11.12.09

Epá, juro que...



Qualquer pessoa que não tenha passado boa parte da sua vida a imitar um repolho ou outro tipo de vegetal inerte, já participou numa conversa em que este início de frase foi proferido. Sendo eu um tipo com um nível de educação que roça a perfeição (e o verbo roçar não tem aqui qualquer conotação marota), ocorrem-me dois ensinamentos da minha mãezinha a propósito da situação.

Um deles, “Quem mais jura mais mente”, faz todo o sentido recordar. O outro “Não batas em pessoas de óculos, porque te podes aleijar nos vidros partidos” é sempre válido, especialmente se quem jura for um belo de um caixa de óculos.
Pondo as coisas em pratos limpos, com bom cuspo e pano de boa cepa, o cenário é muito simples - não aprecio malta que jura isto e jura aquilo, primeiro porque juro me faz sempre lembrar prestações a bancos. O que por sua vez me leva ao conceito corja de ladrões e malfeitores. E isso não é bom. E juro que não inventei isto agora à pressão.

Jurar depende de simplemente de uma coisa – alguém nos quer convencer de algo, usando unicamente a fidedignidade da sua palavra para o efeito. Tendo eu alguma dificuldade em acreditar em pessoas, certamente compreendem a dificuldade que tenho em acreditar em palavras.

É porque tão depressa se jura um presidente, como a seguir se jura que não se tinha posto as meias sujas no lava loiça. Rapidamente se põe em jogo a saúde com o deveras tradicional “Juro pela minha saudinha”, como se disponibilizam bens e parentes estimados à laia de “Juro pela saúde dos meus ricos filhos”. Mesmo que não tenham a certeza que os filhos são deles.

Jovens amigos do palavreado com sabor a juro, comigo não vão lá. Até eu ver gente que jura pela sua saúde a adoecer com pestilências nauseabundas e criancinhas chacinadas pelos falsos juramentos dos pais, a coisa não vale. O mesmo se aplica a quem passa a vida a jurar isto e aquilo, só porque sim.
Aliás, só quando cotarem o valor da palavra de cada um em bolsa é que eu me fio nisso. Até lá, diversifiquem o léxico, invistam em palavreado de categoria e vão ver que mentem melhor.

7 comentários:

  1. Olha mas eu juro, mas é que juro mesmo, que gosto do teu blogue.

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  2. Ah homem de coragem!
    Duma só cajadada a perder pontos com:
    - Classe médica
    - Forças armadas
    - Escuteiros (cuida-te!...)
    - Bombeiros (estes já desconfiava que não gramavas)

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  3. A mim ninguém me apanha a jurar... JURO!

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  4. A partir de hoje já não juro...prometo...e prometo, também não vale de nada?
    Já agora, vá lá, visite o meu blogue recém nascido em www.alentejoenovaiorque.blogspot.com
    É um blog muito "gaija", mas como já esteve na pele de uma pode ser que goste. Até logo!

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  5. eu juro pela minha saúdinha que adoro este blog..;)

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  6. Então e: Deus nosso senhor é minha testemunha! (?)

    Pronto, uma pessoa fica logo com a certeza de que aquilo é verdade...

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  7. Assinadinho por baixo, em jeito de apreciação. Juro que nunca uso essa palavra! :P

    Agora muito a sério, quando juram, é quando não acredito.

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