública lá põe os pés e isso nunca é um bom princípio. Segundo, como podem ver na imagem, as palavras: Empreendorismo e Diáspora são usadas no subject da mensagem. Como é que isto passa no meu filtro de spam é que eu não percebo, pois certamente estas palavrinhas deviam estar activadas nesta rede, tal como “Enlarge your talented penis”.

Analisando mais profundamente a mensagem, basicamente o Aníbal quer convencer-nos a participar e a divulgar um prémio, disfarçando a coisa com palavreado caro, que deve com certeza ter sido pago pelos nossos impostos. Do que é que isto difere de um mail do Sr. Ahmed Zogo que nos quer dizer que ganhou um prémio e quer partilhá-lo connosco ou que vencemos a lotaria do Burundi? Muito pouco, tirando que o Ahmed ganha credibilidade ao, sabiamente, optar por não colocar uma foto sua nas mensagens que envia.

A parte final também é interessante: “Can you help Aníbal?”, “Contact Aníbal directly sending him a private message”. Em relação à primeira, para além da ironia de nós é que estarmos a safar o tipo que é o cabeça de cartaz em Portugal, pensei que tinha ficado bem definido há já algum tempo que eu ao Aníbal só ajudo a levar as malas até ao aeroporto caso decida emigrar. No que toca à segunda, o Aníbal manda para toda a gente e nem sequer personaliza a mensagem, do género “Epá Mak tu é que eras um gajo valente para motivar a malta valente da Diáspora a não esconder que afinal até são de Portugal”, mas depois quer batatinhas em privado? Ele que vá mas é para o Orkut sensibilizar moças desinibidas.

O que é giro é que parece que isto da Presidência afinal dá pouco que fazer. Eu pensei que entre recepções, visitas de Estado e o jogo da malha sobrava pouco tempo, mas pelos vistos dá para Facebook, Twitter, Startracker e ninguém me convence que aquela ruiva boazona do Second Life não era ele.
Ah e tal, tem nas mãos o destino da nação. Pelo que se vê ultimamente, acho que já está é a dar o Portugal real como perdido e a afogar as mágoas no virtual. E quem se lixa somos nós, que já tíhamos chegado cá primeiro...

23.2.09

A vida são dois dias, o Carnaval três e estas perguntas são cinco

Para quem, como eu, achou que divertido, divertido era esta 2a mascarar-se de trabalhador, há algumas questões na ordem do dia:

a) Há ainda quem sofra para ver os Óscares em directo? Eu já fui entusiasta, continuo fã do cinema, mas as transmissões da TVI têm em mim o efeito da Mosca Tsé-tsé.
b) Os críticos/entendidos de cinema na televisão, muito em voga em época de Óscares, têm que ter maioritariamente ar de quem esteve dentro máquina de secar tempo a mais e falar de forma estranha? Ou aquilo é um efeito secundário de passar horas a mais ás escuras numa sala ou há malta dessa que é, no mínimo, bastante afectada e cultiva isso mesmo.
c) Porque é que marmanjos pelo país inteiro no Carnaval insistem em mascarar-se de mulheres quando podiam tentar fazer passar-se por homens, para variar?
d) Quando é que as pessoas se apercebem que no Brasil é Verão e cá é Inverno e o Carnaval não isenta do uso de camada de roupa adequada para não termos desfiles de gajas trajando bonita pele de galinha e numa forma que faz, em muitos casos, o Nicolau Breyner parecer um tipo de bom porte?
e) Porque é que boa parte dos meus colegas não acha piada à minha pergunta matinal “Então, mascarado de urso hoje?”.

Deixem-se lá de conversetas sobre os Óscares e ponderem mas é estes temas vitais para actualidade para lá do Freeport e da casa na Rua Castilho.

Tomem lá folia – Jorge Ben Jor, Taj Mahal (adivinhem quem teve pagar pelo plágio deste tema)

20.2.09

As coisas a que este blog dá origem

Por norma, no email electrónico que criei para este espaço (mak_omau@yahoo.com.br) recebo maioritariamente um lote de mensagens banais, como por exemplo ofertas milionárias para publicar os meus escritos, agradecimentos emocionados por ter dado sentido à vida de alguns leitores ou escaldantes propostas de encontros com modelos escandinavas e uma ou duas cabeleireiras de Rio de Mouro.
Como isso é não é nada a que não esteja habituado, normalmente não presto muita atenção. No entanto, alguém me enviou hoje um bizarro vídeo feito ao som da actual banda sonora aqui do burgo.
Visto que os dedos em causa não apresentam um índice de sujidade compatível com a maior parte das pessoas que conheço e, como não havia uma explicação adicional, resolvi publicá-lo na esperança de obter uma qualquer proposta explicativa.

Quero contudo avançar que não conheço nenhum tipo de agenciamento artístico na área do entretenimento que é exposta, nem acompanhamento clínico adequado. Mas, pensava que mais apanhado do que eu por aqui não havia.


19.2.09

Se é só para fazer bonito, há que escolher bem o elenco

É certo e sabido que não faltam por aí elementos de fachada e também de chachada nos Governos em particular e no nosso em geral. Sabendo isso e sabendo também que em certas áreas, como a Saúde, Educação ou Finanças é impossível arranjar alguém que não vá ser alvo de críticas (nem mesmo Jesus Cristo, se fosse nomeado se safava), porque não equilibrar noutras áreas.

O tio Berlusconi, a quem se pode chamar muita coisa menos parvo, resolveu isso o ano passado, ao nomear a Sra. Dona Mara Carfagna para Ministra da Igualdade de Oportunidades. Não sei bem que tipo de oportunidades estavam em causa, mas o facto é que ter uma ex-modelo/apresentadora/gaja com atributos no Governo melhora logo a fotografia, mesmo que não faça efectivamente nada, como tantos outros. É o chamado Efeito Máximos na Tromba.

Supondo eu que o nível de audiências por queixas de desigualdade de oportunidades tenha subido drasticamente em Itália, não faltará agora quem, depois de saber disto, se vá queixar ao Sócrates (ou ao tio) de que nós também devíamos ter uma oportunidade de ter uma ministra assim, em vez do festival de carcaças e carantonhas que por cá andam.

Por isso, enquanto dá uns açoites a membros da família mais incautos, vá pensando que em ano de eleições é capaz de ser boa ideia arranjar alguém com essas capacidades, para criar outro tipo de calores quando se fala em Governos. Ah e escolha com alguma qualidade e requinte, porque se for para nomear espécimes de quinta categoria tipo Carla Matadinho, então mais vale estar quietinho, para que a coisa não se torne extra-ordinária.

17.2.09

Aviar porrada no avô

Já se sabe que vivemos num mundo cada vez mais violento e que uma criancinha hoje em dia vê mais gente a ser morta, entre noticiários, filmes e jogos do que come peças de fruta.
Também já se sabe que o wrestling é uma novela para marmanjos, pequenos e graúdos, que permitem aos miúdos aprender, ainda com tenra idade, os efeitos dos esteróides, dos maus cortes de cabelo, dos implantes de silicone exagerados e, acima de tudo, de uma boa dupla patada (Tarzan Taborda dixit) nos costados do avô.

Atenção, eu até acho alguma piada aquela macacada, mas também já tenho idade para saber que atingir o vizinho com uma barra de ferro na cabeça não é aconselhável. Tirando se ele voltar a fazer uma festa até às 4 da manhã durante a semana.
Sim, eles avisam “Não façam isto em casa”, o “Isto são atletas profissionais, pouco espertos, mas profissionais”, etc. Mas toda a gente sabe que esses avisos nos putos passam logo mal apareça um sítio alto para um gajo se atirar para cima do outro.

Solução?

Cabe aos pais terem que fazer os papeis de maus da fita. Literalmente. Por cada miúdo entusiasta do wrestling tem que haver um pai disposto a pôr uma máscara elástica e uma calcinha de lycra e fazer-lhe um assentamento de espáduas á séria para ele perceber que se calhar ainda não percebe bem no que se está a meter. Além disso, há que aproveitar enquanto os dentes são de leite minha gente, para dar valiosas lições de vida.

É que a malta do wrestling não brinca. E com brinquedinhos como este, de nome simpático e boneco bem bonito, não tarda nada encontram, na melhor das hipóteses) o gato ou o primo da terra preso às cordas da roupa (e olhem que a história das sete vidas não está cientificamente provada, especialmente no caso do primo).



Quincy Jones - Soul Bossa Nova

16.2.09

Save the pêlo



Depois de um fim de semana certamente cheio de coisas melosas, é chegada a altura de vos despertar a atenção para um problema realmente grave – a caça ao pêlo.
É certo que quando são os pandas, as focas bebé, os tigres, os papagaios loiros de bico doirado, toda gente fica muito comovida e promove lutas, estratégias de preservação, etc e tal para salvar os coitadinhos. Quando é o pêlo, já vale tudo para acabar com eles.

Depois de milénios ao nosso lado, a proteger-nos do frio, a fazer-nos passar por tigres dentes-de-sabre ao longe e a reduzir diferenças entre homens e mulheres, nós mostramos a nossa gratidão pretendendo erradicá-los a todo o custo. É verdade, não estão na moda, mas será isso motivo para legalizar tudo quanto é arma de caça de grande porte? É que dantes ainda íamos fazendo pequenos controlos de população pilosa, mas agora ele é laser, é foto-depilação, é bombardeamento dermonuclear, ou seja, tudo quanto é exterminação definitiva. Ainda por cima em qualquer esquina se encontra um traficante de armas anti-pêlo e cada vez mais homens e mulheres dispostos a aderir à causa.

Meus amigos, obviamente ninguém aprecia um bom bigode feminino ou umas costas alcatifadas, mas é preciso estudar soluções, porque o que muita gente está a fazer não tem volta atrás. E o Toni Ramos não fica cá para sempre. Depois queixem-se que já não há como passar a mão pelo pêlo ou que, de futuro, só se pode chegar a roupa à pele.
Ao menos que se estude a hipótese de se criarem reservas naturais para malta peluda, senão daqui a três gerações os miúdos não acreditam. Obviamente podem andar vestidos, apesar de ninguém dar pela diferença...

13.2.09

Um Bazar nunca vem só

Ah pois é, sexta feira 13 e véspera do Dia dos Namorados. Aposto que estavam à espera de um post sumarento, especialmente com matéria prima desta à solta.
Mas, azarito, tenho que estar a empregar os meus dotes de entertainer noutras frentes, mas prometo voltar com um report especial na próxima semana.

Antes que as vossas lágrimas ensopem o teclado e tenham problemas com a garantia, deixo-vos um pequeno mimo. Uma pérola do mundo musical que, acreditem ou não, chegou ao top20 no Reino Unido. No entanto, não pensem que esta prenda minha é só um aviso e que amanhã levam um ramo de flores e chocolates. Não se orientem por vocês que ainda acabam o dia a ouvir o "All by myself" da Celine Dion.
E isso, meus caros, é pior que qualquer sexta-feira 13.

11.2.09

Mak & Duca 2 - Tira Indiana

Depois de ter visto o resultado final da primeira tira, esta artista do boneco só precisou de duas semanas de medicação e álcool para voltar a aceder a fazer nova parceria. Os resultados, assim como a desgraça, estão à vista, pelo que só espero publicar nova tira lá para Agosto.

E agora, tandoori que se faz tarde.

9.2.09

Roupa de estimação, essa fiel amiga



Tirando os maluquinhos que renovam guarda roupas inteiros como quem come um pires de tremoços ou os extremistas do nudismo, raras serão as pessoas que não têm uma ou mais peças de roupa de estimação.
Não é preciso pensar muito, no meu caso, para me lembrar de duas ou três tshirts que já deviam ter metido os papeis para a reforma ou terem começado a aproveitar a velhice para experimentarem actividades radicais, como por exemplo o trapismo.

Mas, lá vão sobrevivendo mais coçaditas, longe da glória da estreia, mas sempre muito práticas para uma qualquer ocasião que não ofenda a moral pública. Se formos a pensar bem, devem haver pessoas que têm mais peças de roupa com 10, 15 anos ou mais, só porque gostam mesmo delas, do que amigos de tão longa data.

Eu até percebo a coisa. A roupa não nos desaponta, não falta ao prometido e, se não lhe ligarmos nada durante muito tempo, ainda assim está sempre disponível mal lhe demos um toque. Quer a malta engorde ou emagreça, ela é paciente e não se ri, mesmo que esteja a rebentar pelas costuras. Enxuga as nossas lágrimas se formos ter com ela quando estamos tristes, mas também aceita a nossa baba, quando somos porcalhões.
Ok, não nos empresta dinheiro, nem vai ter connosco se estivermos enrascados ou em baixo, é verdade. Mas, coitadinha, sem nós também não vai a lado nenhum e a etiqueta, ao fim de tantos anos, já deixa alguma coisa a desejar.

Até face aos animais domésticos a roupa de estimação revela algumas vantagens ao longo dos anos. Sobrevive à máquina de lavar e ao ferro de engomar com mais facilidade e, quando a levamos à rua, não arranja confusão com a roupa das outras pessoas. Além disso, a conta da 5aSec é, por norma, mais baixa do que a do veterinário.

Visto tudo isto, com o Dia dos Namorados aí à porta, quer tenham cara metade ou não, o mínimo que lhe podiam fazer é irem com ela jantar fora ou oferecerem-lhe umas bolas de naftalina.
É que ela pode até nem ter sentimentos mas, por baixo desse pijama do Mickey, dessa camisola onde reina o borboto ou dessa tshirt das Bananarama devia bater um coração, seus desnaturados.

6.2.09

Trava línguas do Séc.XXI

Para grande parte das pessoas, raras são as deficiências ou falhas próprias que gostem de referir em tom divertido ou sequer mencionar em voz alta. Isto se não contarmos com os trava línguas.
Esse tipo de expressões continua a fazer o encanto de miúdos e graúdos, que repetem até à exaustão frases que dão origem a muito cuspo e gafanhotos, engasganços, competições de erros e à glória eterna daqueles que superam tal desafio fonético.

Sendo uma actividade histórica e pouco renovada, o trava línguas peca no capítulo da inovação, ficando muito preso ao passado e dando às crianças poucas referências que as levem não só a cuspir-se todas, mas também a aprender um pouco sober o contexto histórico da actualidade. Senão vejamos dois exemplos antigos:

O rato roeu a rolha da garrafa do Rei da Rússia.
Um tigre, dois tigres, três tigres.


No primeiro, para além de estarmos a falar de um qualquer lugar muito longe das regras sanitárias exigidas pela ASAE, utiliza-se um título monárquico que não existe na actualidade e omite por inteiro os efeitos da Revolução Russa que caminha a largos passos para se tornar centenária.
No segundo, a este ritmo, será muito difícil para algumas crianças daqui a uns anos poderem ver um tigre ao vivo, quanto mais dois ou três. A perspectiva de estarmos a divulgar um cântico de traficantes de peles de animais também não melhora a coisa.

Estando atento às necessidades do povo, mesmo que não admitidas por este, apliquei algum do meu tempo para criar um novo trava línguas, mais actualizado e passível de ser ensinado por pais mais modernos aos seus filhos, mantendo intacta a festa de cuspo e javardice inerente ao tema em si. Assim sendo, olhai, memorizai e ensinai as gerações futuras com esta pérola:

O Mullah Omar vai mandar o molar ao mar.


Contexto histórico actual, preocupações de saúde e um certo misticismo na atitude de Omar que, apesar de ter um dente a menos, entrega-o nas mãos do destino, em vez de se lamentar do facto.
Não precisam de agradecer, a estupidez é gratuita.

5.2.09

Onde é que já vai o Millenium



Numa altura em que as séries televisivas em DVD, recentes ou recuperadas, assumem o papel das novelas dos tempos modernos chegou-me às mãos um clássico, via Amazon, que tenho na mais alta consideração.
Trata-se de Millenium, da autoria do Chris Carter, aquele senhor que se lembrou de em tempos criar uns tais de Ficheiros Secretos. Apesar de ser esta última a série que lhe deu fama e prestígio, vejo no Millenium (que decorre paralelamente aos X-Files, em termos espaço-temporais) uma série mais madura e mais intensa, ainda hoje actual e onde quase tudo o que se pede numa série bate certo.

Começando pelo genérico da 1a série, onde o grafismo e a banda sonora do parceiro habitual do Carter, o Mark Snow convivem com muita qualidade, pelo cast na mouche do Lance Henriksen como Frank Black o ex-profiler do FBI, pela cor e contrastes proporcionado pela escolha de Seattle para local da série (apesar de ser filmado maioritariamente no Canadá) e acabando no mais importante, no argumento/enredo.

A série já tem mais de 10 anos e obviamente tem falhas (o meu ódio de estimação é a mulher de Frank Black, retratada de forma compreensiva e "carneirinha" demais para um mundo real), mas para quem gosta da temática policial/fenómenos psíquicos, ou só anormais, aqui se vê um retrato cru que mostra muito mais as ilusões/profundezas da mente humana, inclusive no que tem de mais perverso, do que se ficar por explorar o filão do fantasma ou do ET. O mundo não é cor-de-rosa, as pessoas não são todas boas e convivemos com a angústia e o desconforto mais do que queremos.
A evolução da série também está pensada para nos envolver, partindo da base dos casos, até à compreensão gradual e mais detalhada dos personagens principais e ao desenvolvimento de factores que os rodeiam. O fim, apesar de aberto e até um bocado abrupto, mistura a insatisfação natural de quem acompanha uma série e querer ficar com tudo arrumado, com a vantagem de não haver aquele fim empacotado em que se pretende dar uma conclusão/resolução de toda a gente, tipo novel.

Sim amiguinhos, sou faccioso, gosto mesmo desta série mas, caso não conheçam, fica a minha recomendação para intervalarem com a série do Babar, os Sexo e a Cidade de Grey, os Dr. Houses que estão Lost, os Duarte&Companhia, etc.

Se não gostarem, pelo menos aprenderam alguma coisa sobre vocês – têm mau gosto.

4.2.09

Na TV, os espíritos levam a coisa a peito

Não sendo um entendido em espiritismo, não posso precisar com algum rigor científico o que vou afirmar em seguida. Depois de observar com atenção algumas séries televisivas que abordam a temática, sou levado a concluir que, quer falemos de espíritos ou demónios, há um factor que os atrai bastante, nos tempos modernos.

Basta olhar para a Medium, para a Ghost Whisperer ou até para boa parte do cast feminino do Supernatural para ver que essa história da bruxa velha com a verruga no nariz já não pega, tal como o vidente de ar tresloucado com poucos banhos tomados. As entidades do outro mundo agora querem é miúdas com atributos generosos, talvez tendo em conta pontos de contacto mais evidentes.

Assim, torna-se mais fácil perceber as razões que levaram a Maya a insuflar parte da sua anatomia. Possivelmente a recepção do sistema já não era tão boa.

3.2.09

Carla, Priscila, Barcarena

Vamos começar a sessão colocando os pontos nos i’s. Ponto 1 - Não sou crítico de cinema e acho que a profissão de crítico é estar a pagar, traço geral, por algo que a maioria das pessoas está disposta a fazer de borla. Ponto 2 – Gosto do Woody Allen e creio que terei visto 80 a 90% da obra do senhor, gostando mais de uns, menos de outros, mas sempre retirando alguma coisa de valor acrescentado. Até ontem.

O amantes do Javier Bardem (que é um excelente actor), da Scarlett Johansson (que é boa) e da Penélope Cruz (que é bastante overrated) que comecem já a tomar os anestésicos, porque isto vai doer. O mesmo se aplica à pandilha aspiracional do amor livre e do romance encantador e principesco e aos que sofrem de Woody Allenismo agudo.

A música de abertura é engraçada. Por cinco segundos. Depois, embora facilmente entranhável, torna-se altamente irritante. Confesso que o narrador externo, alheio à história, também não me agrada. Esse desagrado presta-se quer pela voz escolhida, quer pelo facto de eu achar que a história não tem trama suficiente para necessitar de um farol de orientação (nem sequer para fechar o filme que tem um fim aberto assim para o insípido.

O argumento parece aqueles jogadores da bola que prometem muito mas acabam por fazer uma carreira razoável a tender para o nula, sem nunca deslumbrarem. Sim, ideias de menages a trois, abordagens simples e directas sobre uma vida cheia de complexidades, paisagens quentes e convidativas e subtis chamamentos lésbicos com vedetas de Hollywood têm o seu encanto, mas... Aliás, nem me venham dizer que me escapou a fina ironia latente ou o gozo a alguns clichés. Não me escapou isso, assim como não me escapou o claro exagero que é a tia Penélope ser nomeada para o Óscar. Se gritaria, ar tresloucado, nuances artísticas e beijar a Scarlet Johansson dão direito a isso, então para o ano contem comigo na corrida.

Destilado boa parte do fel, a questão é que, segundo outros parâmetros, seria um filme aceitável, armado um pouco ao pós-modernito. Mas, sendo do Woody Allen, é um bocado como o Sergei Bubka fazer um salto à vara de 5,90m. Não está mal para os padrões actuais, mas está bastante longe do melhor que já fez. E não há Scarlet Johansson que resolva isso.

Posto isto, vou continuar a fazer o meu filme, cujo título podem já ver a dar honras de abertura ao post, sobre duas cabeleireiras da Linha de Sintra que conhecem um revisor da CP com uma visão diferente da vida.

2.2.09

Duelos no trabalho Round One

Estive a poucos centímetros de ser agredido no local de trabalho e vivo essa sensação com alegria. A emoção esteve ao rubro e só a sorte e dois colegas de peso considerável evitaram o pior. Tudo isto porque, ao ser confrontado com uma observação de “Então, essa barba não se faz? Estás a trabalhar para os sem abrigo?” resolvi ripostar à dita senhora a um nível condizente.

Esperei que ela pensasse que eu ia amochar e, ao virar da esquina, chutei “Estou a ver que também andas a trabalhar muito esse cliente de TV por Cabo. Até já aderiste à bunda larga e tudo”. Uns evidentes quilinhos a mais e falta de poder de encaixe fizeram o resto.

Quero por isso agradecer às corridas que tenho feito à hora de almoço pela velocidade e resistência conferida e aos dois artistas que ao sairem da zona do café funcionaram como barreira eficaz.

Posto isto, pode concluir-se que, disparadas as mesmas balas, mais valem uns pêlos a mais na cara do que uns gramas a mais na....


Kaiser Chiefs, Never miss a beat
(uma senhora no Disco Digital, falando dos concertos em Portugal, diz que eles cultivam a mediania e não arriscam e aquilo não passa dali, etc. Eu acho que os críticos musicais são como os restaurantes chineses - existem muitos, mas é difícil encontrar um que seja realmente de jeito)