15.12.09

Pedido formal de desculpa aos congelados


Peço desculpa aos douradinhos e também aos medalhões de pescada e aos bifinhos de frango, isto para não falar das batatas noisettes, do esparregado em cubos, dos vegetais tradicionais, das sobras ocasionais e outros que tais.

A verdade é que eu não sabia. Pensei-vos preparados para o efeito, toda a gente me dizia que sim, que fazia sentido e que era assim que as coisas se passavam. Que vocês não sentiam nada e que tudo se passava tranquilamente até ao dia em que nos víamos outra vez.
“Mas, eles aguentam?”, lembro-me eu de perguntar, preocupado com as vossas qualidades e também com a qualidade do nosso convívio. “Então não” diziam-me “eles foram feitos para isso”. E eu acreditei, com uma ou outra dúvida ocasional, mas sempre descansado em relação ao vosso bem-estar.

Até que saí à rua hoje de manhã bem cedinho. E, de cachecol no trombil e palavras de ordem a ficarem geladas nos lábios, percebi tudo. Há frio pra além da morte pelo frio e a vida num congelador é, ironicamente, um Inferno.

Por tudo isso, que me desculpem os congelados. Da próxima vez que vos bater com a porta na cara, já posso dizer com propriedade – A vida num congelador não é fácil, mas calha a todos.

4 comentários:

  1. Isto já não se chama frio, chama-se falta de respeito!

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  2. Está um calor esquisito, não está?

    Expliquem-me lá outra vez essa cena do aquecimento global sff.

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  3. Eu, por causa do que escreveste, nunca mais bato com a porta na cara dos congelados. Nunca mais!

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Se vais dizer alguma coisa, escreve, não fiques para aí a olhar.